sábado, 22 de dezembro de 2012

Desejo a todas que permaneça nossa capacidade de se indignar e se unir para seguirmos lutando por um mundo melhor e conquistando vitórias!!!!

Mulheres do Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense(MMNEPA) preparando a área para  produção agroecológica
Manifestação no Dia Internacional da Mulher em Santarém-Pará, 2005


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O futuro da humanidade

por Silvio Caccia Bava


ENTREVISTA

Para o sociólogo e filósofo Edgar Morin, veterano da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra, transformações invisíveis que acontecem neste momento em nossa sociedade escondem as sementes da construção do improvável. “Entre a desilusão e o encantamento existe uma via que é a da vontade e da esperança”, anuncia.
Edgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum, nasceu em Paris, em 8 de julho de 1921. Fez seus estudos universitários em História, Sociologia, Economia e Filosofia. Licenciou-se em História, Geografia e Direito. Durante a Segunda Guerra Mundial, participou ativamente da Resistência Francesa. É diretor de pesquisa emérito do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês). Em 1991, tornou-se codiretor do Centro de Estudos Transdisciplinares de Sociologia, Antropologia e História (Cetsah) − tutelado pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e pelo CNRS −, que em 2008 passou a se chamar Centro Edgar Morin. Doutor honoris causa por mais de trinta universidades e premiado internacionalmente, durante vinte anos Morin consagrou-se à pesquisa de um método apto a encarar o desafio da complexidade que se impõe na contemporaneidade não apenas ao conhecimento científico, mas também aos problemas humanos, sociais e políticos. Essa pesquisa culmina com a proposta de uma reforma do pensamento apresentada por meio de seus livros divididos em macrotemas. Com mais de 60 livros publicados, destacam-se O método, em seis volumes, Ciência com consciência,Introdução ao pensamento complexo e Os sete saberes necessários para uma educação do futuro.
LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL– O senhor tem o costume de dizer que não sabe sobre o futuro. Mas, em um de seus diários, o senhor diz que está pessimista com o futuro, o futuro da humanidade, e que as probabilidades não são boas − por isso mesmo é necessário acreditar nas improbabilidades. Essa é uma questão muito importante, porque as improbabilidades acontecem em contextos históricos. Como nós pudemos ver na Primavera Árabe, as revoluções não conseguem garantir novos governos democráticos e populares. Para que surgissem governos democráticos e populares em alguns países da América Latina, movimentos sociais e redes de cidadania construídas ao longo de mais de trinta anos atuaram de maneira muito importante. Um mundo em transformação requer um projeto de transformação e uma rede de sustentação social e política desse projeto. E nós sabemos que o novo não nasce do nada, nasce de mudanças qualitativas, de saltos às vezes imprevisíveis que apontam um sentido comum, mas que partem da realidade atual. Isso também coloca a questão de um programa de transição. Mas, mais do que tudo, coloca a questão de quem serão esses novos atores que vão operar essas mudanças.
EDGAR MORIN – Em primeiro lugar, é preciso definir o que é probabilidade. Para um observador situado em um lugar e em um tempo dados, o conhecimento do processo histórico no qual se encontra é o que lhe permite projetar o futuro. Se hoje projetamos o futuro, o que vemos? Vemos a proliferação dos artefatos nucleares, a degradação da biosfera, uma economia cada vez mais em crise, o crescimento da desigualdade, toda uma série de desastres. Há também alguns processos positivos, mas eles permanecem invisíveis ou são pontuais. O improvável já ocorreu na história da humanidade. O provável não é definido, permanece incerto. Nós podemos observá-lo em diferentes épocas da história. Eu o vi em 1941, quando havia uma grande probabilidade de dominação nazista por toda a Europa. Os soviéticos, com a defesa de Moscou, e os japoneses, bombardeando Pearl Harbor, o que forçou a entrada dos Estados Unidos na guerra, fizeram as probabilidades mudar. Isso para dizer que, quando as probabilidades são negativas, eu não fico desesperado, eu me ponho em defesa de um programa.
Não acredito que se deva pensar em um projeto de sociedade; é necessário, sim, indicar um caminho. É essa a dificuldade. Quanto ao programa de transição, que conheci através de Trotsky, bem, não acredito em programas, mas em estratégias. É que um programa já está determinado antes mesmo da caminhada, e o caminho é uma corrente que vai no sentido favorável. Vamos avaliar a situação: será que podemos mudar o caminho? Aparentemente não.
Ao longo da história, podemos identificar que ocorreram mudanças de caminho a partir de acontecimentos isolados, menores, invisíveis, como as mensagens de Buda, de Jesus, de Maomé, ou mesmo o socialismo, que no século XIX tinha Marx, tinha Proudhon, que difundiram ideias que dezenas de anos depois se transformaram em forças muito importantes, gerando tanto a social-democracia como o comunismo. Portanto, sempre houve um início modesto das novas forças. Podemos recorrer à velha noção de história, que caminha também por seus canais subterrâneos, que sempre está em movimento, que o presente não está imóvel e que nele atuam forças de transformação invisíveis. De resto, quando você pensa na descoberta da energia atômica, percebe que foi uma descoberta totalmente invisível, uma descoberta especulativa, intelectual, do exercício de pesquisa de alguns físicos. E dez anos depois essa energia se transforma em bombas de destruição. Portanto, existem muitas coisas que estão invisíveis, o futuro não é previsível, é preciso resistir e construir o improvável.
Um pouco por toda parte existem iniciativas muito importantes, dispersas em relação umas às outras. Há experiências na agricultura, na agroecologia, na biologia, na educação, nas cooperativas, há a economia que chamamos de social e solidária. Temos a necessidade de recusar a grande agricultura capitalista industrializada para defender os pequenos proprietários rurais e a agricultura familiar; há uma luta contra os atravessadores, os intermediários; há muitas frentes que se criam em todos os domínios, o que demonstra que tudo pode ser reformado. Tudo: a justiça, a conservação, a produção. Mas eu digo também que esses processos, que começam localmente e se firmam, devem confluir.
O que é preciso reformar? As estruturas sociais e econômicas? Ou as pessoas e a moral? Eu digo que esses processos têm de vir juntos. Porque, se você reforma somente as estruturas, você chega à situação da União Soviética. Mas, se você propõe caminhos individuais ou comunitários, eles fracassam depois de alguns anos. Operando nos dois planos, essa corrente conflui para criar o novo. O grande problema é a metamorfose − prefiro a palavra metamorfose à palavra revolução −, pois penso que em um momento dado, quando um sistema não é mais capaz de tratar suas questões vitais, ou ele se desintegra, ou regride e se torna ainda mais bárbaro, ou é capaz de criar um metassistema, que recicla seu projeto. A metamorfose existe não somente nos insetos, que se transformam em borboletas, mas também na história. A Europa se metamorfoseou da Europa medieval, feudal, religiosa, para a Europa moderna, contemporânea. A metamorfose é possível e torna possível criarmos um novo modo de desenvolvimento e um novo tipo de sociedade que não podemos prever, mas que ultrapassa as expectativas dos indivíduos e da sociedade atual. Penso que é isso que podemos esperar, mesmo que hoje não sejamos capazes de descrever ou imaginar essa futura sociedade.
DIPLOMATIQUE – Uma pesquisa feita pela Secretaria de Economia Solidária, do governo federal, identificou mais de 42 mil experiências de economia solidária no país. Veja que em nossa sociedade já há sinais de transformação. Mas, paralelamente, existe tal poder no mundo atual − eu falo do poder do sistema financeiro, das grandes corporações −, que mesmo a The Economist assinala que é preciso mudar essa situação. A revista lança um desafio aos governantes: buscar um modelo que contemple, ao mesmo tempo, o crescimento e uma maior redistribuição da riqueza. É uma discussão da transformação e reforma do capitalismo no sentido de manter as estruturas de poder e buscar a estabilidade política promovendo um pouco mais de distribuição da riqueza. É possível pensar nessa metamorfose com esses grandes poderes financeiros que controlam o mundo?
MORIN – Parece-me que a grande dificuldade de lutar contra a dominação do capitalismo financeiro e contra a especulação financeira é que isso só pode ser feito em nível internacional. Por exemplo, para suprimir os paraísos fiscais é necessário que todos os países se ponham de acordo, assim como para taxar a especulação financeira. Penso que há duas ameaças que atemorizam o mundo: uma delas é o capitalismo financeiro, a dominação financeira; a outra é o fanatismo étnico-religioso. Eles se alimentam uns dos outros. A questão das transnacionais está colocada e isso só pode ser tratado em escala planetária. A tragédia é que sofremos da ausência de instituições planetárias dotadas de poder de decisão. O fracasso da Rio+20 criou uma desilusão enorme. É por isso que não progredimos no desenvolvimento da noção de um destino comum para a comunidade terrestre.
Mesmo considerando a ideia de solidariedade internacional que existia, sendo ela socialista, comunista ou libertária, essas ideias não progrediram para enfrentar a situação atual. Agora, quais são as forças sociais que podem agir? Não podemos mais pensar que seja a classe operária, industrial. Em minha opinião, é a boa vontade dos homens, das mulheres, dos jovens e dos velhos, que vão confluir nessa tomada de consciência. E, bem entendido, esse é o destino dos povos que são dominados, oprimidos, e que querem conquistar sua emancipação. E que vão contribuir para o processo de emancipação.
Você falou da Primavera Árabe, que era imprevista, improvável. Desde o início saudei esses acontecimentos com entusiasmo. Escrevi um artigo no Le Mondeem que dizia para pensarmos em 1789: foi uma primavera maravilhosa, mas o que aconteceu depois? Aconteceu o Terror, o Termidor, Bonaparte, o Império, o retorno do rei e a revolução de 1848, e depois novamente o Império, e a França só chegou à República no século XX. Há aí uma mensagem: se regenerar no curso da história. Haverá regressões, manipulações, traições, mas a questão é saber se esses governos eleitos e de tendência extremista vão respeitar ou não as regras da democracia. Somos desafiados a ter esse mesmo papel histórico que a Primavera Árabe. Reconheço que as forças de transformação para criar uma nova situação para o planeta são muito débeis, estão dispersas, mas há momentos de aceleração e de amplificação que precisam ser considerados.
DIPLOMATIQUE – Mas a Primavera Árabe demonstra também que, mesmo se tivermos irrupções sociais fortes de movimentos sociais, as acomodações políticas que buscam a estabilidade colocam os conservadores no governo. Vejo que Immanuel Wallerstein está de acordo com o senhor quando diz que ainda teremos de enfrentar muitas crises para abrir o caminho para uma sociedade pós-capitalista.
MORIN–  Sim, mas quero dizer que as forças energéticas da juventude na Tunísia e no Egito foram capazes de questionar o sistema atual, mas continuam incapazes de anunciar o novo caminho político. E estão divididas. O que faz falta é um pensamento político. A situação demanda um pensamento que não seja somente analítico, mas dê uma direção, um caminho. Hoje, há uma esterilidade total e geral não somente no mundo árabe ou muçulmano, mas também na França. Há uma crise do pensamento político, da capacidade de análise na sociologia mundial. E esse é um fator da impotência atual. É preciso recuperar o pensamento. Jamais haveria o socialismo sem o pensamento de Marx; jamais teríamos um libertarismo sem a contribuição de Kropotkin.
DIPLOMATIQUE – O neoliberalismo, nos anos 1990, terminou com a discussão sobre o futuro. Sua preocupação era administrar a situação presente e melhorar a condição dos mais pobres. Por conta disso não temos uma referência atual, seja do que possa ser a esquerda, seja do que possa ser um programa de transformação no sentido de construir um projeto comum entre os grupos que são diferenciados, mas reivindicam o papel da resistência. Qual é o meio de unificar essas diferenças?
MORIN – O neoliberalismo está em crise. Ele se apresentava como uma ciência, mas hoje sabemos que é uma ideologia. E assistimos à crise gerada por ele. O problema é que sabemos fazer a denúncia, mas não sabemos enunciar o que queremos, qual é o novo caminho. E precisamos caminhar no sentido de construir esse novo caminho comum. Por exemplo, existe todo um conjunto de pequenos camponeses ameaçados pela grande indústria, os pequenos artesãos, o mundo operário − por todos os lados as pessoas são exploradas, alienadas, e tomarão consciência disso. Quando elas tomam consciência − e hoje em dia temos de defender a diversidade, não somente a biodiversidade, mas a diversidade das sociedades −, neste momento estamos no começo de um novo caminho. Não podemos nos iludir, mas também não podemos entrar na desilusão. Entre a desilusão e o encantamento existe uma via que é a da vontade e da esperança.

DIPLOMATIQUE– Qual é a mensagem que o senhor quer dirigir à juventude?
MORIN– Frequentemente, os jovens franceses vêm me encontrar e me dizem que tenho sorte porque, quando eu militava na Resistência, tinha uma causa justa, uma causa bela, que hoje eles não têm. Sua percepção é de que vivemos na precariedade, não temos cultura, futuro algum. E eu lhes respondo que nossa causa tem suas sombras, que não víamos na sua época. Nós libertamos a França em nome da liberdade e contra a dominação. E reafirmamos a dominação sobre a Argélia e sobre nossas colônias. A segunda coisa, eu era comunista; é preciso considerar que Stalingrado foi a maior vitória e a maior derrota. A maior vitória porque barrou o nazismo. A maior derrota porque deu espaço para o stalinismo.

Hoje há uma causa que, em nome da liberdade e contra a dominação, não tem nome; é a causa de toda a humanidade, de todos os povos, de todos os continentes. A humanidade está ameaçada por toda essa loucura, pela busca do lucro, por toda essa insanidade fanática. Minha recomendação é que, aí onde você está, lute pelas mutações, quer elas tenham dimensão global ou local. O desenvolvimento local favorece a melhoria global e a melhoria global favorece o desenvolvimento local. É este o desafio atual: tomar consciência do que hoje são os problemas e se engajar para enfrentá-los. É isso que eu quero dizer para a juventude.
Silvio Caccia Bava
Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
Enviado por Guilherme Carvalho





Apoia a luta por nosso futuro: a hora da soberania alimentar é agora!




Via Campesina
Movimento internacional de camponeses e camponesas, pequenos e médios produtores, mulheres rurais, indígenas, gente sem terra, jovens rurais e trabalhadores agrícolas
Adital
Tradução: ADITAL
Chamado a apoiar a Via Campesina: A Via Campesina necessita de fundos para levar a cabo sua grande tarefa de organizar as/os agricultores de todo o mundo para defender os direitos do povo a comer e a produzir alimentos sem destruir o planeta. Sua contribuição a nosso fundo pelo 20º Aniversário fará a diferença.
1993-2013: 20 anos de luta!
Em 2013, a Via Campesina celebrará seu 20º aniversário. Há quase 20 anos, em 1993, um grupo de camponeses –homens e mulheres- dos quatro continentes fundaram o movimento em uma reunião em Mons, Bélgica. Nesse momento, as políticas agrícolas e a agroindústria estavam globalizando-se e os camponeses/as tiveram que desenvolver uma visão comum e organizar a luta para defender a agricultura camponesa. As organizações de pequenos/as agricultoras também queriam que suas vozes fossem escutadas e garantir a participação direta nas decisões que afetavam suas vidas. Através dos últimos 20 anos, as lutas locais das organizações nacionais fortaleceram-se por sua participação nesse movimento camponês internacional tão vibrante, inspiradas na luta comum e na solidariedade e no apoio de outras organizações.
Hoje, a Via Campesina é reconhecida como um ator principal nos debates sobre a alimentação mundial e a agricultura. É reconhecida por muitas instituições mundiais, como a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), a Convenção Marco das Nações Unidas para a Mudança Climática (Cmnucc), o Comitê de Segurança Alimentar (CSA) das Nações Unidas, o Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU e a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB); e é amplamente reconhecida entre tantos outros movimentos sociais do âmbito local ao global.
A Vía Campesina converteu-se em um movimento global chave. Atualmente, conta com cerca de 150 organizações de agricultores/as locais e nacionais em 70 países da África, Ásia, Europa e Américas. Em conjunto, representam ao redor de 200 milhões de camponeses/as unidas em uma luta comum para tornar possível a soberania alimentar. Isso inclui:
- a defesa de um sistema alimentar que coloca à disposição das populações locais alimentos saudáveis, facilitando-lhes meios de vida;
- a promoção do modelo camponês de produção agroecológica de alimentos destinados primordialmente aos mercados locais que sustentarão os subministros de alimentos, de forma equitativa e sustentável, agora e para as gerações futuras;
- o reconhecimento do direito de camponeses/as de todo o mundo –que, atualmente, alimentam 70% dos povos do mundo- para ter uma vida digna sem a ameaça da criminalização;
- garantir o acesso à riqueza natural –terra, água, sementes, raças de gado- necessária para a produção agroecológica de alimentos;
- o rechaço à agroindústria corporativa, ao modelo neoliberal de agricultura e aos instrumentos e às pressões comerciais que o sustentam.
A Vía Campesina tem dado passos significativos na promoção da soberania alimentar baseada na produção sustentável de alimentos pelo campesinato e pelos pequenos/as proprietários como solução à atual crise global multidimensional. A soberania alimentar é a base fundamental das mudanças necessárias para construir o futuro que queremos, e é o único caminho real que poderá alimentar a toda a humanidade e respeitar os direitos da Mãe Terra. No entanto, para que a soberania alimentar funcione ainda necessitamos uma verdadeira reforma agrária que mude os sistemas e as relações estruturais que regem recursos como a terra, as sementes e a água. À medida em que a crise climática vai se aprofundando, deixamos claro em inúmeros fóruns mundiais que nossas formas de produção agroecológica e sustentável em pequena escala esfriam o planeta, cuidam dos ecossistemas, geram emprego e garantem o subministro de alimentos para os mais pobres. A Vía Campesina está convencida de que para gerar uma mudança social profunda devemos construir e fortalecer nossas alianças com outros setores da sociedade.
Ajuda-nos a intensificar os esforços nos próximos anos:
·Para aumentar a incidência e a defesa da soberania alimentar tanto em instituições internacionais, como ante governos nacionais.
·Para fazer ouvir as vozes dos camponeses/as em todo o mundo, com uma comunicação mais eficaz.
·Para esfriar o planeta mediante a multiplicação da agricultura camponesa sustentável através da agroecologia.
·Para preservar a biodiversidade e defender a soberania com relação às sementes, mediante o apoio aos agricultores/as, facilitando intercâmbios de sementes camponesas.
·Fortalecer a liderança das mulheres e dos/as jovens na luta pela soberania alimentar.
·Incrementar a luta para recuperar os recursos naturais dos povos: a terra, a água e as sementes.
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Quem é a Via Campesina? A voz das camponesas e dos camponeses do mundo (espanhol).
Mais informação em www.viacampesina.org
Enviado por Adital:http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=72764

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Organizações do Bico do Papagaio promovem o lançamento da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida



As Organizações não-governamentais do Bico do Papagaio promoveram no dia 22 de novembro, na sede da Associação da Comunidade dos Jovens Unidos em Cristo - ACOMJUC, em Augustinópolis, o I Seminário Regional sobre os Impactos dos Agrotóxicos na Saúde e Ambiente e o Lançamento da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
O evento teve como objetivo sensibilizar a população sobre os prejuízos causados pelo uso dos agrotóxicos à saúde humana e ao meio ambiente e, ainda alertar sobre a importância do consumo consciente e alternativas de produção com base agroecológica.

Houve a apresentação de diversas palestras sobre o tema, dentre estas a “Modelo agrícola em disputa: agronegócio e agroecologia”, ministrada por Alan Tygel, representante da Coordenação Nacional da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida e do Medico e Professor Wanderlei Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso-UFMT que abordou o tema “Os impactos dos agrotóxicos na saúde e no ambiente".

No período da tarde, foram realizadas duas mesas de debate com os temas “Diagnóstico da situação do uso de agrotóxicos no Tocantins” e “Ações desenvolvidas pelo Poder Público estadual e sociedade civil sobre os agrotóxicos” com a participação de representantes do Comitê Estadual, Nacional, Governo do Estado e da APA-TO.

Ainda durante o Seminário foi lançada a Campanha contra os Agrotóxicos e Pela Vida com a aprovação da Carta de Fundação do Comitê Regional da Campanha. De acordo com a organização do evento, o seminário superou as expectativas reunindo cerca de 160 pessoas dos diversos municípios da região do Bico do Papagaio que teve como publico participantes agricultores(as) familiares, assentados)(as, quebradeiras de coco, pescadores(as) artesanais, quilombolas, lideranças do movimento sindical e das organizações populares, técnicos da extensão rural, religiosos(as), professores, estudantes, profissionais da saúde, pesquisadores, representantes do poder público e organizações não-governamentais.

O Seminário foi organizado pela APA-TO - Alternativas para a Pequena agricultura do Tocantins, FETAET - Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais na Agricultura do Tocantins, AMB – Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti , MIQCB – Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, ASMUBIP- Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio, COOAF-Bico – Cooperativa de Produção e Comercialização dos Agricultores Familiares Agroextrativistas e Pescadores Artesanais de Esperantina Ltda., CPT - Comissão Pastoral da Terra, Diocese de Tocantinópolis/Pastorais Sociais. Em parceria com Prefeitura de Augustinópolis e apoio da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviços, Cáritas Brasileira e MISEREOR.
“ O encontro nos trouxe informações valiosíssimas, com dados de pesquisas irrefutáveis e realizadas por pesquisadores sérios, o quanto é perigoso para a saúde humana e meio ambiente o uso de venenos, que está ocorrendo tanto no campo como na cidade, e o quanto as pessoas correm perigo pela falta de informações, pois estamos comendo alimentos contaminados por uso de agrotóxicos que são vendidos livremente, inclusive os já banidos em outros países”, comentou João Palmeira, assessor da APA-TO.
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Carta de Fundação do Comitê do Bico do Papagaio da
Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Augustinópolis, 22 de novembro de 2012
Nós, presentes ao Seminário do Bico do Papagaio, realizado no dia 22 de novembro de 2012 na cidade de Augustinópolis (TO) consideramos que o problema dos agrotóxicos chegou a um ponto em que não é mais possível ficar calado.
Vemos o agronegócio avançando sobre nossas terras, trazendo a soja, o eucalipto, a teca e outros monocultivos que utilizam grandes quantidades de venenos e que fizeram com que o Brasil se tornasse o maior consumidor de agrotóxicos do mundo.
Durante o seminário, vimos como o modelo do agronegócio se espalha pelo país e os danos à saúde da população que ele causa. Vimos os perigos que os agrotóxicos representam, ao mesmo tempo em que o governo incentiva cada vez mais sua utilização.
O diagnóstico de uso de agrotóxicos no Bico do Papagaio revelou que o uso dos venenos também é bastante grande na agricultura familiar e em nossos acampamentos e assentamentos de reforma agrária, muitas vezes incentivada pelas políticas agrícolas e pelos técnicos. Vimos os grandes investimentos do governo em projetos do agronegócio, e muito pouco sendo feito pela preservação do meio ambiente e pela promoção da agroecologia.
Diante disso, nós, agricultores(as) familiares, assentados(as), agrônomos, quebradeiras de côco de babaçu, pesquisadores, profissionais da área de saúde, estudantes, educadores, autoridades políticas (prefeitos e vereadores), pescadores(as) artesanais, extensionistas rurais, extrativistas, religiosas, presentes neste seminário, nos comprometemos a implementar no Bico do Papagaio o Comitê Regional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida para seguir na luta pelo banimento dos venenos e na promoção da agroecologia enquanto base de modelo de produção de alimentos saudáveis para toda a população.
Assinam,
APA-TO
FETAET
STTR´s
CPT
ASMUBIP
AMB
MIQCB
COOPTER
COOAF-Bico
Associação São Francisco de Assis
Visão Mundial
CONSAD
Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador – Araguatins
Acadêmicos de enfermagem da FABIC
Bina - Prefeito eleito de Esperantina - TO
Enviado por Rossilan Rocha, Articuladora da ANA Amazônia, via Yuki Ishii,APA-TO 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Os agrotóxicos, o novo holocausto invisível



“Anualmente, no mundo, cerca de 3 milhões de pessoas se intoxicam pelo uso de agrotóxicos. 
Mais de 220 mil morrem. Isto significa 660 mortos por dia, 25 mortes por hora. O programa de vigilância epidemiológica dos Ministérios da Saúde e da Organização Panamericana de Saúde de sete países da América Central, estima que cada ano 400.000 pessoas se intoxicam com venenos”, escreve Graciela Cristina Gómez, argentina, advogada ambientalista e escritora, em artigo publicado no sítio Ecoportal. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.
“Se soubesse que o mundo acabaria amanhã, assim mesmo, ainda hoje, plantaria uma árvore” (Martin Luther King Jr.).
Vinte anos após a catástrofe de Bophal, na Índia, mais de 100.000 pessoas ainda sofrem doenças crônicas relacionadas à contaminação causada pelo vazamento.
Esta data [03 de dezembro] foi estabelecida pela organização PAN International (Pesticide Action Network) para recordar as mais de 16.000 pessoas mortas no desastre ocorrido em 1984 pelo vazamento de 40 toneladas de gás tóxico metil isocianato, químico utilizado na elaboração de um pesticida da Corporación Union Carbide, adquirida em 2001 pela Dow Chimical. Só nos três primeiros dias morreram 8.000 pessoas. (1)
Em 2000, a Eveready, da mesma empresa (Union Carbide Argentina), foi denunciada de enterrar clandestinamente pilhas alcalinas não aptas para a comercialização. O depósito de resíduos tóxicos se encontrava em uma fazenda no quilômetro 752 da estrada 9, na cidade de Jesús María, província de Córdoba. A fábrica funcionou nesse lugar entre 1965 e 1987, mas desde 1994 funciona ali a empresa brasileira Iochpe-Maxion. Esta empresa fez um acordo com a Eveready, atualmente sob licença da empresa Ralston Purina Argentina S.A., para limpar o terreno e transladar os materiais tóxicos. A companhia Ailinco começou a remover os resíduos industriais no final de setembro para transladá-los em caminhões supostamente acondicionados para um local apropriado para ali serem enterrados ou tratados, localizado em Zárate, Buenos Aires. (2)
Anualmente, no mundo, cerca de 3 milhões de pessoas se intoxicam pelo uso de agrotóxicos. Mais de 220 mil morrem. Isto significa 660 mortos por dia, 25 mortes por hora. O programa de vigilância epidemiológica dos Ministérios da Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde de sete países da América Central, estima que anualmente  400.000 pessoas se intoxicam com venenos.
A ONU considera que a taxa de intoxicações nos países do sul poderá ser 13 vezes maior do que nos países industrializados, razão pela qual declarou os agrotóxicos como um dos maiores problemas em âmbito mundial. Em 1991, calcula-se que 25 milhões de trabalhadores agrícolas tenham sofrido alguma intoxicação com pesticidas e que estes seriam responsáveis por 437.000 casos de câncer e de 400.000 mortes involuntárias. (3)
Do campo de guerra para o campo semeado
Os agrotóxicos não foram inventados para a agricultura e não foram solicitados pelos agricultores; são um produto de guerra. E hoje, quando vemos os problemas ocasionados pelos agrotóxicos, temos que dizer o seu nome certo: Veneno – Arma Química – Agrotóxico.
Na Primeira Guerra Mundial a Alemanha foi bloqueada e os aliados proibiram a importação do salitre chileno e outros adubos nitrogenados que poderiam ser utilizados na fabricação de explosivos. Quando a guerra terminou os alemães tinham um enorme estoque de nitratos, que já ninguém mais queria. A indústria química os reciclou e foram impostos aos agricultores. Assim nasceram os adubos nitrogenados. A agricultura foi uma espécie de lixeira para a indústria da guerra.
Fruto da guerra, os agrotóxicos foram criados para matar o homem, para destruir suas plantações e não para benefício da humanidade. Quando a primeira bomba atômica explodiu, no verão de 1945, viajava na direção do Japão um barco americano com uma carga de fitocidas, então declarados como LN 8, e LN 14, suficiente para destruir 30% das plantações. Mais tarde, na guerra do Vietnã, estes mesmos venenos, com outros nomes, como agente laranja, serviram para a destruição de dezenas de milhares de quilômetros quadrados de florestas e plantações.
Também o DDT, usado para matar insetos, surgiu na guerra. Para combater a malária. Depois da guerra, novamente a agricultura serviu para canalizar as enormes quantidades armazenadas e para manter em funcionamento as grandes capacidades produtivas que haviam sido montadas. (4)
Mais de 500.000 toneladas de inseticidas obsoletos, proibidos ou que caducaram, se acumulam em quase todos os países em desenvolvimento, supondo uma grave ameaça para a saúde de milhões de pessoas e para o meio ambiente. (5)
Nicarágua: Em um engenho, foram necessárias 986 pessoas mortas por efeitos do agrotóxico Nemagón para que aAssembleia Nacional da Nicarágua começasse a agir. Os resultados são dramáticos. Segundo cálculos, morreram 1.383 trabalhadores e nos últimos anos há uma média de 46 mortes mensais. (6)
Argentina: Em Misiones, cinco de cada mil crianças nascem com mielomeningocele, uma deformação do sistema nervoso central. Em Misiones, estima-se que cerca de 13% da sua população tem alguma incapacidade. “Quando vemos o orçamento que a Monsanto tem para a América Latina, que tem sua grande agência aqui em Posadas, 30 bilhões de dólares são o que ela investe em agrotóxicos para que alguns poucos se enriqueçam e para que todos os demais sejamos incapacitados”. (7)
Ver também os relatórios por província do Grupo de Reflexão Rural, o relatório Pachamama (Ecos de Romang) e As derivações do caso Portillo (jornal El Día, Gualeguaychú), entre outros, que provocam vergonha e impotência em nosso país.
Paraguai: É o terceiro maior exportador e quarto maior produtor mundial de soja. 85% das sementes plantadas pertencem à Monsanto. O Ministério da Saúde registrou 430 casos de envenenamento e morte entre 1990 e 2000.
Neste contexto, talvez o caso mais ressonante no Paraguai seja a morte do menino Silvino Talavera, ocorrida em janeiro de 2003 e que originou o primeiro julgamento de produtores, condenados a apenas dois anos de prisão. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) assinala que do total de 3 a 5 milhões de casos anuais de agricultores afetados, 40.000 morrem por intoxicações agudas. (8)
Uruguai: O diretor do Registro Nacional do Câncer, do Ministério da Saúde Pública, Dr. J. A. Vasallo, em seu livroCâncer no Uruguai, de 1989, expressa que há um aumento de 64% nos últimos 30 anos. (9)
Brasil: Está comprovada a contaminação transgênica das Cataratas! Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) no Parque Nacional do Iguaçu confirmou que os cultivos de soja transgênica que abundam em sua zona de influência são a causa da contaminação genética de diversas espécies vegetais. A plantação de soja na região limítrofe ao parque está proibida por lei. (10)
No primeiro semestre de 2004, a China embargou um carregamento de soja proveniente do Brasil que registrava contaminação com fungicida Carboxin e Captan. Este procedimento, segundo ambientalistas, é comum em exportações para países pobres, quando parte da carga comercial é misturada com grãos contaminados. Diante da recusa da China em aceitar o produto contaminado, acredita-se que a soja tenha sido adquirida por países com menor poder de impor restrições comerciais, como é o caso da Indonésia. No entanto, este mesmo lote com níveis de contaminação similares também pode ter parado na mesa dos brasileiros. (11)
Colômbia: É muito difícil calcular as intoxicações na Colômbia e na América Latina porque a maioria dos casos não é registrada. As autoridades subestimam as queixas, como ocorre com milhares de intoxicações pelas fumigações aéreas de Roundup (glifosato) em zonas de cultivos de uso ilícito na Colômbia, em concentrações muito mais altas que as autorizadas pelo uso agrícola.
Cabe recordar aquela ocorrida em 1967 em Chiquinquirá (Boyacá), Colômbia, que envolveu mais de 500 pessoas, 165 das quais precisaram de tratamento médico e 63 morreram. Dezenas de crianças se intoxicaram e morreram quando tomavam café com pão feito com farinha de trigo contaminada com Folidol (paration).
Peru: A tragédia de Tauccamarca, ocorrida em outubro de 1999, onde 24 crianças foram envenenadas e mortas depois de ingerir um alimento contaminado com Parathion, pesticida produzido pela multinacional Bayer, 24 crianças morreram na comunidade cusquenha depois de terem consumido um lanche escolar. A morte foi quase instantânea, em meio a dores atrozes. Outras 22 crianças sobreviveram, mas é possível que seus sistemas nervosos tenham ficado seriamente prejudicados. (12)
Calcula-se em milhares as mortes causadas pelo herbicida paraquat da Syngenta (Gramoxone) no mundo todo. OParaquat foi responsabilizado por numerosos problemas de saúde nos países em que é utilizado. A Malásia é um dos 13 países que o proibiram, mas há 120 que ainda o usam. Em compensação, a União Europeia o aprovou. (13)
Na Costa Rica, desde 1980 e durante duas décadas tem sido registrado como o maior causador de envenenamentos e responsável por uma terça parte das mortes de centenas de trabalhadores agrícolas. Não se conhece antídoto nem tratamento eficaz para controlar um envenenamento com paraquat.
Estima-se que 85% dos casos não são registrados. Em 2000, foram registrados 752 casos de intoxicação com pesticidas, 12 dentre eles resultaram em morte. (14)
Uma investigação recente sobre a água engarrafada na Índia mostrou altos níveis de lindano, entre outros pesticidas como o DDT e o malation, altamente tóxicos, e por isso houve uma campanha contra a Coca-Cola por vender seus refrigerantes contaminados. Isso na Grã-Bretanha não foi nenhuma novidade, depois de ter acusado a mesma empresa que sua água mineral Dasani tinha o dobro de bromato do que o permitido e de não ser potável, mas, tirada da torneira, a partir dessa data, essa água engarrafada faz furor na Argentina. (15)
Chile: O lindano, apesar de estar proibido desde 1998 pelo Ministério da Agricultura para uso agrícola devido aos seus graves efeitos para a saúde das pessoas, segue sendo aplicado na cabeça de crianças para combater a pediculose. Longe de erradicar o mal, este fungicida provocou resistência e a pediculose se tornou endêmica, segundo reconhecem autoridades do Ministério da Saúde. (16)
México: Os índices de câncer no México aumentaram a partir de 1989. Representa a segunda causa de morte do país. Nesse ano houve 40.628 mortes (48,2 sobre cada 100 mil habitantes). Curiosamente, na cidade de Comitán, região produtora de suínos, e na região Costa de Chiapas, o alto índice de pessoas com câncer de estômago situa a cidade no primeiro lugar em nível mundial nessa doença. Na região é muito usado o lindano para matar os piolhos e atacar a sarna nos porcos. Também é usado em pó, que se aplica no milho para armazená-lo e evitar que seja atacado por insetos ou para que os gorgulhos não estraguem o feijão. Nesta região fronteiriça são realizadas há anos constantes fumigações sobre plantios de comunidades indígenas que atinge também casas, animais domésticos, plantações de milho e de café. Grandes populações de abelhas foram eliminadas e, com isso, os produtores de mel. O lindano, além disso, contamina altamente os solos, rios, poços, lagoas e águas subterrâneas.
Na Zona Altos o lindano também é frequentemente usado pelos agentes da Secretaria da Saúde para a aplicação em crianças de quatro meses para combater piolhos. A IARC, assim como a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (US EPA), classificou o lindano como possível cancerígeno humano.
Para uso agropecuário, existem três empresas que comercializam o Lindano: Agromundo, Engenharia Industrial eIndústrias Gustaffson. Cabe destacar que esta última foi comprada em 2004 pela multinacional Bayer, uma verdadeira especialista em envenenamento planetário, e que vende o Lindano sob o nome Germate Plus. A Bayerhavia comprado, além disso, em 2001, a empresa Aventis Crop Science, uma fusão do Laboratorios Helios, AgrEvoe Rhone Poulenc. Além de borrifar os indígenas de Chiapas com Baygon. (17)
A empresa Anaversa, em Córdoba, Veracruz, em maio de 1991, causou numerosas mortes por câncer e efeitos crônicos na população; a limpeza do local nunca foi feita, nem as vítimas compensadas, embora a empresa tenha cobrado o seguro contra acidentes. Um segundo caso é o da empresa produtora do inseticida Artivi, em Juchitepec, Estado do México. Um terceiro caso é o da Tekchem, em Salamanca, Guanajuato, que produziu por décadas inseticidas organoclorados persistentes, o que produziu problemas de saúde e contaminação ambiental. Em suas instalações, a empresa conserva 84.000 toneladas de resíduos organoclorados que deixou Fertimex mais de 45.000 toneladas de enxofre contaminado. Estas e outras substâncias encontram-se no relento. (18)
As fábricas do espanto
DuPont: Durante a Guerra Civil nos Estados Unidos, ela administrava a metade da pólvora usada pelo exército da União, também dinamites. Continuou sendo um provedor do exército norte-americano tanto na Primeira como na Segunda Guerra Mundial e também colaborou no Projeto Manhattan, sendo responsável pela fábrica de produção de plutônio no Laboratório Nacional Oak Ridge.
A DuPont foi, ao lado da General Motors, o inventor dos CFC (substâncias danosas para a camada de ozônio). Em um relatório enviado por Saddam Hussein à ONU antes da invasão do Iraque revelou que a DuPont havia participado do desenvolvimento do programa nuclear iraquiano. Uma investigação da Agência de Proteção Ambiental acusou aDuPont de ocultar os efeitos do C-8 (um produto usado na obtenção do Teflon). Vários estudos sugerem que o efeito acumulativo deste material é cancerígeno, além de poder provocar deformações na gravidez.
Basf: A Basf é a maior empresa química do mundo. De origem alemã, compreende mais de 160 subsidiárias e conta com mais de 150 plantas de produção em todo o mundo. Entre seus produtos está a anilina, de efeitos cancerígenos para animais e seres humanos.
A IG Farben foi fundada em 1925 a partir da fusão da Basf, da Agfa e da Hoechst. A IG Farben foi a única companhia alemã com seu próprio campo de concentração, onde morreram ao menos 30.000 pessoas, e muitos mais foram enviados para as câmaras de gás. A IG Farben construiu uma fábrica em Auschwitz, com uma força de trabalho de aproximadamente 300.000 escravos.
O gás Zyklon B, que era utilizado nas câmaras de extermínio, era fabricado pela Degesch, uma subsidiária da IGFarben. Com este veneno foram executados milhões de judeus, ciganos e soviéticos.
Acabada a Segunda Guerra Mundial, os países aliados, durante os Julgamentos de Nuremberg, ordenaram o desmembramento do consórcio.
As empresas sucessoras da IG Farben na atualidade são a Bayer, Basf e Hoechst, que herdaram o total das propriedades da IG Farben, mas não as responsabilidades penais.
Atualmente, a Basf lançou uma campanha publicitária que promove o agrotóxico de nome comercial Opera, que é um fungicida – um veneno para fungos – que se utiliza nas monoculturas de soja para controlar doenças de fim de ciclo, em particular a ferrugem asiática. A publicidade mostra uma criança sorridente, com uma pequena planta na mão e com uma extensa plantação de soja ao fundo. A imagem é acompanhada pela frase ‘A inovação Basf está aqui para melhorar sua qualidade de vida’. O idílico da imagem está longe da realidade que o cultivo de soja e seu pacote tecnológico associado representam para o nosso campo e seus habitantes.
Bayer: Produziu até a Primeira Guerra Mundial uma droga chamada diacetilmorfina, uma droga aditiva, vendida originalmente como tratamento da tosse, que depois passou a se chamar heroína. A heroína era uma marca registrada da Bayer, até que foi proibida antes da Primeira Guerra Mundial.
De 1925 até 1951, a Bayer converteu-se em parte da IG Farben, conglomerado das indústrias químicas alemãs que formou a base financeira do regime nazista. O Dr. Fritz ter Meer, condenado a sete anos de prisão pelos crimes de guerra pelo Tribunal de Nuremberg, foi feito Diretor Supervisor da Bayer em 1956, depois que saiu da prisão. Também são de sua atribuição a criação de agentes químicos, tais como: gás mostarda (arma química) e tabun (gás nervoso). (19)
Syngenta: Pesticida assassino e sementes Terminator. O Paraquat é vendido em mais de cem países com o nome genérico de Gramoxone – que representa uma parte importante dos lucros da transnacional radicada na Basileia que, em 2006, teve um lucro líquido declarado em cerca de 900 milhões de dólares – e causou milhares de mortes.
Nascida em 2000 da fusão das divisões agroquímicas da suíça Novartis e do consórcio anglo-sueco AstraZeneca, oGramoxone segue sendo vendido em todo o mundo e sua expansão não para, como provam as novas fábricas que a empresa abriu na China.
Em maio desse ano, diversas organizações da Ásia, África e Europa, apresentaram uma denúncia contra a Syngentana FAO. A empresa não respeita seu artigo 3.5 que pede para evitar certos pesticidas extremamente tóxicos. Em julho passado, a Corte de Justiça Europeia também se pronunciou contra esse produto.
As plantas do tipo Terminator produzem sementes estéreis que não dão mais que uma única colheita. Os camponeses não podem utilizá-la novamente como semente. Segundo a denúncia de março de 2006 das organizações suíças, o único objetivo dessa tecnologia é dominar o mercado de sementes e garantir o controle da alimentação mundial, o que implica em uma violação do direito humano da alimentação. (20) No Brasil, uma milícia armada atacou camponeses em um campo experimental da multinacional Syngenta situada em Santa Teresa do Oeste, Paraná. Este campo foi ocupado e denunciado pelos camponeses, mas às 13h30 do dia 21 de outubro, foram atacados. Um membro da Via Campesina, Valmir Mota, de 32 anos, pai de três filhos, foi executado com dois tiros no peito. Outros seis trabalhadores rurais foram gravemente feridos. (21)
Monsanto: Acusada de contaminar os moradores de Times Beach, as águas da população de Anniston, é criadora doAspartame (Nutrasweet), adoçante de efeito tônico para o cérebro. Não satisfeita com isso, fornece a cafeína para aCoca-Cola.
Foi condenada pelo glifosato Roundup ao ficar demonstrado seu caráter potencialmente cancerígeno e perturbador do sistema endócrino e de provocar efeitos nefastos ao ambiente no longo prazo. (22)
Seu milho transgênico foi aprovado para consumo humano pela União Europeia. Entretanto, dois de seus híbridos submetidos à aprovação contêm a modificação genética Nk603 – foram analisados recentemente pelo instituto francês CRIIGEN, que encontrou claros sinais de toxicidade nos dados apresentados pela empresa fabricante, a multinacional Monsanto.
O terceiro milho aprovado, conhecido como Herculex, foi repetidamente denunciado porque as análises realizadas pelas empresas fabricantes – Pionner e Dow – revelaram sinais de toxicidade que exigem novas pesquisas.
Amigos da Terra, COAG e o Greenpeace denunciaram reiteradamente a Agência Europeia de Segurança Alimentar(EFSA) por não exigir mais pesquisas antes de aprovar novos transgênicos e por não ter em conta as evidências sobre seus efeitos prejudiciais, já que enquanto não se produzir uma melhora radical da avaliação de riscos dos transgênicos, os processos de autorização devem ser suspensos. (23)
Na Índia, o Ministério da Agricultura reconhece que entre 1993 e 2003 ocorreram 100.000 suicídios de camponeses. E entre 2003 e 2006 (outubro) foram registrados 16.000 suicídios cada ano. No total, entre 1993 e 2006 houve cerca de 150.000 suicídios – 30 por dia durante 13 anos! Milhares de camponeses, cuja forma de vida foi destruída, recorreram ao suicídio como única escapatória.
Recorreram ao algodão da Monsanto buscando reduzir o custo em inseticidas, mas a armadilha do endividamento rapidamente tomou conta deles porque as sementes do algodão da Monsanto são ainda mais caras. (24)
O debate negado e os silêncios da imprensa
Essa é uma das principais conclusões feitas por uma meticulosa pesquisa realizada pelo Observatório de Imprensada Agência Jornalística do Mercosul (APM), da Faculdade de Jornalismo e Comunicação Social da UniversidadeNacional de La Plata (UNLP), da Argentina. Essa pesquisa desnuda as técnicas manipuladoras da imprensa hegemônica.
Uma medição do Observatório de Imprensa da APM constatou que os principais jornais econômicos de Buenos Aires promovem o programa que converte a alimentação em gasolina para os ricos. (25)
A imprensa e os governos se negam a um debate sobre estes temas, negando e ocultando informação, quando justamente, conscientizando a população se evitariam tantas mortes e haveria um melhor manejo e prevenção dos agrotóxicos.
No entanto:
– Vemos na televisão dias atrás um vergonhoso programa de ‘Um mundo de baixo consumo’, aplaudindo os biocombustíveis, mostrando a cultura yanqui, e os carros híbridos, somente acessíveis a Bill Gates. Por que não foi feito no Paraguai, no Brasil ou em Santa Fé mostrando os estragos da soja?
– O mesmo canal levanta uma nota a realizar-se com integrantes da Acción Ecológica sobre mineração, seguramente por pressões. (26)
– A Corte da Província de Catamarca anula um plebiscito sobre a instalação de uma mina de urânio a céu aberto, apoiando-se no artigo 124 da nossa Constituição Federal, sem levar em conta que o artigo 41 está em “Direitos e Garantias” da nossa Constituição, se não se deram conta, e que o povo é soberano e eles são um número, um mero representante desse soberano. (27)
– As Crianças nascidas com deformações em Santa Fé e em Misiones, nunca tiveram uma nota em nenhum jornal de Buenos Aires. Alguns jornais locais e as redes ecologistas brigam sozinhas, expondo estes temas e mostrando ao mundo, que, com pavor, repetem as notícias uma ou outra vez, enquanto a Argentina se cala.
O milagre da soja, segundo alguns rafaelinos que escutamos, envergonhando-nos de serem santafesenses, em uma Universidade de Três de Fevereiro, Buenos Aires, falando de arte, agradecem à soja pela arte!
Brindem com Roundup, senhores… Quando os inseticidas matarem até o último pássaro das montanhas que ainda nos restam, não agradecerão nem à Monsanto, nem à Bayer, nem à Syngenta e companhia. Porque estar no holocausto e não se dar conta já é estar morto em vida.
Notas:
1- Rebelión “3 de diciembre, Día del no uso de plaguicidas”.
2- www.funam.org.ar : “Remueven residuos tóxicos enterrados clandestinamente por Eveready en Córdoba”.
3- www.rel-uita.org “3 de diciembre, Día del no uso de plaguicidas”.
4- www.rel-uita.org “Agrotóxicos de la guerra a la agricultura”.
5- www.Eco2site.com  “Nuevo código para pesticidas”.
6- www.nodo50.org ”El drama de los agricultores nicaragüenses afectados por el pesticida nemagón”.
7- www.ecoportal.net “Malformaciones en Misiones por el uso de agrotóxicos”.
8- www.lineacapital.com.ar “Cinco de cada mil niños misioneros padecen malformaciones por agrotóxicos”.
9- www.ecocomunidad.org.uy “Agrotóxicos hasta en la sopa”.
10- Radio mundo real “Brasil: comprueban contaminación transgénica en Parque Iguaçu”.
11- www.adital.com.br
12- www.rel-uita.org “3 de diciembre, Día del no uso de plaguicidas”.
13- www.ecoportal.net “Syngenta: Contaminación Agroquímica”.
14- www.agroecologia.es “3 de diciembre, Día del no uso de plaguicidas”.
15- www.indymedia.org
16- Diario El clarín Chile.
17- www.ecoportal.net: “ Otra amenaza, el Lindano. Niños en peligro”.
18- Greenpeace “En el aniversario del accidente de Bhopal, repudian el uso de plaguicidas”.
19- Wikipedia.org
20- www.paginadigital.com.ar : “La transnacional suiza Syngenta en la mirilla”.
21- Anred org:“Brasil: milicias armadas de Syngenta atacan a campesinos”.
22-Ecos de romang: “Doctor ¡grítelo mas fuerte!”.
23- www.amigosdelatierra.org “Ecologistas y agricultores denuncian que la UE aprobará tres transgénicos potencialmente peligrosos con el voto favorable de España”.
24- www.ecoportal.net
25- Biodiversidala.”Los silencios de la prensa argentina: ¿por qué no debaten sobre Agrocombustibles?
26- www.bolsonweb.com.ar “Canal 13 cancela una nota con un ecologista chubutense”.
27- Página12: “La consulta popular sobre minería que fue impedida por la Justicia”.
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/516210-os-agrotoxicos-o-novo-holocausto-invisivel
Enviado por Tania Pacheco:http://racismoambiental.net.br/2012/12/os-agrotoxicos-o-novo-holocausto-invisivel/
Foto:Fonte: alistadeschindler.utfpr.net

Novo espaço de produtos agroecológicos é um sucesso: queremos acesso a produtos saudáveis!!!!!



A Feira Agroecológica realizada hoje no pátio da FASE Amazônia, em Belém do Pará,  foi um sucesso e demonstra o interesse das pessoas em adquirir produtos de origem segura, nativos da região e sem agrotóxicos.

Os produtos são de camponesas dos Assentamentos Abril Vermelho e Expedito Ribeiro, no município de Santa Bárbara do Pará. 

Na próxima Sexta-feira (14 de dezembro) vai ter de novo: VENHA PRESTIGIAR E ADQUIRIR DIVERSAS HORTALIÇAS E FRUTAS DELICIOSAS SEM AGROTÓXICOS!!!!

Uma diversidade de frutas e verduras da Agricultura Familiar: jaca, biribá, cacau, banana, limão galego, coco, rúcula, alface, manjericão, cheiro verde, pimenta malagueta, feijão da colônia, macaxeira (aipim), abóbora, maxixe, galinhas e ovos caipira, além de vários temperos (urucum, tempero verde,etc).


Local: Estacionamento da FASE Amazônia - Rua Bernal do Couto, 1329, Bairro Umarizal (esquina com Alcindo Cacela, próximo a UNAMA, ao lado Loja de equipamentos de carros BRASKAR).).


Não esqueça de trazer sua sacola!!!!!

Fotos: Vânia Carvalho

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Soberania Alimentar Já Via Campesina VALE A PENA VER DE NOVO!!!!!

FASE AMAZÔNIA APOIA FEIRA DE AGROECOLOGIA EM BELÉM DO PARÁ


A FASE Amazônia liberou o espaço de seu estacionamento para contribuir com a realização de mais uma FEIRA AGROECOLÓGICA em Belém do Pará. 
Os produtos são de camponeses  e camponesas do município de Santa Bárbara do Pará. 
Vai ser na próxima sexta-feira, 07 de dezembro de 2012, das 08:00 às 12:00 Horas. 
VENHA PRESTIGIAR E ADQUIRIR DIVERSAS HORTALIÇAS E FRUTAS DELICIOSAS SEM AGROTÓXICOS!!!!
Local: Estacionamento da FASE Amazônia - Rua Bernal do Couto, 1329, Bairro Umarizal (esquina com Alcindo Cacela, próximo a UNAMA).