sábado, 17 de outubro de 2015

Biocombustíveis: energia não alimenta

Agroecologia com horta orgânica em Alenquer



Divulgamos o projeto coletivo de incentivo a produção orgânica de hortaliças, Projeto Pimentinha, da Cooperativa Agroextrativista Amazomonte, que dissemina a agroecologia e segurança alimentar em comunidades camponesas de Alenquer, região do Baixo Amazonas, oeste do Pará. 
O projeto, apoiado pelo Fundo Dema, na parceria da FASE com o Fundo Amazônia, visa diversificar a alimentação das famílias, na produção de verduras e legumes sem agrotóxicos. e aumentar a renda com a comercialização do excedente. Em breve teremos mais resultados!!!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

III Chamado da Floresta

Nos dias 28 e 29 de outubro, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) realiza o III Chamado da Floresta na Comunidade São Pedro, localizada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapuins, em Santarém, Pará, o encontro reivindica a pauta extrativista.
O Chamado dá continuidade ao movimento que completa 30 anos e foi iniciado por Chico Mendes quando lutou por terras dos trabalhadores extrativistas, sobretudo os seringueiros, no Acre. A história da entidade se funde com a da Amazônia que, marcada por conflitos entre latifundiários e trabalhadores rurais, ainda hoje testemunha a morte de lideranças e comunitários. Enquanto, por outro lado, estimula a produção que garante ganhos econômicos e possibilita a sustentabilidade das famílias extrativistas.
Nos dias 28 e 29 de outubro, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) realiza o III Chamado da Floresta na Comunidade São Pedro, localizada…
BLOGDAFLORESTA.COM.BR

Extra! Extra! Saiu a nova revista Agriculturas.

As-pta Agroecologia
V12, N2 – NOVAS CONEXÕES ENTRE O RURAL E O URBANO
Os artigos que compõem esta edição da Revista Agriculturas: experiências emagroecologia refletem a necessidade de reconfiguração dos sistemas agroalimentares e enfatizam não só que alternativas podem – e devem – ser construídas, mas que um conjunto delas já está em curso. As experiências evidenciam que estamos diante de um conjunto de iniciativas impulsionadas por diferentes agentes, em várias esferas de atuação, que têm contribuído na prática para uma nova configuração das relações entre os espaços urbanos e rurais através da agricultura e da alimentação. A participação ativa de agricultores e consumidores é determinante e urgente para que iniciativas similares ganhem escala e possam fortalecer ainda mais as redes agroalimentares sustentáveis.
Clique aqui para ler a revista: http://goo.gl/iqtEHs
Já conhece a revista Agriculturas? http://goo.gl/fWWbNY
Já assinou a revista Agriculturas? http://goo.gl/y9Gy75
Enviado por As-pta Agroecologia

"Cuidemos dos solos", por Maria Emília Pacheco


Por Maria Emília L. Pacheco (*)
No Dia Mundial da Alimentação, rememoramos que a Organização das Nações Unidas, decretou 2015 como o Ano Internacional dos Solos.
Quero prestar homenagem à Dra. Ana Maria Primavesi, que há mais de três décadas, em 1979, com o seu livro “Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais”, revolucionou conceitos que estão na raiz da abordagem agroecológica, e mantem vivas as profundas críticas à agricultura convencional dominante, pelos seus efeitos negativos sobre a vida dos solos.

Site Oficial da Articulação Nacional de Agroecologia
AGROECOLOGIA.ORG.BR|POR EDUARDO SÁ

No 'Dia Mundial da Alimentação', a ameaça da produção desenfreada de biocombustíveis no Mato Grosso


Foto de Grupo de Intercâmbio em Agroecologia - Gias.

Hoje, para marcar o Dia Mundial da Alimentação, a organização de combate à pobreza, ActionAidBrasil com o apoio da Ong FASE, lança no Brasil o vídeo “Biocombustíveis: energia não alimenta”, um pequeno documentário sobre os impactos da expansão de áreas de monocultura para produção de biocombustíveis sobre as plantações de pequenos agricultores familiares do assentamento Roseli Nunes, em Mirassol d’Oeste. São centenas de famílias prejudicadas pelo uso extensivo do solo e da água, além de grandes quantidades de agrotóxicos. A agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos consumidos hoje no país.Vamos conferir, divulgar e compartilhar?

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Jovens camponeses enriquecendo a Bahia com alimentos de verdade

Nesta publicação procura-se expor os princípios e metodologias aplicados pela FASE Bahia na sua intervenção educativa com jovens agricultores familiares. Tendo como pano de fundo a implementação do Projeto "Jovens gerando renda na Agricultura Familiar", apoiado com patrocínio da Petrobras, a revista…
ISSUU.COM

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

III CHAMADO DA FLORESTA na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns/Santarém-PARÁ


As populações extrativistas brasileiras que, por dependerem dos recursos naturais para manter seus modos de vida, prestam ao país um serviço inestimável: protegem os ecossistemas e a biodiversidade, contribuem com o equilíbrio climático e promovem novas bases de governanças para o desenvolvimento sustentável do país. 
Piscicultura na Comunidade de Anã - Resex Tapajós-Arapiuns
Foto Vânia Carvalho-Fase/Fundo Dema

Vivem hoje em 106 Reservas Extrativistas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável nas florestas da Amazônia, da Mata Atlântica, no Cerrado, na Caatinga e nas Zonas costeiras e Marinha, protegendo mais de 25 milhões de hectares, que representam cerca de 6% do território brasileiro, com uma estimativa populacional de três milhões de famílias. São populações que nasceram e cresceram em florestas, lagos, beiras de rios, manguezais, campos e praias e que aprenderam com seus antepassados como usar estes recursos sem degradar e sem desmatar, muito antes da proteção ao meio ambiente se tornar uma preocupação da sociedade. Apesar dos avanços nas ultimas décadas, ainda existe grandes dificuldade de evidenciar suas especificidades aos formuladores de políticas públicas. Assim, o movimento social dessas populações adotou a estratégia de convidar governos para dentro das comunidades, invertendo a lógica de ir para Brasília para pautar suas demandas por políticas para estes territórios - 0 CHAMADO DA FLORESTA. 
Foram organizados dois Chamados da Floresta (2011 e 2013) para apresentar proposta de desenvolvimento ao governo. 
Temas centrais da plataforma de diálogo com governos são organizados em quatro eixos estruturantes da realidade desses territórios: 
  • conquista e regularização dos territórios;
  • políticas econômicas para o desenvolvimento;
  • programas sociais para a qualidade de vida, e 
  • gestão participativa dos recursos naturais e dos territórios.
O III CHAMADO DA FLORESTA será realizado este ano nos dias 28 e 29 de outubro dentro da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no município de Santarém, Estado do Pará. 
Participe!!
Texto enviado pelo Conselho Nacional das Populações Tradicionais - CNS

Vejam a pauta e algumas fotos do III Chamado da Floresta:
pauta de reivindicação das populações extrativistas.
1.  Política de Reforma agrária: ordenamento fundiário, democratização do acesso à terra, regularização fundiária, desenvolvimento rural sustentável e reconhecimento dos assentamentos extrativistas como áreas protegidas.
2.      Plano de manejo florestal comunitário de lago e fauna.
3.  Política de produção e geração de renda: sistema de ATER, fomento/crédito, processamento, escoamento, mercado público e privado.
4.  Infraestrutura básica: saneamento, capacitação e distribuição de água, geração e distribuição de energia elétrica, comunicação/meios digitais, mobilidade, habitação rural e limpezas de igarapés.
5.      Política de saúde/Saúde Preventiva: acesso e promoção da saúde através do SUS.
6.     Política de educação: ensino fundamental, médio, técnico, superior com garantia de cotas, reservas de vagas e turmas especiais com metodologia de alternância junto a universidades e Institutos federais, financiamento a casas familiares rurais e agrícolas.
7. Serviços ambientais: remuneração pelos serviços ambientais, proteção da biodiversidade, compensação ambiental, controle e fiscalização participativa.
8. Organização e gestão: garantia e apoio para participação junto a Conselhos Deliberativos, estruturação dos escritórios regionais das autarquias e agências: IBMBio, CONAB, INCRA, reativar a cogestão nos assentamentos e Extrativistas.
Segundo os organizadores, participaram em torno de 3 mil pessoas de todos os e














Argentina sedia V Congresso Latino Americano de Agroecologia

V CONGRESO LATINOAMERICANO DE AGROECOLOGÍA
La Agroecología: Un nuevo paradigma para redefinir la investigación, la educación y la extensión para una Agricultura Sustentable.
La Agroecología: Un nuevo paradigma para redefinir la investigación, la educación y la extensión para una Agricultura Sustentable.
AGRO.UNLP.EDU.AR

Semana Nacional de Mobilização de combate aos impactos causado pelos agrotóxicos O Brasil contra os agrotóxicos e pela vida!!!!!


De 13 a 16 de outubro de 2015, o Fórum Estadual de Combate aos Agrotóxicos do Pará realizará atividades da Semana Nacional de Mobilização de combate aos impactos causado pelos agrotóxicos. Na abertura vai ter apresentação do  livro Dossiê Abrasco: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. O livro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) reúne informações de centenas de livros e trabalhos publicados em revistas nacionais e internacionais que revelam evidências científicas e correlação direta entre uso de agrotóxicos e problemas de saúde. "Não há dúvida, estamos diante de uma verdade cientificamente comprovada: os agrotóxicos fazem mal à saúde das pessoas e ao meio ambiente", dizem os integrantes da Abrasco.

Participem dos vários eventos pelo Brasil!!!! No Pará veja mais na página do Ministério Público Estadual, coordenador do Fórum Estadual: http://www.mppa.mp.br/

Uma frente crucial na luta contra os venenos na agricultura brasileira é a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. 
"A Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida luta por um outro modelo de desenvolvimento agrário. Por uma agricultura que valoriza a agroecologia ao invés dos agrotóxicos e transgênicos, que acredita no campesinato e não no agronegócio, que considera a vida mais importante do que o lucro das empresas".

Venha conhecer mais:http://www.contraosagrotoxicos.org

domingo, 4 de outubro de 2015

Denúncia. Lobby dos agrotóxicos ameaça a vida.

“Faltam estudos que comprovem prejuízos à saúde provocados por produtos usados adequadamente.”“Não há evidências científicas de que, quando usados…
BLOGDOSAKAMOTO.BLOGOSFERA.UOL.COM.BR|POR LEONARDO SAKAMOTO

Impactos da Mineração e Resistências na América Latina

Agroecologia é debatida em Belém no IX CBA

A capital paraense recebe, entre os dias 28/09 a 1/10, o Congresso Brasileiro de Agroecologia.
MST.ORG.BR

Riscos e Incertezas dos Transgênicos

Ministério Do Desenvolvimento Agrário
O MDA lança, durante o 9º Congresso Brasileiro de Agroecologia, a publicação: Lavouras Transgênicas – Riscos e incertezas – mais de 750 estudos desprezados pelos órgãos reguladores de OGMs. O livro está disponível para download gratuito no portal MDA, nos formatos ePub e PDF. http://www.mda.gov.br/sitemda/pagina/nead-debate

sábado, 3 de outubro de 2015

MATOPIBA: uma ameaça a comunidades camponesas, quilombolas e indígenas


No dia 06 de maio de 2015 o decreto n° 8447 criou o Plano de Desenvolvimento Agropecuário do Matopiba, que abrangerá territórios dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Ao todo são 337 municípios e uma área total de 73.173.485 hectares, que, segundo o governo, serão usados para “promover e coordenar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável fundado nas atividades agrícolas e pecuárias que resultem na melhoria da qualidade de vida da população”.

Os movimentos da região, no entanto, criticam a falta de participação social nesse processo e denunciam expulsões de populações e povos tradicionais de suas terras. Segundo Paulo Rogério Gonçalves, da Alternativas para Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO), com esse projeto o cerrado será ainda mais devastado e o agronegócio fortalecido. Em defesa do eucalipto, da soja e da pecuária, dentre outros setores, o governo prejudicará ainda mais a luta centenária de quilombolas, indígenas, quebradeiras de coco e outros segmentos tradicionais da região, complementou.   
Quais os impactos nestes territórios afetados e o que os movimentos pensam a respeito desse projeto do governo?
O projeto afirma uma ação de avanço do agronegócio nessa região, que vem se dando há algumas décadas. Pega 73 milhões de hectares nos estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia. É um processo violento de grilagem, porque temos nessa região muitas comunidades quilombolas, povos indígenas, populações tradicionais, as quebradeiras de coco e um conjunto de comunidades camponesas que vêm sofrendo há décadas uma violenta expulsão através do processo de grilagem para expansão das monoculturas. No fundo o MATOPIBA fortalece o processo de violência agrária, querem aportar mais capital para que isso continue. Por outro lado, essa grande região é a mais preservada de áreas remanescentes de Cerrado que temos no Brasil. Será a destruição do Cerrado para a expansão das monoculturas, afirma um processo de desmatamento na região. O terceiro impacto é que esses quatro Estados são os que têm um índice altíssimo de trabalho escravo. Todo esse processo de violência agrária e ambiental vem junto com um processo de escravização dos trabalhadores para o preparo de solo, limpeza de terreno e plantação do agronegócio.
Em contrapartida, como são as políticas públicas para atender esses setores afetados? Falta políticas necessárias para os povos dessa região?
Nessa região tem um número muito grande de comunidades quilombolas, só no Tocantins são mais de 50 identificadas e o número é muito maior. Nenhuma delas tem seu território titulado, e isso acaba se repetindo na Bahia e no Maranhão. Um monte de comunidades quilombolas que teriam de ter seus territórios regularizados para conseguir acessar um conjunto de outras políticas produtivas e de desenvolvimento. Acaba não tendo a primeira etapa, que é a regularização fundiária. Isso é estratégico, porque mantém uma área livre à expansão do mercado de terras. Os governos não regularizam as terras das populações tradicionais mantendo elas como um potencial de expansão do mercado de terras no Brasil. E as políticas ficam nessa situação.
Observamos também que no Brasil não tem até hoje políticas estratégicas para garantir o desenvolvimento do extrativismo, numa região de cerrado que tem uma diversidade enorme de produtos: pequi, gabiroba, buriti, etc. Então tem até hoje extrativistas sendo expulsos, as espécies sendo derrubadas e não tem política de regularização das terras nem de apoio às unidades produtivas que essas comunidades desenvolvem.
Pergunto porque estamos numa conjuntura de cortes e ajustes fiscais, como se encaixa isso no contexto atual?
Essa lógica desenvolvimentista, que vem se dando na região dos cerrados, vem da década de 1970. Há muito tempo que tem uma destruição e expansão no cerrado, é uma região de nova fronteira ainda dentro do cerrado que tem muita preservação mas já sofreu diversos processos. Tivemos nesses territórios, por exemplo, o Prodecer (Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados), com interesse em reduzir o valor da oferta da soja. Então, a cooperação japonesa financia o governo brasileiro para que ele aumente sua exportação de soja e a coloque no cerrado. Essa lógica do MATOPIBA é muito antiga, é uma afirmação de uma lógica de desenvolvimento econômico altamente destrutiva e que acarreta uma violência descomunal.
E em que estágio está a execução desse projeto?
O decreto foi lançado em maio de 2015 e, por mais que ainda não tenha definido as ações específicas, politicamente já está fortalecendo o latifúndio, as empresas agrícolas, fábricas de insumos, etc. Fala sobre o apoio do governo à luta do grileiro contra a comunidade tradicional, porque quem financia a partir da grilagem das terras no fundo são os créditos direcionados ao agronegócio. Quando o governo se encontra numa crise econômica, enxergamos como sua aposta a expansão do agronegócio para exportação de commodities. Fica muito claro isso, que precisamos agora pensar estratégias para melhorar o capital no Brasil. Então pegam as áreas preservadas, que estão com as comunidades, para transformá-las em áreas produtoras de commodities.
Como se dá o arranjo político para se viabilizar esse tipo de projeto? Quem sai ganhando com isso?

Uma coisa interessante é que há algumas décadas o Ministério do Meio Ambiente vem discutindo o desmatamento do cerrado, então ele tem programas e um conjunto de ações que tenta minimizar e discutir a destruição dessa região. Com o MATOPIBA é criado um comitê gestor, mas não colocaram o Ministério do Meio Ambiente que discute os impactos ambientais no cerrado. Significa que teremos um projeto de desenvolvimento que vai detonar o que estiver pela frente, então retiram o pentelho para que não atrapalhe nem traga o debate do impacto ambiental. Nesse comitê praticamente só tem os representantes dos fazendeiros, é um comitê gestor sem representação da sociedade de forma ampliada. Tem apenas a representação do setor empresarial do agronegócio e o governo. Entregaram o comitê gestor aos interessados na expansão do agronegócio no Brasil.

No IX CBA, Grupo Carta de Belém questiona a eficácia de processos de adaptação e mitigação que ameaçam territórios e seus povos.


Manifesto sobre o Papel da Agroecologia nas Negociações sobre Mudanças Climáticas em Paris (COP 21)
               
Diante da divulgação das Contribuições Intencionais Nacionalmente Determinadas (INDCs, na sigla em inglês), divulgadas em 26 de setembro de 2015 pela Presidente Dilma, durante a Assembleia Geral da ONU,  e do que esta contribuição significará tanto para as políticas públicas ambientais, como para o papel da agroecologia para o equilíbrio do clima, limitando o aumento da temperatura, afirmamos nossa preocupação de que a agroecologia seja incorporada como mecanismo de adaptação e mitigação nas negociações do clima sem levar em conta sua proposta central de transição para um modelo de desenvolvimento que prioriza o direito à terrae território, o direito à alimentação saudável com diversidade e sem a utilização de agrotóxicos, bem como a garantia de justiça socioambiental.
Preocupa-nos, especialmente, a incorporação da agroecologia como conjunto de técnicas que sejam instrumento de realização de mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+) como indicado pelo Ministério do Meio Ambiente. Quando os meios de implementação de tais mecanismos são majoritariamente advindos do mercado financeiro ou de atores ligados aos setores produtivos geradores das mesmas emissões de carbono e causadores de degradação que se pretende evitar ou erradicar.
Da mesma forma, atentos para o lançamento para a consulta pública do Plano Nacional de Adaptação na próxima semana, chamamos atenção que a agroecologia está sim ligada a mecanismos e tecnologias sociais e ambientais de adaptação, mas que a incorporação da mesma em planos e políticas públicas para lidar ou frear ou aquecimento global não pode se restringir ou se limitar aos movimentos de institucionalização legislativa e operativa para o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que admitem a compensação na forma da restauração e recuperação com o plantio de monocultivos e com a intensificação das áreas de utilização do agronegócio.
Por esses motivos, a aceitação ou não de práticas e políticas públicas que abrem as possibilidades e oportunidades de regularização ambiental, bem como de outros processos políticos ligados a institucionalização dos mecanismos de PSA e REDD+ por meio da flexibilização e recodificação da legislação ambiental, em antecedência à garantia de direitos fundiários não são meras discordâncias instauradas em relação à eficácia da economia verde que precisam ser superadas para que reduzamos o aquecimento global. Trata-se, outrossim, de questionar a eficácia de processos de adaptação e mitigação para geração de reais mudanças no modelo de desenvolvimento que avança e ameaça os territórios e o bem estar da população em geral e que pode, se não houver disputa, apropriar-se da agroecologia apenas enquanto técnica para se adaptar às mudanças climáticas.


Belém, 01 de outubro de 2015

Saiba mais sobre o Grupo Carta de Belém:
Somos organizações e movimentos sócio-ambientais, trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar e camponesa, agroextrativistas, quilombolas, organizações de mulheres, organizações populares urbanas, pescadores, estudantes, povos e comunidades tradicionais e povos originários que compartilham a luta contra o desmatamento e por justiça ambiental na Amazônia e no Brasil. Reunimos-nos no seminário “Clima e Floresta – REDD e mecanismos de mercado como solução para a Amazônia?”, realizado em Belém em 02 e 03 de outubro de 2009, para analisarmos as propostas em curso de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) para a região à luz de nossas experiências sobre as políticas e programas implementados na região nas últimas décadas. Nesta Carta vimos a público manifestar nossa reivindicação que o governo brasileiro rejeite a utilização do REDD como mecanismo de mercado de carbono e que o mesmo não seja aceito como compensação às emissões dos países do Norte.