segunda-feira, 27 de maio de 2013

Pragas resistentes aumentam vendas de pesticidas nos EUA


As vendas de pesticidas estão crescendo nos Estados Unidos após anos de declínio à medida que o cultivo do milho aumenta e uma modificação genética concebida para protegê-lo das pragas começa a perder o efeito.
As vendas estão beneficiando fabricantes de pesticidas como American VanguardCorp. AVD -0.93% e Syngenta SYNN.VX -0.13% AG. Mas organizações de defesa do meio-ambiente e alguns cientistas estão preocupados com o fato de que um dos benefícios mais alardeados do milho transgênico — que ele reduz a necessidade do controle de pragas — está se esgotando. Ao mesmo tempo, o ressurgimento dos pesticidas poderia trazer riscos tanto para agricultores quanto para insetos que são benéficos para a lavoura.
Aaron Gassmann/Iowa State University
Lavoura de milho afetada por uma larva que danifica as raízes das plantas
Até recentemente, grande parte dos produtores de milho nos EUA havia abandonado os pesticidas de solo graças principalmente à adoção generalizada de uma modificação genética, desenvolvida pela MonsantoCo., MON -0.15% que faz as sementes do milho gerar suas próprias toxinas contra as pragas — mas que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (ou EPA, na sigla em inglês) afirma não ser nociva aos seres humanos.
As sementes modificadas foram introduzidas pela primeira vez em 2003 e se mostraram altamente eficientes contra a diabrotica speciosa, a larva de um besouro voraz também conhecida como larva-alfinete, que é o pior inimigo dos produtores de milho do país. Hoje, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, dois terços de todo o milho cultivado inclui um gene contra essa larva chamado Bt.
À medida que mais agricultores adotavam a semente modificada, a proporção da área plantada com milho que era tratada com inseticida caiu para 9% em 2010, ano mais recente para o qual há dados disponíveis, comparado com 25% em 2005, segundo o Departamento de Agricultura. E os produtores que continuaram a usar inseticida fizeram menos pulverizações em 2010, segundo os dados.
Em 2011, no entanto, entomologistas da Universidade do Estado de Iowa e da Universidade de Illinois começaram a identificar larvas que eram imunes ao gene da Monsanto e descobriram que essas pragas resistentes haviam se espalhado pelo chamado Centro-Oeste. Agora, muitos produtores já concluíram que precisam aplicar pesticidas no solo para matar as larvas que se tornaram resistentes ao Bt, assim como uma crescente população de outras pragas.
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Scott Greenlee, que cultiva 688 hectares em Iowa, disse que pretende começar a usar inseticidas este ano depois que as larvas destruíram parte de sua lavoura em 2012. Greenlee, que havia plantado o chamado milho Bt, da Monsanto, disse que a área afetada produziu somente cerca de 120 a 150 bushels por hectare, perto de um terço da produção normal.
Outro fator que está impulsionando o uso de pesticidas é o aumento da área plantada com milho, resultado dos altos preços do grão hoje, cerca do dobro dos seus níveis históricos. Os agricultores americanos plantaram 39,3 milhões de hectares de milho no ano passado, a maior área desde os anos 30, comparado com 30,6 milhões em 2001.
O governo americano não mede o uso de pesticidas anualmente, mas a American Vanguard e a FMC Corp., FMC +0.02% dos EUA, e a suíça Syngenta, que respondem por mais de três quartos do mercado americano de pesticidas de solo, divulgaram vendas maiores em 2012 e no começo de 2013.
A Syngenta, um dos maiores fabricantes de pesticidas do mundo, informou que as vendas de seu principal inseticida para o milho mais do que dobrou em 2012. O diretor financeiro, John Ramsay, atribuiu o crescimento à "consciência maior do produtor" sobre a resistência da larva nos EUA. As vendas de inseticidas da Syngenta subiram 5% no primeiro trimestre, para US$ 480 milhões.
A American Vanguard comprou uma série de tecnologias e empresas de inseticidas durante os últimos dez anos, apostando que a demanda por pesticida voltaria quando o Bt começasse a perder a eficácia. Essa aposta deu resultado nos últimos anos.
A empresa, que tem sede na Califórnia, divulgou que seu faturamento com inseticidas de solo saltou 50% em 2012 e seu lucro, 70%. Suas vendas de inseticidas subiram 41% no primeiro trimestre, para US$ 79 milhões, crescimento que foi alimentado pelo pesticida do milho.
Já a FMC, de Filadélfia, registrou um aumento de 9% nas vendas do primeiro trimestre no seu segmento agrícola, que inclui inseticidas e herbicidas, depois de ter tido um salto de 20% no quarto trimestre.
"O setor inteiro está vendo um ressurgimento", disse Aaron Locker, diretor de marketing da FMC, que tem uma receita anual de mais de US$ 3 bilhões.
No Brasil, as vendas de defensivos agrícolas em geral vêm crescendo na esteira do aumento da produção. Para o milho, em particular, as vendas no ano passado subiram 23,5% em relação a 2011, para US$ 915 milhões, segundo dados do Sindag.
Embora já tenham sido identificados alguns focos de resistência da larva no Brasil, o fenômeno ainda não atingiu a mesma proporção que nos EUA porque o milho Bt foi introduzido mais tarde no país, em 2008, diz Flavio Hirata, da consultoria de agronegócio Allier Brasil.
"Quanto mais você usa [o transgênico], mais você propicia o desenvolvimento da resistência", diz Hirata, que calcula que 80% das lavouras de milho do país usam hoje sementes transgênicas.
A Monsanto — que foi a primeira, dez anos atrás, a vender um milho resistente à larva do milho e licenciou o gene Bt para outros fabricantes de sementes — informou que continua recomendando aos produtores que façam o revezamento do milho com outras lavouras, como a soja, para "romper o ciclo da larva". A empresa americana também afirmou que ela e outros fabricantes estão vendendo sementes com mais de um fator de resistência às pragas e que está substituindo as sementes Bt convencionais pela versão com múltiplos fatores.
A empresa afirmou ainda que está desenvolvendo uma tecnologia para combater a larva do milho e que espera colocá-la no mercado até o fim da década.
Mas alguns cientistas dizem que a resistência poderia ser um problema persistente. A EPA já alertou que as larvas que desenvolveram resistência às primeiras sementes transgênicas da Monsanto provavelmente vão também se tornar resistentes a outros fatores. Consultores agrícolas e pesquisadores dizem que a população de outras pragas além da larva-alfinete aumentou em muitas regiões nos EUA porque os agricultores estão plantando milho todo ano e porque alguns pararam totalmente de usar pesticidas quando adotaram o milho da Monsanto, mesmo que ele não tenha sido feito para matar outras pragas.
"Quando os híbridos com Bt foram lançados, uma vantagem foi a diminuição dos inseticidas para o solo", diz Michel Gray, entomologista da Universidade de Illinois. "Mas alguns desses ganhos estão sendo rapidamente revertidos."
(Colaborou Luis Garcia.)
Enviado por 

sábado, 25 de maio de 2013

Vídeo mostra que alimentos transgênicos podem ficar sem identificação na embalagem





Alimentos transgênicos podem ficar sem identificação
Projeto de lei quer retirar obrigatoriedade da identificação no rótulo e gera muitas críticas.
Os consumidores não concordam em nada com a medida.
Também faltam informações sobre os efeitos dos alimentos geneticamente modificados.
Enviado por :Marcha Contra Monsanto 

Avia Terai, uma cidade marcada pelos males da agroquímica na Argentina


Um estudo interdisciplinar, patrocinado pelo Ministério da Saúde da Nação (Argentina), mostrou que em Avia Terai, uma cidade localizada na província de Chaco, rodeada de campos de soja, continuamente fumigados, mais de 30% da população possui um parente com câncer.

A reportagem é de Dario Aranda, publicada no jornal Página/12, 20-05-2013. A tradução é do Cepat.
Fonte: http://goo.gl/iRakp
Avia Terai é uma localidade com cinco mil habitantes, no centro geográfico de Chaco (nordeste argentino). A área urbana está, literalmente, rodeada de plantações de soja e girassol, que são fumigadas de dez a doze vezes por ano. Um estudo científico confirmou a denúncia de vizinhos: 31,3% da população destacada declaram que tiveram algum familiar com câncer. Os altíssimos índices de câncer, e também de deficiência, repetiram-se em outras três cidades cercadas por campos transgênicos: Campo Largo, Napenay e La Leonesa. Foi o que revelou um estudo interdisciplinar, realizado durante um ano e patrocinado pelo Ministério da Saúde da Nação (Argentina). A pesquisa relaciona a causa das enfermidades com o modelo agropecuário.
Relação entre o uso de agroquímicos e a condição de saúde”. Este é o nome da pesquisa, de 68 páginas, que contou com 2051 observações no território, utilizou dados oficiais e que foi realizada por seis médicos, licenciados em enfermagem e geógrafos.
Na entrada de Avia Terai existe uma empresa de sementes transgênicas (Mandiyú) e uma agroquímica (Ciagro), com campos experimentais. Chegando ao povoado, destaca-se uma pista de aviões para fumigação. Também está presente a multinacional cerealista Bunge, com carga-descarga de caminhões. Em Avia Terai, foram entrevistadas 390 pessoas sendo que, entre elas, 31,3% da população declararam ter contado com algum familiar com câncer, nos últimos dez anos.
“No Centro Integrador Comunitário (CIC) nos entregaram um censo realizado pelas próprias mulheres do povoado, que solicitam uma escola para deficientes. Somente entre os menores de 20 anos, da área urbana, contaram 101 crianças e jovens com deficiência”, destaca o trabalho.
Na localidade de Campo Largo, 10% das mulheres e 15% dos homens manifestaram ter algum tipo de deficiência e 29,8% reconheceram que tiveram familiares com câncer, nos últimos dez anos. Em Napenay, 20% dos homens manifestaram ter algum tipo de deficiência e 38,9% apontaram a existência de algum familiar com câncer. Em La Leonesa, região arrozeira, 27,4% da população declararam ter familiares com câncer.
“As quatro localidades caracterizadas como assentamentos, nas quais se desenvolve o modelo agroprodutivo, empregando os pacotes tecnológicos que incluem sementes transgênicas e o emprego de agroquímicos, têm respostas acima de 20%, chegando até 38%, ao mesmo tempo em que as duas localidades caracterizadas como pecuaristas chegam a valores muito baixos”, alerta a pesquisa.
Para o seu relatório epidemiológico, a pesquisa tomou como fontes de informação os estudos da Direção de Estatística Sanitárias, do Ministério da Saúde de Chaco, e o Registro de Tumores de Chaco, do Serviço de Neonatologia do Hospital Perrando e do Hospital 4 de Junho, além das próprias pesquisas no  território. E explicaram que priorizaram os casos de tumores e as malformações congênitas, pois “associam-se à exposição com agroquímicos”.
Os produtos de maior uso na área são endosulfan, clorpirifós, glifosato, paraquat, dimetoato, lambdaciaotrina, metamidofós, cipermetrina e carbendazim, entre outros.
O trabalho detalha uma bibliografia científica que adverte sobre as malformações e câncer nas áreas com uso intensivo de agrotóxicos, recorda que a aparição de ervas daninha resistentes fez com que “para sustentar a produtividade, sejam aplicadas quantidades cada vez maiores de agroquímicos”, e lembra que os mais atingidos são crianças e mulheres grávidas.
Alejandra Gómez, da Rede de Saúde Popular Ramón Carrillo, trabalha junto às populações fumigadas de Chaco e não duvida: “Continua-se priorizando a ‘produtividade’ e o rendimento do agronegócio, sem levar em conta os custos sociais e ambientais, nem a saúde e a vida. As leis não são cumpridas e o Estado continua ausente em matéria ambiental. Deve ficar claro que junto com o avanço da fronteira agrícola, avança o desmonte e as enfermidades na população”.
A pesquisa cita estudos científicos e afirma as consequências do modelo: “Redução da fertilidade masculina, enfermidades neurológicas, redução do crescimento, anormalidades fetais, fadiga crônica em crianças e Mal de Parkinson. Também está contribuindo enormemente para o aumento do índice de câncer, já que os resíduos de pesticidas estão entre as três maiores causas de câncer”.
No capítulo final, os pesquisadores afirmam que “é possível compatibilizar o desenvolvimento dos povos com a saúde e a educação, preservando o território para gerações futuras”, recorda a sentença judicial, que freou fumigações na localidade de La Leonesa, mas adverte que em muitas outras cidades “a população ainda continua esperando e, por isso, acreditamos que é necessário atuar de forma mais rápida diante das situações em que se prejudica a saúde”. Destaca que no país conseguiram “erradicar muitas enfermidades, que durante anos causaram mortes e postergaram”, e revela a razão da pesquisa: “Não queremos ficar silenciosos diante de novas ameaças”.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Proteja a Amazônia de monoculturas!!!!!


A maior epidemia infantil da história

Foto do blog:http://padretelmofigueiredo.blogspot.com.br/2013/04/alerta-adolescente-consome-26-kg-de.html

A maior epidemia infantil da história

Mariana Claudino
do Canal Ibase
Os dados são alarmantes: 56% das crianças brasileiras com menos de um ano bebem refrigerante – até mesmo em mamadeira. Um pacote de biscoito recheado equivale a oito pães franceses. Em cada cinco crianças obesas, quatro serão obesas no futuro. A maior parte das crianças brasileiras passa mais tempo em frente à televisão do que na escola. Redes de fast-food, em suas informações nutricionais, trocam a palavra “açúcar” por “carboidrato”. O filme “Muito além do peso”, de Estela Renner e Marcos Nisti, que estreou na semana passada e está em cartaz no Rio de Janeiro no cinema Arteplex, fala justamente não só sobre o problema da obesidade infantil, mas do sobrepeso – 30% das crianças brasileiras estão acima do peso. E de como isso pode interferir na saúde e no futuro desta geração.
Obesidade e sobrepeso carregam com elas outras doenças muito graves, que só víamos em adultos até então: diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, doenças do coração, pulmão, entre outros.  É preciso sacudir as pessoas em relação a esse assunto. Os pais sabem que seu filho está com colesterol alto, mas acreditam que vai passar, que sempre vai acontecer a fase do estirão. Muitos acreditam que a genética é a grande vilã e que seus esforços de alimentar seus filhos serão em vão. Poucos sabem que o fator genético ocupa somente 10% dos casos e que a obesidade e o sobrepeso podem também ser domados com uma reeducação alimentar”, defende Estela, que, também ao lado de Marcos Nisti, dirigiu “Criança a alma do negócio”.
O documentário também ainda chama a atenção para hábitos rotineiros que ajudam a piorar o problema: horas em frente à televisão e computadores, maus hábitos alimentares e a negociação do afeto ou da obediência por meio da comida. O filme mostra duas cenas de birra em que a criança só se acalma e para de chorar compulsivamente quando recebe a guloseima que tanto deseja – obviamente, recheada de calorias.
O filme, que levou dois anos para ser concluído, fez a equipe a entrevistar famílias de norte a sul, leste a oeste do Brasil: de grandes cidades a pequenos municípios, comunidades rurais e até aldeias indígenas. Entre as situações inusitadas, a de um cacique que é adepto do macarrão instantâneo e de crianças que não identificam uma batata ou uma cebola.
“O Brasil é um país enorme, mas os problemas alimentares das crianças, em geral, são os mesmos, independentemente de onde ou como vivem. Tanto a criança do Amazonas quanto a do Rio Grande do Sul não sabe o que é um mamão e não lembra quando foi a última vez que comeu uma manga. E todas adoram e consomem salgadinhos e refrigerantes“, contou Estela.
Além das entrevistas com as famílias e dos dados pesquisados, o filme ouviu uma série de especialistas nacionais e internacionais da medicina, da nutrição, do direito, da psicologia, da publicidade, entre outros. Entre eles, Frei Betto; Enrique Jacoby, médico da Organização Mundial de Saúde; o chef Jamie Oliver e Amélio Fernando de Godoy Matos, do Instituto de Diabetes e Endocrinologia. “As pesquisas, segundo Jamie Oliver, indicam que a criança de hoje viverá 10 anos a menos que seus pais por causa do ambiente alimentar que criamos em volta dela”, alerta a cineasta.
A diretora defende, como prevenção, uma campanha para a TV aberta nacional. “O que os especialistas nos dizem é que há necessidade de regulamentação de composição de produto por parte do governo, como também há necessidade de sobretaxar produtos que vão gerar custo para a saúde pública depois, como fazem com o cigarro, no caso de produtos muito ricos em açúcares gordura e sal. Há necessidade de educação nas escolas como parte do currículo escolar das crianças. Eles também apontam como fundamental as campanhas de mídia alertando para o que se deve e o que não se deve oferecer para o seu filho no cotidiano. Além disso, de aparelhar pais e mães para que eles possam ter e também dar uma educação alimentar em casa. É precisoregulamentar a publicidade dirigida às crianças urgentemente. Não podemos mais deixar que os pais sozinhos enfrentem esta batalha só porque eles são os pais das crianças. Os pais precisam de ajuda porque as crianças precisam de ajuda.”

As cenas dos bebês tomando refrigerante antes do primeiro ano de vida são as mais chocantes, na opinião de Estela. “Um dos nossos primeiros contatos com o mundo é por meio do aleitamento materno, e é um momento fundamental de reconhecimento e formação da relação mãe e filho.  Além de chocante do ponto de vista da saúde, acho muito simbólico, do ponto de vista das relações que estamos criando, ter um produto tão cheio de químicos já intrometido entre mãe e filho. Na minha casa, tenho três filhos e a batalha por uma alimentação saudável sempre existiu. Depois do filme, até a nossa equipe mudou os hábitos alimentares. Você convive com isso por quase dois anos, e naturalmente não tem mais coragem de colocar na boca uma coisa que tem um corante proibido na Europa porque provoca câncer. Quem assistir ao filme vai mudar.”
Veja o trailer abaixo:


VI Conferência Internacional da Via Campesina!!!



Del 6 al 13 de junio se realiza en Jakarta, la capital de Indonesia, la VI Conferencia Internacional de la Vía Campesina, bajo los eslóganes "Por la tierra y soberanía de nuestros pueblos" y "Con solidaridad y lucha". Se espera la llegada de varios cientos de campesinos de todos los continentes.

Es por eso que la Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo (CLOC-Vía Campesina) y Radio Mundo Real realizan una nueva entrega de su programa Voz Campesina, casi exclusivamente dedicado a esta VI Conferencia.

Participaron del programa: Edgardo García, de la Asociación de Trabajadores del Campo de Nicaragua, Vía Campesina Centroamérica; Juana Ferrer, de la Confederación Nacional de Mujeres Campesinas de República Dominicana (CONAMUCA), Vía Campesina Caribe, e integrante además de la coordinación internacional de la Vía Campesina; y Eberto Díaz, de la Federación Nacional Sindical Unitaria Agropecuaria de Colombia (FENSUAGRO), Vía Campesina Sudamérica.

Finalmente, estuvieron en la conducción del Voz Campesina Nº 17 Viviana Rojas, de la Confederación Nacional de Organizaciones Campesinas, Indígenas y Negras de Ecuador (FENOCIN) y José Elosegui por Radio Mundo Real.
Foto: Vía Campesina

José Elosegui

REDES - Amigos de la Tierra Uruguay
Radio Mundo Real (Amigos de la Tierra Internacional)
www.radiomundoreal.fm
http://www.cloc-viacampesina.net/es/component/content/article/525-voz-campesina?start=10

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O que os seus filhos comem?

Ilustração da Revista da ABESO

Mariana Claudino
do Canal Ibase
A obesidade triplicou em 20 anos em todo o mundo e, cada vez mais, as crianças fazem parte desta estatística. Pensando neste quadro preocupante e crescente, o chef inglês Jamie Oliver criou o Food Revolution Day, que aconteceu nesta sexta-feira, dia 17, e tem como objetivo chamar a atenção das pessoas sobre a importância de uma alimentação autêntica e saudável – um momento de reflexão e alerta para os péssimos hábitos alimentares. Oliver, aliás, já pediu ao primeiro-ministro britânico que introduza aulas de culinária e educação alimentar para alunos dos 4 aos 14 anos. O Food Revolution Day acontece em 504 cidades do mundo. Aqui, ele é realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo, com eventos locais: workshops e almoços coletivos para a promoção de hábitos baseados em alimentos que não vêm em latas, garrafas, caixinha e saquinhos. Mas e quem não tem nem o que comer e passa por sérias privações? Como lidar com esta situação e como alertá-los?
Segundo o consultor do Ibase para o tema de segurança alimentar e combate à pobreza, Francisco Menezes, este tipo de ação é válida para alertar as pessoas. É preciso, no entanto, levá-lo a todas as camadas sociais.
- O enfrentamento deste problema exige medidas integradas, que vale para todas as classes sociais. Falar em educação alimentar para os mais pobres sem condições de consumir só produz culpa. As mães de camadas mais baixas sabem o que é um alimento saudável. As frutas podem ser baratas, mas para quem tem o orçamento na conta não é bem assim. É preciso continuar o esforço e gerar condições para estas pessoas exercerem o seu direito à alimentação saudável. Como falar em alimentação orgânica com estas pessoas? Alimentação orgânica é cara até para a classe média – ressalta Chico Menezes, consultor do Ibase para o tema segurança alimentar e combate à pobreza.
Nem todas as escolas brasileiras cumprem à risca a determinação que proíbe a venda de balas na cantina. E a lei nº 11.947, que determina que no mínimo 30% da merenda escolar sejam compradas diretamente de agricultores familiares – o que reforçaria a agricultura familiar em R$ 600 milhões – está longe de ser cumprida plenamente.
- No caso do Brasil, o que mais preocupa realmente é a obesidade e o sobrepeso nas camadas de menor renda, o que vêm aumentando nos últimos 20 anos. A obesidade nas camadas mais ricas é diferente da obesidade na população de baixa renda – compara Menezes: – á vários fatores que levam à obesidade. Nas camadas mais pobres, o problema está associado ao consumo de alimentos mais baratos e que trazem a sensação de saciedade. E apenas agora alguns pesquisadores levam em conta a experiência da fome. Pais e avós não querem que as crianças da família passem pelo que passaram, por não ter a comida para comer. E acabam fazendo uma reserva no organismo para combater as lembranças da carência – analisa Menezes.
A tendência é que o problema piore ainda mais em todas as regiõe. Segundo o IBGE, o excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência na infância, a partir de 5 anos, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras. O documentário “Muito Além do Peso”, lançado em novembro do ano passado, dirigido por Estela Renner e patrocinado pelo Instituto Alana, trata do tema obesidade infantil e revela que já há no país uma geração de crianças condenada a morrer cedo ou ter problemas de saúde em função de maus hábitos alimentares: uma em cada três já está com sobrepeso e cerca de 15% são obesas.
Menezes explica que, entre os brasileiros de baixa renda, o fator biológico também contribui negativamente:
- Aqueles que vivem uma situação de desnutrição são mais propensos a se tornar obesos, porque o metabolismo fica mais lento. Com isso, temos uma junção de fatores psicológicos e biológicos.

Publicidade

A publicidade no Brasil também é abordada como um fator negativo em “Muito além do peso”.- O Brasil é de um liberalismo sem tamanho em relação à publicidade de alimentos. Todos os dias, todas as noites, a televisão despeja uma série de anúncios que associam alimentos não adequados com satisfação, status, beleza e cores. Os grupos empresariais que têm interesse na manutenção destes esquemas não querem abrir mão desta publicidade, do “brinquedinho” na comida. Estamos numa guerra desigual  alerta o consultor do Ibase.Para Menezes, a diversidade cultural do Brasil pode ser um ponto positivo na busca para uma saída. O alimento, segundo ele, é cultura. E o Brasil tem uma riqueza alimentar com diferentes receitas de produtos locais. A questão da alimentação saudável deve ser associada à cultura e ao prazer.

10 empresas controlam 85% dos alimentos


O sociólogo suíço Jean Ziegler, ex-relator especial para o Direito à Alimentação da Nações Unidas (ONU), denunciou que a fome é um dos principais problemas da humanidade, num debate na última segunda-feira, em São Paulo. Por José Coutinho Júnior do MST.















“O direito à alimentação é o direito fundamental mais brutalmente violado. A fome é o que mais mata no planeta. A cada ano, 70 milhões de pessoas morrem. Destas, 18 milhões morrem de fome. A cada 5 segundos, uma criança no mundo morre de fome”, salienta o sociólogo suíço Jean Ziegler

Na década de 1950, 60 milhões de pessoas passavam fome. Atualmente, mais de 1  bilhão.

“O planeta nas condições atuais poderia alimentar 12 bilhões de pessoas, de acordo com um estudo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Não há escassez de alimentos. O problema da fome é o acesso à alimentação. Portanto, quando uma criança morre de fome ela é assassinada”, completou.

Ziegler afirma que é a primeira vez que a humanidade tem condições efetivas de atender às necessidades básicas de todos. Depois do fim da Guerra Fria, mais especificamente em 1991, a produção capitalista aumentou muito, chegando a duplicar em 2002. Ao mesmo tempo, essa produção seguiu um processo de monopolização das riquezas. Hoje, 52,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial está nas mãos de empresas multinacionais.

A concentração da riqueza nas mãos de algumas empresas faz com que os capitalistas tenham uma grande força política.

“O poder político dessas empresas foge ao controle social. 85% dos alimentos de base negociados no mundo são controlados por 10 empresas. Elas decidem cada dia quem vai morrer de fome e quem vai comer”, afirmou Ziegler.

O sociólogo ainda relatou que essas empresas continuam blindadas pela tese neoliberal de que o mercado não deve ser regulado pelo Estado. Segundo ele, na Guatemala, 63% da terra está concentrada em 1,6% dos produtores.

“A primeira reivindicação que fiz, após a missão, foi a realização da Reforma Agrária no país. Fui rechaçado, pois uma intervenção no mercado não é possível. Não havia sequer um cadastro de terras lá: quando os latifundiários querem aumentar suas terras, mandam pistoleiros atacar a população maia que vive ao redor”.


Especulação

A especulação financeira dos alimentos nas bolsas de valores é um dos principais fatores para o crescimento dos preços da cesta básica nos últimos dois anos, dificultando o acesso aos alimentos e causando a fome. De acordo com o Banco Mundial, 1,2 bilhões de pessoas encontram-se em extrema pobreza hoje, vivendo com menos de um dólar por dia. Segundo Zigler, quando o preço do alimento explode, essas pessoas não podem comprar.

“Apesar de a especulação ser algo legal, permitido pela lei, isso é um crime. Os especuladores deveriam ser julgados num tribunal internacional por crime contra a humanidade”, denunciou Ziegler.

A política de agrocombustíveis, que, além de utilizar terras que poderiam produzir comida, transforma alimentos em combustível, é mais uma agravante. Para o sociólogo, é inadmissível usar terras para fazer combustível em vez de alimentos num mundo onde a cada cinco segundo uma pessoa morre de fome.


Política da fome

Ziegler afirma que não se pode naturalizar a fome, que é uma produção humana, criada pela sociedade desigual no capitalismo. Prova disso são as diversas políticas agrícolas praticadas tanto por empresas e subsidiadas por instituições nacionais e internacionais.

O dumping agrícola consiste em subsidiar alimentos importados em detrimento dos alimentos produzidos internamente. De acordo com Ziegler, os mercados africanos podem comprar alimentos vindos da Europa a 1/3 do preço dos produtos africanos. Os camponeses africanos, dessa forma, não conseguem produzir para se sustentar.

Ziegler denunciou o "roubo de terras", que é o aluguer ou compra de terras num país por fundos privados e bancos internacionais, que ocorreu com mais de 202 mil hectares de áreas férteis na África, com crédito do Banco Mundial e de instituições financeiras da África. Os camponeses, por conta desse processo, são expulsos das terras para irem viver em barracas. Esse processo tem se intensificado uma vez que os preços dos alimentos aumentam com a especulação imobiliária.

O Banco Mundial justifica o roubo de terras com o argumento de que a produtividade do camponês africano é baixa até mesmo num ano normal, com poucos problemas (o que raramente acontece). Um hectare gera no máximo 600 kg por ano, enquanto que na Inglaterra ou Canadá, um hectare gera uma tonelada. Para o Banco Mundial, é mais razoável dar essa terra a uma multinacional capaz de investir capital e tecnologia e tirar o camponês de lá.

“Essa não é a solução. É preciso dar os meios de produção ao camponês africano. A irrigação é pouca, não há adubo animal ou mineral nem crédito agrícola, e a dívida externa dos países impedem que eles invistam na agricultura”, defende Ziegler.


Soluções

Segundo Ziegler, a única forma de mudar as políticas que perpetuam a fome é por meio da mobilização e pressão popular. Ele afirma que devemos exigir dos ministros de finanças na assembleia do Fundo Monetário Internacional que votem pelo fim das dívidas externas e nos mobilizar para impedir o uso de agrocombustíveis e acabar com o dumping agrícola.

“A única coisa que nos separa das vítimas da fome é que elas tiveram o azar de nascer onde se passa fome”.

O ex-relator especial para o Direito à Alimentação da Nações Unidas (ONU) esteve no Brasil para lançar o livro "Destruição em Massa – Geopolítica da Fome" (Editora Cortez) e participar da 6ª edição do Seminário Anual de Serviço Social, que aconteceu no Teatro da Universidade Católica (TUCA).

Artigo de José Coutinho Júniordo MST, disponível em diarioliberdade.org


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Fórum da ONU destaca contribuição das florestas para a segurança alimentar e nutricional


Foto:FAO
Animais e árvores encontrados nas florestas podem desempenhar um papel crucial na melhoria da segurança alimentar e nutricional em todo o mundo, disse a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em meio a um evento esta semana sobre o tema.
As florestas cobrem cerca de um terço do planeta e fornecem uma variedade incalculável de benefícios sociais, econômicos e ambientais. Cerca de 1,6 bilhão de pessoas — incluindo mais de 2 mil culturas indígenas — dependem das florestas para sua subsistência. Elas também são fonte de três quartos da água doce da Terra, ajudam a regular o impacto de tempestades e inundações e armazenam carbono da atmosfera. Além disso, mais de 3 bilhões de pessoas dependem das florestas para pegar lenha para cozinhar e se aquecer.
A Conferência Internacional sobre Florestas para a Segurança Alimentar e Nutricional, que está sendo realizada na sede da FAO em Roma entre os dias 13 e 15 de maio, reúne políticos, cientistas, representantes dos setores privados, agências da ONU, organizações não governamentais e grupos comunitários, agricultores e indígenas. O objetivo é estimular a conscientização e o entendimento sobre as muitas maneiras de contribuição das florestas para a segurança alimentar, especialmente nos países em desenvolvimento.
“Se você conversar com o público em geral sobre as florestas, eles pensam sobre a construção de casas e móveis e talvez recreação. Mas eles não as associam primeiramente com fontes alimentares”, disse Eva Muller, diretora da Divisão de Economia, Políticas e Produtos Florestais da FAO.
Muller ressaltou que as florestas contribuem para a segurança alimentar de diversas maneiras. Eles são uma fonte de “alimentos da floresta”, que incluem frutas, folhas, sementes e cogumelos, bem como os animais selvagens e insetos.
“Estes geralmente não são os principais alimentos das pessoas, mas são um complemento muito importante para dietas, porque eles são muito nutritivos e adicionam minerais e vitaminas. Além disso, os insetos e os animais selvagens fornecem proteína para muitas pessoas que vivem dentro e ao redor das florestas”, disse.
As florestas e as árvores também proporcionam renda em muitas áreas rurais e são a base de pequenas empresas, observou a funcionária da FAO. Muitas vezes, as mulheres recolhem produtos das florestas e vendem no mercado para gerar uma renda adicional que pode ajudar a pagar os alimentos consumidos por suas famílias, além de custos escolares e roupas para os filhos.

Caravana em MG divulga experiências de produções agroecológicas





Da Articulação Nacional de Agroecologia 

O Centro de Tecnologias Alternativas (CTA), sediado em Viçosa (MG), e organizações reunidas na Articulação Nacional de Agroecologia de vários estados do país realizam a Caravana Agroecológica e Cultural da Zona da Mata de Minas Gerais. Entre 22 a 25 de maio serão percorridos diversos municípios da região. Cerca de 300 pessoas estarão diretamente envolvidas em sua realização, além da população dos municípios visitados.

O objetivo é divulgar as experiências agroecológicas e promover esta alternativa da agricultura que é reconhecida pela Organização das Nações Unidas por sua capacidade de até dobrar a produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos, com benefícios à saúde e ao meio ambiente e respeito à cultura e diversidade das famílias agricultoras. 

As visitas mostrarão uma variedade de experiências desenvolvidas na região, ao percorrer assentamentos, sindicatos, territórios afetados pela mineração, propriedades de agricultores e escolas familiares agrícolas, dentre outros locais. Será possível perceber como desde as pequenas propriedades são criadas importantes cadeias econômicas, que beneficiam amplamente o desenvolvimento local. A visita também permitirá pensar o contexto da agricultura nacionalmente e os desencadeamentos da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, cujo decreto foi assinado pela Presidência da República em 2012.

Roteiro

A Caravana, promovida pela ANA, partirá da sede do CTA para três roteiros distintos. Araponga, Divino e Muriaé serão algumas das cidades visitadas. O destino final será o município de Espera Feliz, onde haverá um ato público com exposição de organizações da ANA e do governo, e estarão reunidos representantes de organizações de agricultores e agricultoras, profissionais das áreas de educação e saúde, militantes da segurança alimentar e nutricional e de movimentos sociais urbanos. O encerramento da caravana será no dia 24, na sede do Parque Nacional do Caparaó.

Até o encerramento no Parque Nacional do Caparaó estão previstas apresentações culturais, conversas com as comunidades e visitas a propriedades agroecológicas e distribuição de material informativo. Esta caravana é a primeira de uma série, em todo o país, realizada também como preparação ao III Encontro Nacional de Agroecologia, previsto para o primeiro semestre de 2014.

Agroecologia

A agroecologia é uma forma de pensar e fazer a agricultura que integra aspectos agronômicos, ecológicos e socioeconômicos na avaliação e desenvolvimento das tecnologias para a produção e distribuição de alimentos. Seu princípio básico é o uso racional dos recursos naturais. Embora o uso da palavra agroecologia tenha começado na década de 1970, sua prática é antiga e está relacionada à necessidade de cuidados com o ambiente e as pessoas que se ocupam da agricultura. Esses cuidados passam, principalmente, pela não utilização de agrotóxicos e sementes transgênicas.

A agroecologia defende a agricultura familiar e a diversificação da produção, que representa mais opções de consumo para a família e para a comercialização. Além disso, valoriza o conhecimento popular. Antes defendida somente por organizações não governamentais, a agroecologia tem sido estimulada pelo governo.

Tanto é assim que representantes de entidades governamentais e da sociedade civil estão concluindo o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), a ser lançado em junho deste ano. O Plano integra a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), instituída por decreto em agosto de 2012.
 

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