Fantástica entrevista com sociólogos franceses, autores do livro "A violência dos ricos" .
Espaço de comunicação da Articulação Nacional de Agroecologia na Amazônia
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Agrotóxicos são derramados na Amazônia impunemente
![]() |
| Louva-a-Deus, controlador de insetos natural |
Na Amazônia os agrotóxicos são usados indiscriminadamente, tanto em monoculturas do agronegócio quanto nos cultivos da agricultura familiar. Na agricultura familiar é usado para economizar trabalho na "limpeza" dos cultivos.
O veneno é subsidiado pelo governo e de baixo custo. O mais usado é o Glifosato, considerado por especialistas como um dos herbicidas mais nocivos ao meio ambiente e às pessoas.
Ele foi desenvolvido para matar qualquer planta nativa. É o ingrediente principal do Roundup, herbicida da Monsanto.
O veneno é subsidiado pelo governo e de baixo custo. O mais usado é o Glifosato, considerado por especialistas como um dos herbicidas mais nocivos ao meio ambiente e às pessoas.
Ele foi desenvolvido para matar qualquer planta nativa. É o ingrediente principal do Roundup, herbicida da Monsanto.
Veja mais e divulgue nossa Campanha pela vida!!!www.contraosagrotoxicos.org/
Você já ouviu falar na FINANCEIRIZAÇÃO DA NATUREZA?
Por Amigos da Terra Brasil
Pois bem, independentemente de nós sabermos ou não a respeito
desse processo, ele está ocorrendo e acredito que talvez seja importante você
dedicar um pouco do seu tempo para conhecer alguma coisa a mais sobre ele.
Para começar, afinal, o que é a FINANCEIRIZAÇÃO DA NATUREZA?
Posso dizer que é um processo através do qual o capital especulativo se
apropria da natureza com a finalidade de comercializar, por exemplo, a
polinização realizada por abelhas. É, é isso mesmo. Com a FINANCEIRIZAÇÃODA
NATUREZA você poderia, por exemplo, largar tudo e investir em alguns títulos
franceses, em uma bolsa de valores na Inglaterra, nos títulos do “serviço”
prestado pela polinização de abelhas africanas em alguma colméia de uma floresta
da Malásia. Ou seja, através de certificados, títulos e essas coisas todas que
divertem os acionistas do mundo todo, a natureza é transformada em uma grande
fábrica que produz mercadorias essenciais à vida como a água, ar puro,
fertilidade do solo, biodiversidade, captura de carbono, beleza (não é uma
metáfora, segundo alguns economistas e outros iluminados da nossa era S/A, a
beleza também pode ser quantificada e precificada, podendo vir a garantir muito
lucro a quem tiver esses” títulos de beleza” em sua posse). Ou seja, a
FINANCEIRIZAÇÃO DA NATUREZA é a condição de possibilidade para que exista a
MERCANTILIZAÇÃO DA NATUREZA.
Mas vamos por partes. Acima expliquei que a FINANCEIRIZAÇÃO DA
NATUREZA permite que larguemos tudo e invistamos em títulos da polinização de
abelhas malasianas em alguma bolsa de valores na Inglaterra. Isso mesmo. Porém,
o investimento em títulos da polinização de abelhas malasianas só será rentável
se muitas pessoas estiverem dispostas a COMPRÁ-LOS. Aí entra o papel da
MERCANTILIZAÇÃO. Em outras palavras, transformar a natureza em mercadoria. Daí
em diante, até os ATRIBUTOS ABSTRATOS da natureza começam a ser passíveis de
serem convertidos em mercadorias. Eu disse ATRIBUTOS ABSTRATOS porque talvez
não tenhamos dado atenção suficiente ao fato de que há muito tempo os atributos
concretos da natureza como a água, por exemplo, vêm sendo mercantilizados.
Alguém pode pensar: “há algo de errado na água ser comercializada?” Não sei,
vamos pensar. Você e eu moramos em um mesmo planeta, somos da mesma espécie e,
na teoria, segundo nossas próprias convenções, temos os mesmos direitos e
deveres. Muito bem. Nem você, nem eu produzimos, por exemplo, a água. Na
verdade, ninguém produz água, a não ser a natureza da qual você eu fazemos
parte, igualmente. Nesse sentido, por que a Nestlè ou a Coca-Cola – que também
não produzem água – podem engarrafar, precificar e vender para você e para mim
a água que, em tese, deveria ser de todos/as, uma vez que esse recurso
transcende as fronteiras e limites criados por nós?
É aí que eu queria chegar: todo esse processo sutil e muito bem
pensado está fazendo com que você e eu acreditemos que é justo que a natureza,
que por muitos milênios foi considerada um BEM COMUM, passe a ser objeto de
privatização, precificação e mercantilização. Bom, eu não sei quanto a você,
mas para mim soa de forma bastante alarmante a possibilidade de que meus netos
tenham de pagar pelos metros cúbicos de ar que respirarem durante o mês. Acha
que essa possibilidade é bizarra? Experimente tentar vender uma garrafa de água
para um índio Ticuna e você provavelmente verá exatamente a mesma reação de
incredulidade na expressão dele. Talvez não devêssemos nos preocupar tanto com
o estranhamento causado por pensarmos em pagar pelo ar que respiramos, mas com
certeza deveríamos refletir com dedicação o porque de termos naturalizado de
tal forma pagarmos para uma corporação a água que compramos no hipermercado.
Como isso se dá na prática?
Para tudo isso começar a funcionar, precisamos ter uma
comunidade sistematicamente desassistida, marginalizada e excluída de qualquer
intervenção política. Somado a isso, essa comunidade deve, fundamentalmente,
estar territorializada em um local que possua elementos naturais alvos de
especulação que possam ser financeirizados e mercantilizados no mercado global.
A partir daí, basta convencer a comunidade de que ela “ganhará” muito mais
“vendendo” o direito aos recursos naturais que ela desfruta. Assim começa a
porta de entrada para o processo, ou o chamado “Pagamento por Serviços
Ambientais” (PSA). Na realidade, o PSA não é nada mais do que mercantilizar as
“funções naturais da natureza” (não tem como fugir dessa redundância para
enfatizar o aspecto tragicômico desse mecanismo). Obviamente a natureza não tem
uma conta bancária e não faz o que faz para garantir o salário no fim do mês.
Aí que entram as benevolentes tutoras “legais” da natureza, instituições e
organismos que, abdicadamente, colocam-se à disposição para administrar o
complexo mercado de pagamento por tais “serviços”. Claro que há uma outra
variável, o tutor dos serviços ambientais, automaticamente, torna-se dono da
floresta, rio, colméia ou o que quer que seja, antes tidos como bens comuns – nem
privados, nem públicos – que estavam à disposição de comunidades específicas e
que dependiam de tais recursos para garantir sua sobrevivência, perpetuação e
autonomia. No processo proposto pelos defensores do PSA, em “troca” de um
retorno financeiro, as comunidades abdicam do seu poder de decisão e gestão
sobre seus próprios territórios, tornando-se, tão somente, uma espécie de
zeladores de um patrimônio natural, agora privatizado em nome de um suposto bem
coletivo (é, como você deve ter notado, esse processo é cheio de ousadas
contradições). Aí alguém levanta o dedo e pergunta: “mas o que há de errado
nisso, já que a comunidade aceitou uma compensação financeira?”. É, parece
justo. Talvez esse seja o maior problema de todos, pois nesse jogo a justiça é
perspectivada a partir de dentro do referencial de uma economia de mercado e de
suas corporações, bem diferente da realidade contextual das comunidades que
vivem sob outra lógica. Sendo assim, enquanto nossas corporações agem da forma
que consideram justa, as comunidades, por um lado, perdem a soberania sob
seus territórios e, por outro lado, acabam tornando-se dependentes desse
assistencialismo corporativo criado.
O que isso tudo tem a ver com Agroecologia?
Bem, talvez fosse mais fácil dizer o que isso não tem a ver com
agroecologia. Entender que a Agroecologia é um compromisso ético e político com
o pensamento ecológico, ou seja, com uma perspectiva sistêmica, hospitaleira e
abrangente, deixa claro que isso tem tudo a ver com a Agroecologia,
principalmente quando afirmamos que a agroecologia é indissociável da Justiça
Ambiental. Ou seja, não basta afirmarmos que um ou outro aspecto de uma ação é
justo ou injusto em si mesmo. A partir da perspectiva da Justiça Ambiental,
todas as dimensões envolvidas e impactadas em qualquer processo devem ser
consideradas equanimemente. No caso de uma agricultura que se pretenda
agroecológica, por exemplo, todos os sistemas devem ser levados em
consideração, possibilitando que nenhum dos entes envolvidos direta ou
indiretamente no processo suportem uma carga maior do que outros. Nesse
sentido, mais do que você e eu ficarmos discutindo a respeito de qual ação é a
melhor para essa ou para aquela comunidade, é fundamental que cada uma dessas
comunidades possa ter voz e respeito por suas determinações, sem qualquer
descaso ou tutela. Por isso debater e levar esse debate adiante é uma
possibilidade de intervenção nessa questão. Aliás, obter todo tipo de
informação a esse respeito é fundamental, pois esse processo tem muitas frentes,
uma delas sendo, inclusive, a própria aprovação do novo código florestal
brasileiro. Você sabia que o novo código estabelece o marco jurídico necessário
para o estabelecimento do PSA no país? Pois é, essa medida tem a potencialidade
de alterar significativamente o cenário da agricultura, sobretudo a agricultura
agroecológica. Ou seja, está tudo integrado e interconectado, não importa por
onde começarmos ou o caminho que optarmos por seguir, o processo é um só e não
estamos sozinhos nele.
Fonte: http://amigosdaterrabrasil.wordpress.com/2014/02/13/voce-ja-ouviu-falar-na-financeirizacao-da-natureza/#respond
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Fundo Dema lança a III Chamada em Anapú, na luta por Justiça Ambiental na Amazônia
SOBRE OS PROJETOS SOCIOAMBIENTAIS
Os projetos apoiados devem ser agroecológicos e sustentáveis, de fortalecimento da agricultura familiar camponesa, comunidades quilombolas do campo e da floresta do Pará. Devem ser coletivos com, pelo menos, 6 famílias envolvidas.
Os projetos apoiados devem ser agroecológicos e sustentáveis, de fortalecimento da agricultura familiar camponesa, comunidades quilombolas do campo e da floresta do Pará. Devem ser coletivos com, pelo menos, 6 famílias envolvidas.
Serão apoiados projetos de até 30 mil Reais para associações comunitárias sem finalidade econômica ou lucrativa, legalmente constituídas há, no mínimo, dois anos, que promovam o desenvolvimento sustentável. Também poderão receber recursos Cooperativas de produção ou comercialização a partir da produção familiar e comunitária.
ÁREA
|
TEMÁTICA
PRIORITÁRIA
|
I - Manejo florestal comunitário
sustentável
|
- Capacitação
- Elaboração e/ou Execução de Planos de
Manejo Florestal Comunitário Madeireiro e/ou Não Madeireiro.
|
II - Atividades econômicas desenvolvidas a
partir do uso sustentável da floresta – valorização da floresta em pé
|
- Capacitação para o uso e beneficiamento
de produtos florestais.
- Agregação de valor e comercialização de
Produtos Florestais e Agroflorestais.
|
III - Conservação e uso sustentável da
biodiversidade
|
- Capacitação em proteção e uso sustentável
da biodiversidade.
- Capacitação em gestão do território.
- Gestão da propriedade e do território.
- Elaboração e Execução de Planos de Uso
Comunitário de Recursos Naturais.
- Elaboração e/ou Execução de Planos de
Utilização de Assentamentos Agroflorestais e/ou de Unidades de Conservação de
Uso Sustentável.
|
IV - Recuperação de áreas degradadas
|
- Capacitação em recuperação de áreas degradadas
e em uso múltiplo.
- Sistemas Agroflorestais (SAFs) –
implementação e consolidação.
- Recuperação de áreas degradadas em
pequenas propriedades familiares, em assentamentos e em áreas protegidas de
uso coletivo (Unidades de Conservação de Uso Sustentável, Terras Indígenas e
Quilombos).
- Recuperação de Áreas de Preservação Permanente
(APPs) e de Reserva Legal.
|
V – Temas Transversais
|
- Acompanhamento do desenvolvimento
regional e seus impactos sobre o desmatamento e a degradação da floresta.
- Capacitação com vistas à contribuição em
ações de regularização fundiária de territórios tradicionais;
- Monitoramento e avaliação dos impactos de
projetos sobre o desmatamento e degradação da Floresta Amazônica.
|
Municípios beneficiados: Alenquer, Almerim, Altamira, Anapu, Aveiro, Belterra, Brasil Novo, Curuá, Gurupá, Itaituba, Jacareacanga, Medicilândia, Novo Progresso, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Prainha, Rurópolis, Santarém, São Félix do Xingu, Senador José Porfírio, Trairão, Uruará, Vitória do Xingu, Oriximiná, Faro, Terra Santa, Juruti, Óbidos, e Monte Alegre e nas áreas de atuação da MALUNGU, a coordenação de associações quilombolas do Pará.
Esta Chamada Pública é uma parceria entre a Federação de Órgãos Para Assistência Social e Educacional (FASE) e o Fundo Amazônia.
Esta Chamada Pública é uma parceria entre a Federação de Órgãos Para Assistência Social e Educacional (FASE) e o Fundo Amazônia.
Para saber mais, procure a Chamada Pública no site do Fundo Dema: www.fundodema.org.br
Coordenação: Matheus Otterloo
Secretaria: Marysol Sione Vinagre
End: FASE Amazônia - Rua Bernal do Couto, 1329, Umarizal
66055-080 Belém – PA
Tel.: (091) 4005 3751 Fax: (091) 4005 3750
E-mail: fundodema@fase-pa.org.br
Comunicação: fundodema@gmail.com
Secretaria: Marysol Sione Vinagre
End: FASE Amazônia - Rua Bernal do Couto, 1329, Umarizal
66055-080 Belém – PA
Tel.: (091) 4005 3751 Fax: (091) 4005 3750
E-mail: fundodema@fase-pa.org.br
Comunicação: fundodema@gmail.com
Cores da terra...
Educação do Campo - Download Gratuito!!!
Cartilha Cores da terra: Fazendo tinta com terra!
http://biowit.files.wordpress.com/2010/11/cartilha-cores-da-terra-150dpi-modificada.pdf
Cartilha Cores da terra: Fazendo tinta com terra!
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sábado, 1 de fevereiro de 2014
Índios da Amazônia: o último combate
Documentário francês legendado em português sobre as ameaças sofridas pelos indígenas Awá por causa da exploração ilegal de madeira que abastece o mercado internacional.
Enviado por Tania Pacheco - Combate ao Racismo Ambiental
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
Fortalecimento da agricultura familiar na Amazônia?
DOSSIÊ AMAZÔNIA - Jornal Le Monde Diplomatique Brasil
por Gerson Teixeira
| Sistema Agroflorestal no Trairão-PA de cacau, cupuaçu, babaçu e espécies florestais nativas da Amazônia. Foto:Vânia Carvalho |
As fantásticas oportunidades propiciadas pelas riquezas naturais da
Amazônia caíram como uma luva na agenda desenvolvimentista do governo central.
Nesse projeto, os agricultores familiares participam nas franjas, quando
integrados aos grandes empreendimentos capitalistas de agroenergias e
commodities agropecuárias
Entendemos como agricultores familiares na Amazônia aqueles com traços
sociais constitutivos do campesinato em seus termos clássicos, que mantêm
condutas econômicas por vezes influenciadas por fatores estranhos à
racionalidade capitalista, pautadas nas interações entre economia, tradições e
meio natural, com a dominância do trabalho da família no processo produtivo.
Eles são um amplo mosaico social de agricultores na Amazônia, internamente
diferenciados pelas origens e pelos graus de inserção nos mercados e de
integração com a natureza.
O último Censo Agropecuário do IBGE, de 2006, identificou cerca de 700
mil estabelecimentos familiares (86% do total) ocupando uma área de 25,4
milhões de hectares (22% da área total dos estabelecimentos). Os
estabelecimentos familiares na Amazônia correspondiam naquela data a 16% e 32%,
respectivamente, do número e área dos estabelecimentos familiares do Brasil.
Admite-se que esses agricultores resistem, sobrevivem, residualmente
prosperem, num ambiente de gigantescos e seculares contrastes e iniquidades,
não superados até a presente data; pelo contrário.De um lado, convivem em um
ambiente de fabulosas riquezas naturais distribuídas num vasto território de
514 milhões de hectares. De outro, enfrentam cada vez mais restrições ao acesso
a essas riquezas, incluindo a terra.
Particularmente desde meados da década passada,a Amazônia passou a ser
alvo de vultosos fluxos de capital,produtivo e especulativo,atraídos pelas
potencialidades da região no suprimento dos aquecidos mercados de commodities agropecuárias, florestais,e minerais.
O impulso predatório da expansão desses empreendimentos associado aos
vazamentos da renda líquida regional típicos dos ciclos econômicos do passado
seriam enfrentados: (i) pela consolidação da democracia no país com
desdobramentos no fortalecimento da consciência ambiental; e (ii) pelo papel estratégico
internacionalmente creditado à floresta amazônica para o enfrentamento
dos desafios sistêmicos globais. Incluem-se nesses desafios: o quadro das
mudanças climáticas, a preservação da biodiversidade e, de modo subjacente, a
funcionalidade da região aos esforços pela garantia da segurança alimentar.
Esses argumentos não impediram a prevalência da agenda do
neodesenvolvimentismo em curso, o que tem resultado na expansão acelerada dos
grandes projetos agropecuários, florestais e minerais, para o que colabora
enormemente o quadro de frouxidão regulatória em torno da ocupação territorial
pelo agronegócio,como atestam a recente aprovação do novo Código Florestal e a
persistência da inexistência prática de limites e controles na posse da terra
por pessoas estrangeiras.
A Amazônia também foi definida como a grande fronteira energética do país com base na hidreletricidade. Os profundos impactos negativos desses projetos nos planos ambiental, social, econômico e cultural desarticulam vastos segmentos da agricultura familiar e outros grupos sociais sensíveis.
Mesmo ações recentes de proteção ambiental, como cotas de reserva legal
e títulos de carbono, se destacam muito mais por constituírem ativos de
atrativos mercados com repercussões de monta sobre a estrutura fundiária e
sobre o controle pelo capital externo dos recursos naturais de modo geral.
As fantásticas oportunidades propiciadas pelas riquezas naturais da Amazônia, nos planos interno e externo, caíram como uma luva na agenda desenvolvimentista do governo central. Nesse projeto, os agricultores familiares participam nas franjas, quando integrados aos grandes empreendimentos capitalistas de agroenergias e commodities agropecuárias.
Nas circunstâncias recentes de restauração e consolidação da democracia, não caberia mais a escala das permissividades do projeto levado a cabo no passado, em especial pelos governos militares com a Operação Amazônia da década de 1970. Mas as bases e a ambição do atual projeto de integração profunda da Amazônia à economia global nem de longe encontram similares na história da Amazônia desde as políticas de integração.
Em termos sintéticos, a dimensão rural da estratégia regional busca,
entre outros pontos, a segurança jurídica na posse da terra para os
empreendimentos capitalistas, o que vem sendo perseguido com o Programa Terra
Legal (Lei n.11.952/2009), em que pese sua versão final menos ousada em relação
à proposta original graças às ações dos movimentos sociais. Consta que está em
estudo no governo a recuperação do texto original. Pretende-se também a
flexibilização da legislação ambiental, o que em grande parte foi obtido com a
aprovação do novo Código Florestal.
Para ampliar a competitividade nos mercados asiáticos das commodities há a convergência das obras rodoviárias do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) com as da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura
Regional Sul-Americana(IIRSA), para possibilitar a saída pelo Pacífico,
principalmente via Peru.
Abandono da produção dos alimentos básicos
Sob esse forte cerco do capital pelo controle da floresta e do carbono,
da água, dos minérios; enfim, do território, deve ser feita a reflexão sobre o
eventual fortalecimento da agricultura familiar na Amazônia.
Na região Norte, o Censo Agropecuário de 2006 revelou indicadores
socioeconômicos da agricultura de base familiar na Amazônia que suplantavam os
da agricultura não familiar. Em 2006, o valor das receitas obtidas pelos
estabelecimentos agropecuários com produtos vegetais (Norte) foi de R$ 3
bilhões. Desse total, a agricultura familiar participou com 60%.
Do conjunto das atividades agrícolas e não agrícolas processadas no
interior dos estabelecimentos agropecuários da região Norte, a agricultura
familiar, no quesito geração de renda, só não liderou na atividade do turismo rural.
Tomando toda a Amazônia Legal, os estabelecimentos familiares respondiam por
82% do total de 3 milhões de pessoas ocupadas na atividade agropecuária
regional. No Brasil, essa proporção em 2006 foi de 74%.
Em aparente contraste com as adversidades da realidade antes descrita,
as políticas de transferência de renda e de fomento produtivo, notadamente o
crédito e as compras institucionais, colocadas em práticas desde 2003,
tenderiam a amenizar o severo quadro que pressiona a agricultura familiar na
Amazônia. Na verdade, se apresentam como contrapartida para a miniaturização do
programa de reforma agrária em nome da garantia da governabilidade.
Quanto ao fomento produtivo, a oferta de recursos para o crédito rural
na Amazônia aumentou de forma expressiva. De acordo com o Banco Central, em
2002 os financiamentos para os agricultores familiares na Amazônia via Programa
Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) envolveram 73 mil
contratos e o valor de R$ 280 milhões. Em 2012, o número de contratos saltou
para 184 mil, mobilizando R$ 2 bilhões. Foram desenvolvidos mercados
institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa
Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que têm crescido de forma continuada,
em que pese suas escalas relativamente ainda pouco significativas vis-à-vis o universo dos agricultores familiares na Amazônia. Junto com
outras ações federais na área da comercialização e da recuperação dos serviços
de assistência técnica, tais medidas geram impactos positivos na economia
camponesa em geral.
Contudo, ante a impossibilidade de uma avaliação mais consistente da
evolução recente da economia agrícola de base familiar, é possível pinçar
alguns indícios preocupantes, de cunho qualitativo.
Primeiro, cumpre destacar, no caso do financiamento produtivo, que ele
tem atendido também a demandas de empresários que não se enquadram no critério
de pertencer à agricultura familiar. O potencial econômico degenerativo do
elevado grau do endividamento desses agricultores junto ao Fundo Constitucional
de Financiamento do Norte (FNO) vem sendo administrado por medidas de
repactuações sucessivas. Os dados mais recentes (out. 2011) mostram que, na
área de abrangência do FNO, o saldo das dívidas rurais alcançava R$ 19,5
bilhões, dos quais mais de R$ 13 bilhões já haviam sido lançados como prejuízo
de acordo com dados do Ministério da Fazenda.
Segundo, a exemplo do fenômeno observado no plano nacional, o crédito,
incluindo o programa Mais Alimentos, que financia máquinas, está concebido para
servir de vetor do processo de modernização conservadora da agricultura
familiar na Amazônia.
Há a indução da replicagem, no universo ainda não “modernizado” desse
segmento, dos padrões de organização e gestão da agricultura do agronegócio, o
que passa pela disseminação da matriz tecnológica da “revolução verde”. É a
modernização conservadora tardia da agricultura familiar.
O que reputo particularmente preocupante do resultado desse esforço de
enquadramento da economia camponesa na região à dinâmica do agronegócio tem
sido o progressivo abandono, por essas pequenas unidades produtivas, da
produção dos alimentos básicos da dieta da população. Exceto na área amazônica
do Maranhão, o número de contratos de custeio de arroz, feijão e mandioca na
região, com recursos do Pronaf, declinou 57% de 2002 para 2012, conforme dados
do Banco Central.
Uma tendência está estabelecida: o enfraquecimento do protagonismo desse
segmento na produção de alimentos básicos, o que desde sempre tem sido o
atributo político distintivo do papel social da agricultura familiar. Trata-se
de um processo que se manifesta em nível nacional, o que explica a pressão dos
preços dos alimentos no atual repique do processo inflacionário no Brasil.
Gerson Teixeira
Presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra).
http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1563sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Desmatamento volta a crescer na Amazônia em 28%, quase 6 Mil km² de florestas desapareceram em 2013
O desmatamento volta a crescer na Amazônia de 2012 a 2013.
A projeção do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) é de 28%. Foram desmatados quase 6 Mil km² em 2013.
Os estados com maior crescimento do desmatamento são Mato Grosso (52%), Roraima (49%), Maranhão (42%) e Pará (37%).
O Pará foi o campeão do desmatamento na Amazônia, seguido do Mato Grosso, Rondônia e Maranhão.
Os dados permitem observar o desmatamento por município.
No Pará a expansão do desmatamento se concentrou nos municípios do oeste paraense. Altamira, São Félix do Xingu, Novo Repartimento, Itaituba, Placas, Novo Progresso, Anapú, vem sofrendo as maiores taxas de desmatamento.
Saiba mais sobre o Projeto PRODES, de MONITORAMENTO DA FLORESTA AMAZÔNICA BRASILEIRA POR SATÉLITE.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Assustador: modificações na Terra em 30 anos, o desmatamento predomina
Google publica evolução das alterações na Terra de 2004 a 2012.
São quase 30 anos de avanço do desmatamento na Amazônia com a pecuária, monoculturas, mineração, exploração madeireira entre outros.
O crescimento das cidades e a diminuição de geleiras e lagos é assustador.
Espere carregar e amplie para seu estado e município.
Como será daqui a 30 anos?Veja Aqui:Google




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Cartilha Cores da terra: Fazendo tinta com terra!
http://biowit.files.wordpress.com/2010/11/cartilha-cores-da-terra-150dpi-modificada.pdf](https://fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/t1/s403x403/1904261_364343517039104_296909565_n.jpg)


