sábado, 12 de janeiro de 2013

guaraná, melíponas, quelônios, pau rosa.....Por isso amamos esse Povo!!!!


Experiencia indígena dos Sateré-Mawé . Por isso amamos esse Povo!!!!!
Enviado por Tania Pacheco

VALE A PENA VER DE NOVO!!! Aumento da obesidade, produção alimentícia e uso de agrotóxicos preocupa CONSEA



Publicado em 19/04/2012
Na cerimônia de posse dos novos integrantes do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), a antropóloga Maria Emília Pacheco, que assumiu a presidência do colegiado, criticou os agrotóxicos e os alimentos transgênicos. "O caminho percorrido historicamente pelo Brasil, com seu modelo atual de produção, nos levou ao lugar do qual não nos orgulhamos - de maior consumidor de agrotóxicos no mundo e uma das maiores áreas de plantação de transgênicos", disse ela em discurso de posse na última terça-feira.


Maria Emília também demonstrou preocupação com o crescente aumento da população obesa no Brasil. "A obesidade não é resultado de uma escolha individual pelo consumo dos alimentos. O contexto que temos hoje é de uma crescente padronização dos hábitos alimentares e de um excessivo consumo de alimentos processados assim como temos, lamentavelmente, um processo de contaminação dos alimentos por agrotóxicos. Isso é decorrente do modelo de produção e consumo que o Brasil tem adotado historicamente. Por isso, entendemos que precisamos de mudanças estruturadoras que reorientem as macro políticas. E uma delas é a busca de um modelo alternativo de produção que afirmamos ser o caminho com a agroecologia", argumentou.



A nova presidenta do Consea, que é antropóloga, lembrou que existe um Plano Nacional de Prevenção da Obesidade e que irá trabalhar nele. Ela destacou ainda a importância de políticas que trabalhem na preservação da diversidade alimentar e que o papel do Conselho é articular ações que agregam o trabalho de vários ministérios, para que haja avanço da segurança alimentar no Brasil.

10 coisas que você precisa saber sobre a fome em 2013


Foto: Programa Mundial de Alimentos, da ONU
Foto: Programa Mundial de Alimentos, da ONU


Lista compilada pelo Programa Mundial de Alimentos, da ONU, sugere que a fome é o maior problema solucionável do mundo.
As Nações Unidas publicaram, nesta quarta-feira, uma lista sobre as 10 coisas que todos devem saber a respeito da fome neste novo ano.
Confira abaixo os tópicos compilados pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA:
1. O mundo tem cerca de 870 milhões de pessoas que não têm o necessário para comer para levar uma vida saúdável. Isto significa que uma em cada oito habitantes do globo vai para a cama, todos os dias, passando fome. (Fonte: FAO, 2012)
2. O número de pessoas vivendo com fome crônica baixou para 130 milhões nas últimas duas décadas. Nos países em desenvolvimento, a prevalência da má nutrição caiu de 23,2% para 14,9% no período de 1990-2010. (Fonte: FAO, 2012)
3. A maioria do progresso contra a fome foi alcançado antes de 2007/2008, quando ocorreu a crise econômica global. Desde então, os avanços na redução do problema foram desacelerados e estagnados. (Fonte: FAO, 2012)
4. A fome é o problema número 1 na lista dos 10 maiores riscos de saúde. Ela mata mais pessoas todos os anos que doenças como Aids, malária e tuberculose combinadas. (Fonte: Unaids, 2010. OMS, 2011)
5. A má nutrição está ligada a um terço da morte de crianças com menos de cinco anos nos países em desenvolvimento. (Fonte: Igme, 2011).
6. Os primeiros mil dias da vida de uma criança, da gravidez aos dois anos de idade, são fundamentais para o combate à má nutrição. Uma dieta apropriada, nesta época da vida, protege os menores de nanismos físico e mental, que podem resultar da má nutrição. (Fonte: Igme, 2011).
7. Custa apenas 25 centavos de dólar americano, por dia, para garantir que uma criança tenha acesso a todas os nutrientes e vitaminas necessários ao crescimento saudável. (Fonte: Igme, 2011)
8. Se mulheres, nas áreas rurais, tiverem o mesmo acesso à terra, à tecnologia, à educação, ao mercado e aos serviços financeiros que os homens têm, o número de pessoas com fome poderia diminuir entre 100 e 150 milhões. (Fonte: FAO, 2011)
9. Até 2050, as mudanças climáticas e os padrões irregulares da temperatura terão colocado mais 24 milhões de pessoas em situação de fome. Quase metade destas crianças estarão vivendo na África Subsaariana. (Fonte: PMA, 2009)
10. A fome é o maior problema solucionável do mundo.
Matéria de Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York, publicada pelo EcoDebate, 09/01/2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Questão sobre agrotóxicos em vestibular suscita reflexões sobre o tema



11 de janeiro de 2013

Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST

A segunda fase do vestibular da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), ocorrida do dia 6 a 8 de janeiro, teve em sua prova de História e Geografia uma questão pautando o tema dos agrotóxicos.
A questão (veja aqui), que foi baseada em um artigo da professora Larissa Bombardi sobre o tema, exigiu dos candidatos uma reflexão sobre como os agrotóxicos afetam a produção agrícola brasileira, o papel das empresas transnacionais na agricultura e seus impactos na natureza e na saúde humana. 
A reportagem procurou dois especialistas no assunto, que pudessem não só responder a questão pela ótica dos movimentos sociais, mas aprofundar o debate sobre o uso dos agrotóxicos no país.
Leia abaixo a pergunta, as respostas e comentários:
Considere as afirmações I, II e III.
I: Há dois elementos fundamentais na agricultura que a diferem da indústria: o primeiro deles é o tempo da natureza.
II: Em 2009, o Brasil alcançou o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos.
III: Ressalte-se que 92% da receita líquida gerada pelas indústrias fabricantes de agrotóxicos em 2010 ficaram com apenas seis grandes empresas de capital estrangeiro.
a) Analise a afirmação II, considerando a afirmação I.
b) Qual o processo a que se refere a afirmação III? Explique.
c) Indique dois impactos socioambientais decorrentes do uso de agrotóxicos.
Pergunta: Considere as afirmações I, II e III.

I: Há dois elementos fundamentais na agricultura que a diferem da indústria: o primeiro deles é o tempo da natureza.

II: Em 2009, o Brasil alcançou o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos.

III: Ressalte-se que 92% da receita líquida gerada pelas indústrias fabricantes de agrotóxicos em 2010 ficaram com apenas seis grandes empresas de capital estrangeiro.

a) Analise a afirmação II, considerando a afirmação I.
b) Qual o processo a que se refere a afirmação III? Explique.
c) Indique dois impactos socioambientais decorrentes do uso de agrotóxicos.
Respostas: 
Cléber Folgado - Dirigente Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Coordenador Operativo da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Resposta para questão A:
A afirmação de que em 2009 o Brasil alcançou o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos é errada: isso se deu, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola –Sindag, no ano de 2008, quando nosso país alcançou a marca dos 700 milhões de litros de agrotóxicos legalmente comercializados.
Na agricultura é importante considerar o tempo da natureza, e considerando o uso de agrotóxicos, tem-se construído um ciclo vicioso de uso de insumos químicos na agricultura, na medida em que os venenos são jogados nas lavouras, desequilíbrios ambientais são causados o que por sua vez gera a proliferação de “pragas” e a infertilidade da terra exigindo maior uso de insumos. Dessa forma para manter os níveis de produção são necessários mais insumos químicos que não resolvem o problema, apenas conseguem servir como medida paliativa, gerando assim o ciclo vicioso.
Em médio e longo prazos, essa relação de superexploração dos recursos naturais, em especial da terra, com base no uso de agrotóxicos, extrapola o limite e o tempo que a biodiversidade pode suportar. Dessa forma, seguir mantendo o uso de agrotóxicos significa gerar problemas irreversíveis na agricultura que afetarão não só o campo, mas toda indústria e a população em seu conjunto.
Resposta para a questão B:
A afirmação III se refere ao oligopólio existente na produção de agrotóxicos. Oligopólio é uma forma evoluída de monopólio, em que um grupo de empresas domina a oferta de um determinado tipo de produto ou serviço. No caso especifico, estamos falando do oligopólio existente na produção e comercialização de agrotóxicos.
Atualmente, apenas 6 empresas transnacionais controlam 67,8% de todo mercado mundial de agrotóxicos, são elas Basf, Bayer, Monsanto, Syngenta, Dow e DuPont. Esse mercado movimentou em 2011 mais de 8 bilhões de dólares.
Resposta para a questão C:
Um dos principais impactos socioambientais decorrentes do uso de agrotóxicos está relacionado aos problemas gerados na saúde da população, pois tanto produtores quanto consumidores estão sujeitos a doenças resultantes das contaminações crônicas ou agudas geradas pelos agrotóxicos.
Esse problema, além de afetar a saúde das pessoas, também atinge a economia: segundo pesquisa feita pelo economista do IBGE Wagner Soares, cada dólar gasto com a compra de agrotóxicos pode gerar o gasto para os cofres públicos de US$ 1,28 em tratamentos de saúde das pessoas contaminadas. Segundo o economista, esse valor é subestimado, pois sua pesquisa contabilizou apenas as intoxicações agudas. Vale lembrar que além da subnotificação das intoxicações agudas, as intoxicações crônicas são as que têm maior custo no tratamento.
Outro impacto que vale destacar é a contaminação da água, pois os agrotóxicos despejados nas lavouras penetram no solo e, além de contaminar a terra, atingem os lençóis freáticos - afetando assim animais, plantas e pessoas que se abastecem destas águas. Tais contaminações geram processos de metamorfoses nos animais e contaminações crônicas e agudas nas pessoas que se transformarão em doenças como câncer e outras.
Prof. Dr. Marco Antonio Mitidiero Junior - Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Comentário geral sobre questão dissertativa da FUVEST.
É interessante o fato de o Brasil alcançar o topo do ranking na utilização e consumo de agrotóxicos e a sociedade civil (o povo, o consumidor) não se manifestar a respeito deste triste “título” que o país leva. Em 2009, alcançamos o topo do ranking de envenenamento da produção de alimentos, utilizando aproximadamente 5,8 litros de agrotóxicos por habitantes, e essa questão não entrou efetivamente na agenda de debate em nenhuma das dimensões da vida social nacional. 
Incisivamente os movimentos sociais tentam colocar esse tema em pauta, mas o governo brasileiro, os políticos, os agentes econômicos e a mídia vedam os olhos frente o infeliz título. Diante desse contexto, a sociedade civil parece ora desconhecer, ora desmerecer um tema que vem trazendo inúmeros e gravíssimos impactos à saúde humana e ao ambiente natural.
Não é difícil encontrar as causas dessa paralisia da sociedade civil diante do envenenamento da vida. A articulação entre administradores públicos, representantes do povo no parlamento (os políticos) e agente econômicos (as multinacionais) dominam as ações públicas e privadas que garantem a livre circulação e a livre aplicação de agrotóxicos na agricultura. O fato de apenas 6 grandes empresas dominarem mais de 90% dos lucros obtidos com a venda de veneno para agricultura é o resultado mais claro dessa articulação. 
O monopólio da venda de veneno é o reflexo amargo de uma agricultura subordinada diretamente ao capital transnacional, sendo que para esse capital não pode haver barreiras ao seu desenvolvimento. Se agredir a saúde humana e a natureza for condição prévia para o desenvolvimento desse capital, que se agrida homens, mulheres e crianças e que destrua ambientes naturais!
São muitos e variados os impactos socioambientais decorrentes do uso de agrotóxico. Três deles, dentre muitos, vale ressaltar, deveriam alertar a sociedade civil dos impactos nefastos da utilização e consumo de venenos. O primeiro deles é a interferência direta no ciclo natural da reprodução dos cultivos e das espécies que se relacionam ao ambiente de plantação, em outras palavras, o uso de veneno mata todo o tipo de vida (insetos, gramíneas etc), exceto a plantação de determinada cultura, num dado ambiente onde é aplicado o veneno (estrategicamente chamado pelas multinacionais de “defensivo agrícola”).
Num fim último, o veneno tem a função de garantir a produção rápida, como se faz na indústria, da mercadoria cultivada. Tenta-se transformar a natureza, a terra cultivada, numa planta fabril, desrespeitando o tempo natural de crescimento das plantas e a vida que se relaciona a ela.
Um segundo impacto emerge diante de um crescimento exponencial da incidência de câncer na população brasileira. Existem inúmeras pesquisas realizadas por importantes institutos de pesquisas e renomados cientistas correlacionando o aparecimento de células cancerígenas ao consumo de agrotóxicos.
Por fim, um terceiro impacto que tem enorme significado ao debate sobre a garantia da vida humana são os efeitos do Glifossato, veneno de maior utilização nas lavouras brasileiras, ao homem do campo, ao produtor de alimento. Pesquisas mostram que o contato direto com o Glifosato, principalmente nos momentos de aplicação na plantação, atuam de forma destrutiva no órgão reprodutor masculino, podendo deixar o lavrador estéril.
Ou seja, o Glifossato é um tipo de agrotóxico que elimina a vida pela raiz.Dessa forma, urge que a sociedade civil levante para esse debate e que produza ações que visem transformar a produção agrícola no Brasil, direcionando a produção de alimento como garantia da reprodução da vida e não como se configura atualmente: aproximando-se da morte.
Fonte:http://www.mst.org.br/content/quest%C3%A3o-sobre-agrot%C3%B3xicos-em-vestibular-suscita-reflex%C3%B5es-sobre-o-tema

Facebook continua censurando usuários militantes com nome indígena. Que perseguição!!!


Repercussões da censura do Facebook a nomes indígenas!!!!



Usar nome "Guarani Kaiwoá" estaria sendo proibido pelo Facebook
Usuários afirmam que a rede social começou a exigir a retirada dos nomes indígenas dos perfis
Por Renan Hamann em 11 de Janeiro de 2013

Desde outubro de 2012, tornou-se comum encontrar usuários no Facebook que alteravam seus nomes na rede social para que o sobrenome mostrado fosse “Guarani Kaiwoá”. Isso aconteceu em manifestação a favor de indígenas que seriam expulsos de terras no Mato Grosso do Sul. Mas agora há relatos de que o Facebook estaria pedindo para que os usuários retirem o nome de seus perfis.
Ao contrário do que acontecia com o Orkut, o Facebook pede para que os usuários deixem seus nomes reais como principal forma de identificação — permitindo apenas apelidos que derivem diretamente dos nomes, como Edu, Beto ou Bia. Quem relatou o problema foi Vânia Carvalho do blog Portal de Agroecologia da Amazônia. Nos comentários, outros usuários relataram o mesmo que ela.

Facebook bloqueia uso de Guarani-Kaiowá no sobrenome de usuários
Membros da rede aderiram o nome indígena como forma de manifestar apoio à aldeia homônima, que em 2012 chamou atenção do público por luta contra fazendeiros
Desde segunda-feira (7/1), o Facebook passou a banir o uso do termo "Guarani-Kaiowá" no perfil dos usuários da rede. As informações são de Vânia Carvalho, um dos membros da rede que foi obrigada a apagar o nome alternativo do seu perfil, sob o risco de ter a conta suspensa.
"Me sentia feliz e orgulhosa em assinar o nome Vânia Carvalho Guarani Kaiowá Munduruku Awá no Facebook, uma forma de, publicamente, declarar o apoio aos Povos Indígenas, de demonstrar a indignação com o massacre diário que essas populações vem sofrendo", disse a usuária, em um post no blog Portal de Agroecologia da Amazônia. "O Facebook está impedindo as pessoas de permanecerem com sobrenomes indígenas, embora aceite nomes como 'bolinha', 'machão', 'fofinha'", completa.
Fonte:http://idgnow.uol.com.br/internet/2013/01/09/facebook-bloqueia-uso-de-guarani-kaiowa-no-sobrenome-de-usuarios/

Etnocentrismo no Facebook?




Internautas com perfis no Facebook que usam em seus nomes os termos Guarani Kaiowá são obrigados a retira-los com pena de perder seus perfis. Para começar os administradores do facebook alegam que o usuário deve utilizar o seu nome verdadeiro. Entretanto, até onde sei, o facebook não exige o RG ou qualquer documento de identificação legitima do usuário, logo como eles podem afirmar que não possuo em meu nome o Guarani Kaiowá? Seriam os administradores de tal rede portadores de poderes paranormais? Sem falar que vejo milhares de usuários utilizando pseudônimos e sobrenomes com o nome de suas empresas ou profissão e desde o começo do ano a rede social passou a dar "um limpa" em quem utiliza o nome da tribo de índio que exige o direito oficial às suas terras, desafiando os Senhores e Senhoras do Agronegócio.

BRASIL NÃO É QUINTAL DO FACEBOOK - http://paginatres.blogspot.com.br/

“Sou Vânia Carvalho Guarani Kaiowá Munduruku Awá”- No Blog http://racismoambiental.net.br/



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Monocultivos de dendê no Pará: Tembés denunciam contaminação por agrotóxicos, Vale e Petrobrás estão envolvidas


Foto:arquivo Ecodebate

- Brasil: A expansão acelerada do dendê na região amazônica
A área plantada no Brasil com dendê, ou palma africana, sempre foi relativamente pequena, comparada com outros países produtores na América Latina. No entanto, anúncios por parte de algumas das maiores transnacionais brasileiras, como a Vale e a Petrobrás, indicam uma expansão acelerada na região Amazônica, principalmente no estado do Pará, visando à produção de biodiesel.
A principal empresa, nas últimas décadas, a promover plantações monocultoras de dendê no estado de Pará, na Amazônia brasileira, é a brasileira Agropalma, atualmente com 39 mil hectares próprios de dendê e 10 mil hectares plantados em terras de agricultores. Esta empresa tem se dedicado, sobretudo, à produção de óleo de dendê para alimentos, cosméticos e produtos químicos. Até pouco tempo, a produção de biodiesel era considerada inviável. No entanto, transnacionais brasileiras estão entrando no ramo de plantações de dendê, mudando este quadro.
Um novo projeto está sendo desenvolvido pela empresa brasileira Vale, uma das maiores mineradoras do mundo. A Vale comprou uma fatia de 70% da empresa de plantação de dendê Biopalma em 2011. Enquanto, em 2009, a Biopalma tinha 5 mil hectares de plantio, atualmente já tem 50 mil hectares de dendê plantados. O projeto da Vale pretende expandir as plantações para alcançar 80 mil hectares, sendo 60 mil de plantio próprio e 20 mil de produção terceirizada, em terras de agricultores. Cerca de 600 famílias participam do projeto, segundo a Vale. A expectativa é chegar a uma produção anual de 500 mil toneladas de óleo até 2019.
O objetivo da Vale é produzir biodiesel como combustível para os trens da companhia, que transportam, sem parar, minério de ferro da região de Carajás para a zona costeira. De lá, a empresa exporta a matéria prima para os grandes mercados consumidores. Segundo a Vale, o projeto da Biopalma “contribuirá na matriz energética da Vale, de forma sustentável, renovável, contribuindo com a preservação ambiental”. Além disso, se trataria de um “positivo vetor social” e também uma forma de “geração de renda e fixação do homem do campo”. Segundo a Vale, o projeto reduziria também as emissões de carbono da empresa com o uso de biodiesel no lugar do diesel convencional.
Outra empresa transnacional que está investindo em dendê no Pará é a Petrobrás, a empresa estatal transnacional de petróleo do Brasil, uma das maiores das Américas. Um projeto pretende plantar, a partir de 2013, 24 mil hectares de dendê em terras de 1250 agricultores. Em outro projeto, a Petrobrás entrou em parceria com a multinacional de petróleo Galp Energia de Portugal, criando uma empresa chamada Belém Bioenergia. Serão plantados 50 mil hectares de dendê em parceria com 1000 agricultores. A produção esperada de 300 mil toneladas de óleo anual será exportada para Portugal, onde se implantará uma refinaria na cidade de Sines, para produzir o greendiesel, o “diesel verde”, a partir de 2015, visando abastecer os mercados de Portugal e Espanha.
A expansão exponencial do dendê no Brasil, que conta com o apoio decisivo do governo brasileiro, gera uma série de preocupações. Primeiramente, trata-se de um projeto que vem beneficiando duas empresas de grande porte, bem conhecidas por causar impactos graves nas regiões onde opera, seja a Vale com suas atividades de mineração, por exemplo, em Moçambique, seja a Petrobrás, impactando, por exemplo, a vida de pescadores no Brasil (veja boletim 180 – editorial). Em 2012, a Vale ganhou inclusive o ´Public Eye Award´, um “prêmio” internacional concedido à pior empresa do mundo em função de problemas sociais, ambientais e trabalhistas.
Além disso, o projeto de produção de biodiesel não é tão ´verde´ nem ´renovável´ quanto parece. No caso da Vale, o projeto prevê a substituição pelo biodiesel de apenas 20% do combustível dos trens da empresa, resultando em que 80% continuam sendo diesel convencional. Tudo isso para continuar mantendo um processo de extração de minério em larga escala para atender a um modelo de produção e consumo excessivo e insustentável de uma minoria da humanidade, o que a Vale não pretende mudar. Além disso, seu transporte ferroviário tem sido objeto de inúmeras denúncias por moradores locais que sofrem dos impactos.
Se, por um lado, a produção de dendê pode gerar benefícios para um grupo de agricultores familiares que o plantem e vendam as frutas para a Vale e/ou Petrobrás, por outro lado, esses mesmos agricultores entram numa relação de dependência com essas empresas, cedendo parte de suas terras, pequenas, para essas transnacionais por um período longo num esquema de monocultivo químico. Com isso, as empresas se apropriam cada vez mais de terras, num estado considerado o mais violento do Brasil em função dos graves conflitos agrários entre grandes proprietárias e famílias sem-terra, e da ausência de uma politica estrutural de reforma agrária por parte do governo federal.
Por fim, a apropriação de terras não se limita só a áreas de produção de dendê. A Vale, por exemplo, afirma que, para cada hectare que planta com dendê, preserva um hectare de mata nativa, e a plantação de dendê também estaria ´recuperando´ as terras. Mas vale lembrar que o compromisso de preservar a mata nativa não é nada mais do que cumprir a legislação brasileira e, para a empresa Vale, ter florestas representa outra oportunidade de lucrar, por exemplo, negociando carbono no mercado de “serviços ambientais”, que está sendo implementado às pressas no Brasil, em conjunto com uma série de revisões legislativas. como o conhecido código florestal, além de novas leis regulamentadoras sobre o assunto.

Apesar do discurso “verde”, a produção de dendê já tem gerado conflito, por exemplo, com o povo indígena tembé, que tem reclamado e sofrido com os impactos da contaminação, com agrotóxicos, de nascentes de água no seu território, resultante da aplicação de veneno nas áreas de dendê. Segundo um dos caciques da área: "pra nós o dendê não funciona, mas sim o arroz, o feijão, o frango e o peixe". Reclamaram também que "a guariba agora fica em silêncio porque a caça e a pesca estão acabando por causa do desmatamento e os bichos não têm onde se esconder fora da nossa área". Mas para a Vale e a Petrobrás, o dendê funciona muito bem, sendo uma nova fonte de negócio e lucro e, ainda por cima, “verde”.

- Agricultura familiar ganha com biodiesel do dendê. Valor Econômico (2012).http://www.abdi.com.br/Paginas/noticia_detalhe.aspx?i=1307 
- Biopalma chega a acordo com índios. Fonte:http://www.orm.com.br/projetos/oliberal/interna
/default.asp?modulo=247&codigo=591475

- Biodiesel: projeto biopalma. http://www.faap.br/cees/biodiesel/pdf/ivo_fouto.pdf

Fonte:MOVIMENTO MUNDIAL PELAS FLORESTAS TROPICAIS
http://www.wrm.org.uy/boletim/182/opiniao.html#8
Enviado por Guilherme Carvalho

Sou Vânia Carvalho Guarani Kaiowá Munduruku Awá



Me sentia feliz e orgulhosa em assinar o nome Vânia Carvalho Guarani Kaiowá Munduruku Awá no Facebook, uma forma de, publicamente, declarar o apoio aos Povos Indígenas, de demonstrar a indignação com o massacre diário que essas populações vem sofrendo. Uma forma de estar junto, de ampliar, além dos nossos "velhos emails", como diz Tania Pacheco, para nossos amigos e parentes que muitas vezes não tem acesso a informação de qualidade sobre a questão indígena no Brasil, bastante camuflada pela mídia. Quantas vezes choramos juntos os assassinatos de lideranças indígenas, envenenamento das fontes de água, jovens acuados e suicidas, mulheres estupradas...Embora estivéssemos isolados em nossas casas e escritórios. Um dia fiz uma pesquisa no Face e vi Guarani-Kaiowá em todas as cidades do Brasil, pequenas, médias e grandes cidades. Fiquei impressionada com o imenso apoio de milhares de pessoas se importando com uma cultura fundamental pra nós nesse momento de perigo concreto por que passa a humanidade pelo afastamento da natureza....temos que descobrir uma forma de juntar novamente essas pessoas pra aumentar nossa esperança pois desde ontem o Facebook está impedindo as pessoas de permanecerem com sobrenomes indígenas, embora aceite nomes como "bolinha", "machão", "fofinha"...
Quem quiser denunciar a retirada compulsória de seus nomes no Face pode mandar email para:denunciaguaranikaiowa@hotmail.com.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Chega de Ecocídio!!!!!!



Eradicating Ecocide

[EcoDebate] O Ecocídio é um crime que acontece contra as espécies animais e vegetais do Planeta. O Ecocídio acontece onde há extensos danos, destruição ou perda de ecossistemas. Tem acontecido no mundo em uma escala maciça e a cada dia está ficando pior. Exatamente por isto, cresce a consciência de que é preciso mudar o modelo de produção e consumo, interrompendo este processo que tem aumentado a destruição da vida na Terra. Para tanto, é preciso considerar o Ecocídio um crime contra a paz, um crime contra a natureza e um crime contra a humanidade e as gerações futuras.
O site “Eradicating Ecocide” (http://www.eradicatingecocide.com/) considera ser necessário a aprovação de uma lei internacional contra o Ecocídio para fazer com que os dirigentes de empresas e os chefes de Estado sejam legalmente responsáveis por proteger a Terra e as espécies não humanas. As pessoas com baixo padrão de consumo e o Planeta teriam que se tornar a prioridade número um da legislação nacional e internacional. O mundo já definiu o Genocídio como um crime, falta fazer o mesmo em relação ao Ecocídio.
As Conferências das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio/92 e a Rio + 20, buscou estabelecer metas vinculativas e acordos legais para combater uma série de crises sociais e ambientais na tentativa de alcançar um futuro sustentável.
Porém, a produção econômica do Planeta continuou a aumentar, ao mesmo tempo que continuam existindo cerca de um 900 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e sem acesso à energia elétrica. O fosso entre ricos e pobres continua elevado, embora exista um processo de convergência no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Mas o progresso da civilização tem acontecido ao mesmo tempo em que a destruição em massa dos ecosistemas da Terra se aprofundam em uma escala nunca vista antes na história.
O desmatamento da Amazônia ao longo de 30 anos, por exemplo, tem provocado danos irremediáveis. Outors ecossistemas também estão em perigo. Até 2050, podem ocorrer um percentual de 80% a 90% de extinção de espécies de mamíferos, aves e anfíbios e uma perda generalizada da vegetação.
Ao invés de leis garantindo prioritariamente o pagamento do lucro e dos juros do capital financeiro na ordem internacional é preciso criar uma legislação contra o ecocídio e contra os danos e a destruição em massa dos ecosistemas. Para alcançar o verdadeiro desenvolvimento sustentável é priciso garantir de forma explícita que o direito à vida não é privilégio da espécie humana.
Tornar o Ecocídio um crime é uma forma de tentar salvar o Planeta. A humanidade já avançou na abolição da escravatura, no fim do apartheid e na condenação do crime do genocídio. Agora é preciso tornar o imperativo moral tão importante quanto o imperativo econômico. O ecosistema deve estar no centro das preocupações e da legislação internacional no sentido de proteger a vida e a biodiversidade.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
EcoDebate, 31/10/2012

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A irresponsabilidade socioambiental do poder público


                                                      Leonardo Boff

Em meados de janeiro de 2011 publiquei um artigo sobre a necessidade da responsabilidade socioambiental por parte do poder público como já existe  a responsabilidade fiscal, que funciona relativamente bem. Era em função do tsunami que se abateu sobre as cidades serranas de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis com cerca de 900 mortos e mais de 25 mil desabrigados: gente que perdeu familiares, as casas e pertences.
Passados dois anos, somente agora começou-se a construir algumas casas. Com indignação o digo: houve irresponsabilidade e desumanidade do poder público em vários níveis. Como se trata de gente do povo, a maioria pobre, socialmente não contam. Seu sofrimento não é sentido e respeitado. Ouvi de políticos a justificativa: “os pobres sabem se defender como sempre, eles se viram, é só esperar.”
Contra esse crime de lesa-humanidade e de total falta de sentido de solidariedade, precisamos nos indignar e protestar . E dá vontade de realizar o que um dia o bispo de 84 anos, muito doente, pastor, profeta e poeta, ameaçado de morte, em São Felix do Araguaia MT sugeriu: deveríamos  reunir crianças, poetas e loucos (pois esses Deus ouve) para amaldiçoar os responsáveis pela perpetuação da desgraça das vítimas.
Nestes inícios de janeiro do corrente ano assistimos outro tsunami em Xerém, no município de Caxias, logo no início da estrada que sobre para Petrópolis. A cabeça d’agua ocorrida no topo do morro, inundou o pequeno rio, criou uma onda de água, pedra, troncos e lama que arrasou casas, ceifou vidas e deixou centenas de desabrigados. Algo semelhante ocorreu em Angra dos Reis, e em menor escala em Petrópolis.
Mais que o poder político foi um cantor popular e artista Zeca Pagodinho que mantem casa e escola em Xerém que mais mobilizou a solidariedade das pessoas. Sabemos que o poder público só funciona como panela de pressão: só colocado sob pressão permanente, insistindo,  cobrando, chateando, incomodando, como a viúva da Bíblia, que ele abandona sua inércia  e deixa de usar os álibis da burocracia e começa a fazer alguma coisa. Assim deverá ser feito agora, caso contrário, assistiremos o mesmo drama pelo qual estão passando as cidades serranas.
O acúmulo de desastres socioambientais ocorridos nos últimos tempos, com desabamentos de encostas, enchentes avassaladoras e centenas de vítimas fatais junto com a destruição de inteiras paisagens, nos obrigam a pensar na instauração  de uma lei nacional de responsabilidade sócio-ambiental, como existe a lei de responsabilidade social, com pesadas penas para os que não a respeitarem.
Já se deu um passo com a consciência da responsabilidade social das empresas. Elas não podem pensar somente em si mesmas e nos lucros de seus acionistas. Devem assumir uma clara responsabilidade social.
Mas fique claro: responsabilidade social não é a mesma coisa que obrigação social prevista em lei quanto ao pagamento dos impostos, dos encargos e dos salários; nem pode ser confundida com a resposta social que é a capacidade das empresas  de criativamente se adequarem às mudanças no campo social, econômico e técnico. A responsabilidade social é a obrigação que as  empresas assumem de buscar metas que, a meio e longo prazo, sejam boas para elas e também  para o conjunto da sociedade na qual estão inseridas.
Não se trata de fazer para a sociedade o que seria filantropia, mas com a sociedade, se envolvendo nos projetos elaborados em comum  com os municípios, ONGs e outras entidades.
Mas sejamos realistas: num regime neoliberal como o nosso,  sempre que os negócios não são tão rentáveis, diminui ou até desaparece a responsabilidade social. O maior inimigo da responsabilidade social é o capital especulativo. Seu objetivo é maximizar os lucros das carteiras que controlam. Não vêem outra responsabilidade, senão a de garantir ganhos.
Mas a responsabilidade social é insuficiente, pois ela não inclui o ambiental. São poucos os que perceberam a relação do social com o ambiental. Ela é intrínseca. Todas empresas e cada um de nós vivemos no chão, não nas nuvens: respiramos, comemos, bebemos, pisamos os solos, estamos expostos à mudanças dos climas, mergulhados na natureza com sua biodiversidade, somos habitados por bilhões de bactérias e outros microorganismos. Quer dizer, estamos dentro da natureza e somos parte dela. Ela pode viver sem nós como o fez por bilhões de anos. Nós não podemos viver sem ela. Portanto, o social sem o ambiental é irreal. Ambos vêm  sempre juntos. Esta foi a grande tônica na Cúpula dos Povos no Rio em julho de 2012.
Isso que parece óbvio, não o é para a grande parte das pessoas. Por que tratamos a natureza como externalidade, quer dizer, aquilo não entra no cômputo dos negócios? A razão reside no fato de que somos todos antropocêntricos, isto é: pensamos apenas em nós próprios. A natureza é exterior como se não fôssemos parte dela. Por isso a super-exploramos.
Somos irresponsáveis face à natureza quando desmatamos, jogamos bilhões e litros de agrotóxicos no solo, lançamos na atmosfera, anualmente, cerca de 30 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, contaminamos as águas, destruímos a mata ciliar, não respeitamos o declive das montanhas que podem desmoronar e matar pessoas nem observamos o curso dos rios com as margens que eles precisam, que nas enchentes podem levar tudo de roldão.
Não interiorizamos o fato de que cada ser e a Terra possuem valor intrínseco e por isso tem direitos. Nossa democracia não pode incluir apenas os seres humanos. Sem os outros membros da comunidade de vida, os animais, as plantas, os rios, os micro-organismos do solo, não somos nada. Eles valem como novos cidadãos que devem ser incorporados na nossa compreensão de democracia que então será uma democracia socioambiental. A natureza e as coisas dão-nos sinais. Elas nos chamam atenção para os eventuais riscos que podemos evitar.
Não basta a responsabilidade social, ela deve ser socioambiental. É urgente que o Parlamento cresça em consciência ecológica, desperte para a nova visão da relação homem-natureza-Terra e vote uma lei de responsabilidade socioambiental, imposta a todos os gestores da coisa pública. Só assim evitaremos tragédias e mortes como as ocorridas agora em Xerém, em Petrópolis e Angra dos Reis.
Leonardo Boff é ecoteólogo e um dos redatores da Carta da Terra.
http://leonardoboff.wordpress.com/2013/01/04/a-irresponsabilidade-socioambiental-do-poder-publico/

O submundo dos agrotóxicos


IMAGEM DE DESTAQUE
Recentemente, um escândalo envolvendo irregularidades na liberação de agrotóxicos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi parar nos jornais. O inseticida Diamante BR, da Ourofino Agronegócios, usado na lavoura de cana-de-açúcar, e o fungicida Locker, da FMC Química do Brasil, usado no plantio de soja, chegaram ao mercado sem passar pela avaliação obrigatória da agência reguladora antes de o produto ser registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Além desses, mais cinco produtos foram considerados irregulares. O caso é grave, já que a Anvisa é a responsável por impedir que produtos perigosos à saúde humana sejam comercializados e, consequentemente, cheguem à mesa dos brasileiros.

O Idec tem acompanhado esse caso com atenção, já que o uso de agrotóxicos faz parte de sua pauta de trabalho. Para tentar entender melhor essa história, a REVISTA DO IDEC entrevistou uma peça-chave: o ex-gerente geral de toxicologia, Luiz Cláudio Meirelles, que denunciou irregularidades do órgão. Pouco tempo depois, ele foi exonerado do cargo de confiança que ocupou por quase 13 anos.

Em 20 de dezembro, ele volta a integrar a equipe da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que o cedeu à Anvisa em 1999. Até lá, está de férias no Rio de Janeiro (RJ), de onde respondeu, por telefone, as perguntas do Idec

Idec: Você pode relatar o que aconteceu no caso de sua exoneração da Anvisa?
LUIZ CLÁUDIO MEIRELLES: Vou começar pelo final. A justificativa da Anvisa para a minha exoneração foi que eu não obedeci as regras para o encaminhamento das irregularidades que identifiquei e para o pedido de exoneração do gerente geral da Gavri (Gerência de Avaliação de Riscos), além do fato de o MPF (Ministério Público Federal) ter tomado conhecimento do caso antes de ele ter sido apurado. Eu discordei da justificativa, porque ela está muito aquém do que pode estar por trás disso tudo. Se eu perdi a confiança numa pessoa que é subordinada a mim, eu precisava tomar uma decisão. E, em relação ao MPF, eu não encaminhei nada a eles. Eu era um gestor técnico, detectei um problema, o documentei e encaminhei para os departamentos competentes, respeitando a hierarquia interna.

Posteriormente, a Anvisa me acusou de já ter conhecimento de que o gerente da Gavri era um problema. Eu refutei essa afirmação, porque ele gozava da minha confiança, assim como do supervisor, dos outros gerentes e do diretor. E assim que eu descobri coisas erradas, pedi que fosse exonerado. Mas fui surpreendido com a minha exoneração.

Irregularidades podem acontecer. O problema é usar o episódio para destruir o trabalho da gerência e desregulamentar o setor.

A reação à minha exoneração não foi só minha, envolveu mais gente, porque há algum tempo a gente vem levantando questões nessa área de agrotóxicos que estão sendo muito difíceis de conduzir. A proibição do metamidofós, por exemplo, gerou uma série de reações. Foram parlamentares cobrando da Anvisa e tentando derrubar a RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) que proibiu a substância. Vinha sendo assim sistematicamente. Nós respondíamos várias coisas para garantir aquilo que é o nosso papel: retirar os produtos mais tóxicos do mercado e não dar registro para os que são perigosos. Mas a pressão vinha sendo muito grande.

Historicamente dentro da Anvisa, sempre fomos muito pressionados, o meu cargo sempre foi muito pedido por deputados. Teve um tempo em que a senadora Kátia Abreu [PSD-TO] foi para o Congresso falar mal da Anvisa. Nós entramos com representação contra ela, passamos por auditoria dentro da gerência. Mas continuamos tocando o trabalho como tem de ser. Implantamos um programa de resíduo que também foi muito combatido [PARA - Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos]. Não queriam que os dados fossem divulgados, pois isso causava problemas de produção. Então, ao longo dos anos, foi muita pressão. Acho que nos últimos dois anos houve um aumento de questionamento por parte da sociedade civil, levantamento junto à Câmara, filmes veiculados como O Veneno Está na Mesa, do Sílvio Tendler. Isso também está relacionado a uma reação.

Outra fato é que se está fechando uma norma que pode apertar os critérios de avaliação e classificação toxicológica. Houve muita reação a essa norma, que é a revisão da Portaria 3. Se os critérios para definir se um produto causa câncer ou não for muito flexível ou mais rígido, isso poderá representar melhores ou piores resíduos na sua mesa. Resíduo melhor não tem, mas pode ter resíduos de produtos mais ou menos perigosos na sua dieta. Um ponto importante sobre a Anvisa precisa ser pensado: o cliente da Anvisa nunca foi a empresa, muito menos quem usa aquele produto na produção. É o consumidor quem tem de ser o cliente da instituição. Uma norma que fala de avaliação toxicológica de um produto é de interesse principalmente dos consumidores de alimentos porque essa norma interfere justamente nos critérios que definem se um produto é ou não carcinogênico (tem potencial cancerígeno). Se uma norma como essa é muito flexível, o nossa salada terá mais produtos que podem causar câncer, causar alterações embrionárias etc. Essa norma vinha sendo alvo de muita pressão.

Idec: Mais alguém de fora, além do MPF, sabia das denúncias?
LCM: Não sabia, mas na medida em que eu fui apurando os fatos, cancelei o ato administrativo que colocava aqueles produtos no mercado, e isso também gerou indagações. E para as empresas que pediram audiência, eu tive de informar que algumas irregularidades tinham sido encontradas e que elas estavam sendo encaminhadas para que a autoridade competente investigasse.

A razão de ser da Anvisa em relação aos agrotóxicos é fazer a avaliação toxicológica. Se um produto é liberado sem essa avaliação, é preciso cancelar o ato administrativo e começar tudo de novo. Por isso eu cancelei todos os produtos irregulares e comuniquei o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Isso gerou uma reação, principalmente de quem achava que estava tudo resolvido com o seu produto, só que não estava, porque o processo de liberação não tinha sido feito da maneira correta.

Idec: Dá para se ter uma ideia de quando essas irregularidades começaram a ocorrer e de quantos produtos estão envolvidos?
LCM: Eu identifiquei as primeiras irregularidades em meados de agosto, mas teve produto que foi liberado em dezembro do ano passado. A maior parte se concentrou no primeiro semestre deste ano. Foram sete produtos. Pode ser que uma auditoria mostre mais, mas não será uma busca fácil.

Idec: E você acha que vâo aparecer mais produtos?
LCM: Pode ser que sim. Espero que a avaliação descubra se existem outros para que o registro possa ser cancelado até que eles sejam regularizados. Não é algo que se descubra facilmente porque, às vezes, a documentação do produto está toda bonitinha. É preciso ver quem fez a nota técnica e se ela foi feita corretamente. Felizmente, nesse primeiro momento, encontramos um número pequeno de empresas e produtos irregulares se compararmos com o número total.

Idec: E você já havia solicitado, no passado, investigação sobre outras liberações irregulares?
LCM: Foi a primeira vez que eu detectei irregularidades em relação à avaliação toxicológica e a liberação de produtos formulados. Passamos por auditoria em 2008 e eu nunca desconfiei de que algo errado pudesse estar acontecendo. Esse é o tipo da coisa que você descobre de repente.
Fonte:http://www.idec.org.br/em-acao/revista/consulta-so-para-marco/materia/o-submundo-dos-agrotoxicos
Enviado por Vera Pessoa