sexta-feira, 25 de maio de 2012

Belém encabeça ranking de esgoto a céu aberto e lixo acumulado das grandes cidades brasileiras

Dados do IBGE se referem a características do entorno dos domicílios.
Cerca de 44,5% das casas estão expostas ao problema, segundo estudo.

Ingrid Bico Do G1 PA

Esgoto a céu aberto também dificulta manutenção da qualidade de vida em Belém (Foto: Ingrid Bico/G1 PA)Esgoto a céu aberto está presente em cerca de 44,5% do entorno dos domicílios de Belém, segundo IBGE (Foto: Ingrid Bico/G1 PA)
Belém encabeça o ranking de municípios com maior percentual de esgoto a céu aberto entre 15 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, de acordo com estudo divulgado nesta sexta-feira (25) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O estudo foi realizado em 96,9% dos domicílios urbanos durante a pré-coleta do Censo 2010, com o objetivo de conhecer a infraestrutura urbana brasileira.
Segundo o IBGE, 44,5% dos domicílios de Belém possuem algum ponto de esgoto a céu aberto em local próximo. Os dados também mostram que a capital paraense é a cidade, entre as 15 citadas, com mais lixo acumulado em vias públicas: 10,4% dos domicílios apresentam o problema ao seu redor.
O percentual encontrado em Belém está bem acima do total do país. De acordo com o estudo, o esgoto a céu aberto é um problema encontrado em 11% do entorno dos municípios brasileiros, e 5% das vias públicas tem áreas de depósito de lixo. A região Norte é a que mais sofre com o problema do esgoto a céu aberto, encontrado em 32,2% das vias públicas, enquanto o acúmulo de lixo atinge 7,8%.
Lixo acumulado é um dos problemas enfrentados por moradores de Belém (Foto: Ingrid Bico/G1 PA) 
Lixo acumulado é um dos problemas enfrentados por moradores de Belém (Foto: Ingrid Bico/G1 PA)
Davi Pereira de Souza, morador do bairro de Batista Campos, considerado uma área nobre de Belém, conta que levantou todo o piso de casa para tentar amenizar os problemas do lixo e do esgoto. "A gente mesmo que carpina por aqui e tenta manter tudo limpo. A prefeitura faz a coleta, mas a limpeza do canal é muito difícil, só uma vez ou outra. Minha neta já até teve problemas de pele por causa desse lixo", conta.
"O caminhão de coleta sempre passa para recolher o lixo, mas fica aquele chorume no local, e deixa um cheiro horrível na rua. Isso resolve uma parte do problema, mas a limpeza mesmo das valas e dos canais, que estão entupidos, não é feita há mais de dois anos. Quando chove alaga tudo por aqui", diz uma moradora do bairro de Canudos, na periferia de Belém.
Coleta
Em nota, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) informa que a coleta de lixo nos bairros e distritos de Belém ocorre em dias alternados. Segundo a secretaria, a limpeza da cidade é feita por 1,5 mil garis. O órgão diz ainda que são recolhidos diariamente cerca de 1,2 toneladas de lixo domiciliar e aproximadamente 700 toneladas de entulho.
De acordo com a secretaria, a população deve esperar os dias e horários de coleta para colocar o lixo domiciliar em frente às residências. A coleta de materiais recicláveis é realizada em dez bairros em Belém, informa o órgão.
Em relação ao entulho, a secretaria diz que, segundo o Código de Posturas do município, só é responsável pela retirada do equivalente a um metro cúbico. "Em média, o entulho é retirado em até 48 horas, mas pode demorar um pouco mais, pois organizamos o atendimento de demandas de forma que não enviemos um caminhão para a retirada de apenas uma pequena quantidade de entulho”, diz a nota. As solicitações para a retirada de entulho podem ser feitas pelo número 156. A ligação é gratuita.
Fonte: http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2012/05/belem-encabeca-ranking-de-esgoto-ceu-aberto-das-grandes-cidades.html

Fundo Amazônia (BNDES): Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis


ATENÇÃO: INSCRIÇÕES PRORROGADAS ATÉ 26 DE JULHO DE 2012
A Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis tem por objetivo selecionar propostas candidatas a obter apoio financeiro não reembolsável para o desenvolvimento de atividades econômicas de uso sustentável da floresta e da biodiversidade, conforme a finalidade, regras e diretrizes do Fundo Amazônia.

Os projetos enviados deverão ser aglutinadores, ou seja, empreendimentos gerenciados por uma entidade e composto por subprojetos de outras entidades, orientados para o desenvolvimento de cadeias de valor relacionadas às seguintes categorias:

- Manejo florestal madeireiro e não-madeireiro;

- Aquicultura e arranjos de pesca;

- Sistemas agroecológicos e agroflorestais.

O valor financiável de cada proposta selecionada ficará limitado, no mínimo, a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) e, no máximo, a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais). Cada subprojeto ficará limitado a, no máximo, R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).

Dúvidas e questões adicionais devem ser encaminhadas para: chamadapublicafundoamazonia@bndes.gov.br


Veja abaixo os documentos relativos à Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis:

Veja mais:  http://www.fundoamazonia.gov.br/FundoAmazonia/fam/site_pt/Esquerdo/como_apresentar_projetos/Chamada_Publica
Enviado por Robson Belém

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O futuro das florestas nas mãos de Dilma

O pouco que resta da mata ciliar do igarapé pacuquara-Apeú-Castanhal/PA Foto Vânia Carvalho

Apenas o veto integral evitará o maior retrocesso da legislação ambiental brasileira
Essa semana encerra o prazo constitucional que a presidente Dilma Rousseff possui para decidir o futuro do Código Florestal brasileiro. O projeto enviado pelo Congresso ao Planalto não atende a princípios elementares de sustentabilidade socioambiental e nem aos anseios da ampla maioria do povo.
Além disso, sua sanção pode significar um empecilho para a produção rural, devido suscitar insegurança jurídica e ampliar impactos negativos das mudanças climáticas, o que poderia afetar os índices de produtividade. Por isso, o projeto deve ser vetado integralmente, visto que, vetos parciais não afastariam o grave perigo.
A sociedade brasileira se engajou fortemente e a campanha popular "Veta Tudo, Dilma!" se transformou em fenômeno social no país. O movimento foi iniciativa do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, que reúne cerca de 200 entidades da sociedade civil.
O envolvimento de todas e todos que participaram de alguma forma dos muitos apelos feitos ao Congresso Nacional e à presidente Dilma, sejam nas redes sociais da internet, nas assinaturas ou nas ruas ocupadas pelo movimento de Norte a Sul do Brasil, significam uma forte sinalização que a sociedade não aceitará outros ataques programados, como redução de Unidades de Conservação, Territórios Indígenas e fragilização da agricultura familiar. Quem participou da campanha do Veto está de parabéns e convidado a continuar lutando, pois a batalha é longa e nossa disposição de vitória é maior ainda.
Apesar da dimensão que adquiriu a campanha popular, com cerca de 2,5 milhões de assinaturas em defesa do veto e ações de rua em todo o Brasil, a coordenação nacional da campanha (Comitê Brasil) não foi recebida pela presidente Dilma Rousseff, apesar das inúmeras solicitações de audiência realizadas.
Preocupa-nos o fato da presidente ter recebido a líder ruralista no dia seguinte do envio oficial do projeto ao Palácio do Planalto, tratamento diferente do dispensado a agricultores familiares, extrativistas, pescadores, estudantes, sindicalistas, religiosos, ambientalistas e demais integrantes da campanha nacional pelo Veto, que não foram recebidos pela presidente.
Diante das graves ameaças contra a integridade ecológica de todos os biomas brasileiros, reforçamos o apoio do Comitê Brasil para que a presidente Dilma vete integralmente o projeto. Seria uma sinalização antipedagógica altamente negativa anistiar crimes ambientais, o que possibilitaria novos desmatamentos e desmoralizaria as políticas de comando e controle.
Vetos parciais não resolvem, pois os problemas de remissões entre os dispositivos do projeto são insanáveis pontualmente. A própria presidente Dilma firmou compromisso em não aceitar anistia e permitir novos desmatamentos, o que somente será evitado com o veto integral.
As florestas brasileiras levaram milhões de anos para se formar, entretanto, uma assinatura errada pode destruí-las em poucos segundos. Apelamos para que a presidente Dilma não ponha em risco, além da natureza, sua própria credibilidade. Um Brasil desenvolvido e com potencial de futuro quer dizer um Brasil com florestas e que respeita o seu povo. Diante disso, pedimos: veta tudo, Dilma, que o Brasil apóia.
Brasília-DF, 23 de maio de 2012
Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável
Enviado por
Adital

Edital apoia projetos de agricultura urbana

Preparo do solo: Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense - MMNEPA

 Estados e municípios podem apresentar propostas até 22 de junho. Serão liberados R$ 9,8 milhões para desenvolver hortas e lavouras comunitárias

 Brasília, 22 – Os municípios e estados já podem inscrever propostas para apoio à implantação ou ampliação de projetos de agricultura urbana e periurbana. Serão destinados R$ 9,8 milhões para produção de alimentos, com uso de tecnologias de base agroecológicas, em hortas e lavouras comunitárias. O prazo indicado no Edital 004/2012 para cadastramento das propostas vai até dia 22 de junho.

Os projetos devem ter como público-alvo, obrigatoriamente, famílias cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. Os valores a serem solicitados para implantação ou ampliação das ações de agricultura urbana e periurbana deverão ter como base o número de beneficiários diretos que se pretende atender, levando em consideração a média de R$ 1 mil por beneficiário.

O edital, publicado na segunda-feira (21), vai selecionar propostas cadastradas no Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv) e que não tenham contratos vigentes com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O resultado final será publicado no Diário Oficial da União no dia 13 de julho.

Agricultura Urbana – Informações complementares estão disponíveis na página do MDS na internet, pelo endereço http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/editais.

O programa é uma ação do MDS que apoia a produção de alimentos, o processamento e beneficiamento e, por último, o escoamento da produção via comercialização direta (feira popular). Isso contribui para melhorar a alimentação e a nutrição dos beneficiários e o abastecimento alimentar local, com maior quantidade e qualidade de oferta. Toda essa dinâmica promove uma ampla proteção e inclusão social, fortalecendo a cidadania e geração de trabalho e renda.

Fernanda Lattarulo
Ascom/MDS
(61) 3433-1021
www.mds.gov.br/saladeimprensa
 
Cordialmente,
João Augusto de Freitas
Assessor
Departamento de Estruturação e Integração de Sistemas Públicos Agroalimentares-DEISP
Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional-SESAN
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome-MDS
(61) 3433-1335/1188

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mapa da Violência 2012 revela que 91 mil mulheres foram assassinadas de 1980 a 2010



Como complemento do Mapa da Violência 2012, o Instituto Sangari divulgou há poucos dias um caderno especial sobre homicídios de mulheres no Brasil. Devido à relevância e gravidade do assunto, o Instituto preparou um material específico para alertar e informar a sociedade brasileira e o poder público sobre esta problemática.
O Caderno Complementar ‘Homicídios Femininos no Brasil’ fez um histórico dos assassinatos de mulheres ocorridos de 1980 até 2010 é constatou que foram assassinadas no Brasil quase 91 mil mulheres, 43,5 mil só nos últimos dez anos. De 1980 a 2010 o número de assassinatos passou de 1.353 para 4.297, aumento de 217,6% na quantidade de vítimas fatais.
Os crimes apresentaram um crescimento maior até o ano de 1996. A partir deste ano, as taxas foram se estabilizando em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres. O relatório destaca ainda que em 2007, ano em que a Lei Maria da Penha entrou em vigor, os assassinatos apresentaram uma leve queda, mas rapidamente as cifras anteriores foram retomadas.
Em 2010 foram 4.297 casos, o que representa uma média de 4,4 assassinatos por 100 mil mulheres. Com essa cifra, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil se insere na 7ª posição em uma lista com 84 países. Nos primeiros lugares estão El Salvador, com taxa de 10,3 homicídios para cada 100 mil mulheres, Trinidad e Tobago (7,9), Guatemala (7,9), Rússia (7,1), Colômbia (6,2) e Belize (4,6).
O Estado que puxa o Brasil para a 7ª posição é, em primeiro lugar, o Espírito Santo, já que apresenta mais que o dobro da média brasileira com taxa de 9,4 homicídios em cada 100 mil mulheres. A região é seguida por Alagoas (taxa de 8,3 em cada 100 mil mulheres), Paraná (6,3), Paraíba e Mato Grosso do Sul (ambos com taxa de 6,0).
Na outra o ponta Piauí, com taxa de homicídios de mulheres de 2,6, é o Estado com o menor índice de assassinatos. Junto a esta região vem São Paulo (taxa de 3,1), Rio de Janeiro (taxa de 3,2), Maranhão (taxa de 3,4) e Santa Catarina (3,6).
Com relação aos instrumentos usados para praticar os crimes, o relatório destaca que metade dos assassinatos de mulheres é cometida com armas de fogo. Outros instrumentos utilizados para o homicídio são objetos que exigem contato direto, como objetos cortantes ou penetrantes, objetos contundentes, além de sufocação ou estrangulamento. O Caderno Complementar também destaca 40% dos crimes contra as mulheres são cometidos em sua própria residência ou habitação.
O Instituto Sangari apurou ainda que até os 14 anos de idade das vítimas, os pais são os principais responsáveis pelos incidentes violentos. Até os quatro anos, são as mães. A partir dos dez anos predomina a figura paterna.
"Esse papel paterno vai sendo substituído progressivamente pelo cônjuge e/ou namorado (ou os respectivos ex), que preponderam sensivelmente a partir dos 20 anos da mulher até os 59 anos. A partir dos 60 anos, são os filhos que assumem o lugar preponderante nessa violência contra a mulher”, revela o Caderno especial.
As mulheres se transformam em verdadeiras vítimas a partir dos 15 anos e permanecem até os 29, com maior registro de violência e assassinatos no intervalo entre 20 e 29 anos, que é o que mais cresceu nos últimos dez anos. O relatório do Instituto Sangari destaca que a partir dos 30 anos, a tendência é de queda.
Os dados divulgados no Caderno Complementar do Mapa da Violência 2012 são uma tentativa de ajudar, com informações, o poder público e demais autoridades responsáveis a elaborarem estratégias mais efetivas de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. Para isso, o Instituto Sangari garante que vai continuar a elaborar o estudo sobre esta problemática para que o material possa servir de subsídio aos que trabalham em favor da causa.
Enviado por http://www.adital.com.br/jovem/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=67167

Cúpula dos Povos propõe agroecologia e agricultura familiar contra a crise


“Essa combinação de agroecologia com agricultura familiar, é o potencial maior do ponto de vista de resultados e do ponto de vista social, econômico e ambiental”, diz Jean Marc van Der Weid, economista e ambientalista, integrante da Articulação Nacional de Agroecologia. Cúpula dos Povos fará denúncia das falsas saídas para a atual crise socioambiental e apresentará soluções práticas já existentes contra essa crise.
Rodrigo Otávio
Rio de Janeiro - A Cúpula dos Povos, evento paralelo a Rio + 20 que acontecerá entre 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo, trabalhará em três frentes principais em relação à conferência oficial das Nações Unidas a ser realizada no Riocentro entre 13 e 22 de junho, quando chefes de estado debaterão o desenvolvimento sustentável. No Aterro do Flamengo, os objetivos, além do fortalecimento dos movimentos sociais nacionais e internacionais, serão a denúncia das falsas saídas para a atual crise socioambiental e a apresentação de soluções práticas já existentes contra essa crise.
Uma dessas soluções é a agroecologia, que produz alimentos sem o uso de agrotóxicos, não maltrata o solo e gera empregos e renda a partir da agricultura familiar. “Essa dupla, essa combinação de agroecologia com agricultura familiar, é o potencial maior do ponto de vista de resultados e do ponto de vista social, econômico e ambiental”, diz Jean Marc van Der Weid, economista e ambientalista, integrante da Articulação Nacional de Agroecologia, ressaltando a importância de ela não poder ser operada integralmente em sistemas de grandes propriedades. “Ela não tem nenhuma necessidade, ao contrário do que diz o pessoal do agronegócio, de expandir novas áreas de cultivo. Tem um potencial produtivo suficiente para alimentar a população, economia de água, economia de energia. Enfim, tem todas as capacidades de responder a um conjunto de questões”.
Questões integrantes da crise socioambiental como a pobreza contemporânea decorrente da marginalização e expulsão dos trabalhadores agrícolas para as zonas urbanas. “Quando você trabalha em agroecologia, você procura a máxima diversidade possível, porque você tenta aproximar um sistema artificializado, que é a agricultura, dos sistemas naturais. Nós estamos lidando portanto com um sistema que vai ser tão diversificado que a mecanização vai ser limitada. Se é assim, se esta é a economia que a gente vê para o futuro, significa que nós vamos precisar de muito mais camponeses do que nós temos hoje”, diz van Der Weid.
Uma SP volta ao campo
Na realidade brasileira, o ambientalista faz um cálculo estimativo de cerca de 15 milhões de famílias, quase a população da grande São Paulo, em condições de ocuparem o espaço produtivo, “no lugar das áreas degradadas que seriam recuperadas e no lugar dos aproximadamente 60 a 70 milhões de hectares que estão na mão do agronegócio”, afirma ele. Dos cálculos para a realidade vai um longo caminho, e van Der Weid sabe que implica em uma questão política fundamental. “É uma mudança de base social no campo radical. Você tem que caminhar para a substituição de uma categoria do agronegócio para a categoria da agricultura familiar empregando a agroecologia como sistema produtivo”.
Sem o enfrentamento dessa questão política que a Cúpula dos Povos propõe e sem essa mudança da base social do campo, o integrante da Articulação Nacional de Agroecologia vê as saídas apontadas pela dita “economia verde” como um cinismo atroz. “Ela é mais do mesmo! Mais agrotóxico, mais transgênico, mais adubo químico. E a justificativa ‘green’ é porque isso vai evitar que se façam novos desmatamentos. Então os produtores de pesticidas dizem isso: ‘somos verdes!’, mas eles são mais venenosos”.
Mercado
Jean Marc van Der Weid também descontrói a versão dos transgênicos apresentada como “solução estratégica” da chamada economia verde. “Não vamos ter nenhuma vantagem do ponto de vista econômico. Ao contrário! Todos os lugares que ela conseguiu entrar e controlar você teve recuo na produtividade e na economicidade destes produtos. Então por quê domina? É o controle de oferta! Você chega em diversos setores e tem uma imensa concentração de controle de produtos essenciais, no caso, sementes. Não é lógica econômica! Se chama simplesmente poder. Você ter ou não ter poder de fogo, na economia e na política”.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20187&boletim_id=1198&componente_id=19269
Enviado por Tânia Pacheco: http://racismoambiental.net.br/2012/05/cupula-dos-povos-propoe-agroecologia-e-agricultura-familiar-contra-a-crise/#.T7qwKPmySac.facebook

domingo, 20 de maio de 2012

Embrapa a serviço da Monsanto e das transnacionais?


Gilvander Luís Moreira 
Em tempos de Campanha da Fraternidade sobre saúde pública – CF/2012 -, a EMBRAPA pediu liberação do herbicida Glifosato também para a cultura da mandioca. Essa é uma lamentável notícia que exige, no mínimo, sete breves comentários. 
1 - A EMBRAPA é uma das empresas públicas que mais recebem dinheiro das transnacionais para investimento em pesquisas, melhor dizendo, aperfeiçoamento tecnológico na produção agropecuária. Um ditado popular diz: "quem paga a banda, escolhe a música", ou seja, grande parte das pesquisas feitas pela EMBRAPA no último período tem sido para beneficiar as grandes empresas do ramo de agrotóxicos, como a própria MONSANTO que no ano de 2010 passou para a EMBRAPA nada menos que R$ 5,9 milhões para investir em pesquisas para os próximos 3 anos (2011, 2012 e 2013). 
2- O Glifosato é um herbicida sistêmico não seletivo, ou seja, mata qualquer tipo de planta, exceto aquelas geneticamente modificadas para resistir ao glifosato, como é o caso das plantas (soja, por exemplo) com a marca RR (Roundup Ready), produzida pela MONSANTO. Um dos agrotóxicos mais vendidos pela Monsanto no país é o Roundup, que tem como principal ingrediente o glifosato. 
3 - O uso massivo do glifosato tem provocado a aparição de resistência por parte de algumas plantas, levando a um aumento progressivo das doses usadas, e assim a uma desvitalização e perda de fertilidade da terra, afinal o herbicida elimina também, bactérias que são indispensáveis à regeneração do solo e manutenção de sua fertilidade. Este processo faz com que a cada dia aumente o uso de fertilizantes químicos, que alimentam as plantas e não fertilizam a terra, aumentando ainda mais o ciclo vicioso. Só no ano passado (2011), as importações brasileiras de fertilizantes (20,7 milhões de toneladas) somaram um gasto de 9,1 bilhões de dólares. Quem está mesmo ficando com os lucros e quem está ficando com os prejuízos? 
4 - Rubens Onofre Nodari, agrônomo, mestre em Fitotecnia e doutor pela University Of California At Davis, professor na UFSC, afirma que além dos problemas no meio ambiente, o glifosato traz problemas à saúde pública, como o aumento da incidência de certos tipos de câncer e alterações do feto por via placentária. Reduz a produção de progesterona e afeta a mortalidade de células placentárias atuando como disruptor endócrino, ou seja, ele aciona genes errados, no momento errado, no órgão errado.  O glifosato também causa, por exemplo, diminuição da produção de espermas, conforme vimos em experimentos feitos em ratos, ou produz espermas anormais. No caso do sistema endócrino, ele pode, por exemplo, inibir algumas enzimas. Ele vai alterar os hormônios que entram na regulação da expressão gênica. 
5 - Desta forma vemos que a EMBRAPA, criada no início da década 70 do século XX, em plena ditadura, pelo então presidente Médici (que já fazia parte das estruturas criadas para dar suporte à imposição da chamada "Revolução verde", agricultura altamente mecanizada, que por sua vez impôs sobre a agricultura o lixo da 2ª Grande Guerra, incluindo, além de máquinas pesadas, armas químicas que foram transformadas em agrotóxicos) segue ainda hoje cumprindo o papel de criar condições para o avanço do Capital na agricultura, na qual umas poucas empresas lucram, melhor dizendo, furtam, e o conjunto da sociedade fica com os problemas gerados, sejam eles sociais, ambientais e até mesmo econômicos. Injustamente é a estrutura do Estado, que se diz Democrático de Direito, atuando em favor do Agronegócio e consequentemente em favor do beneficio das empresas transnacionais que dominam a produção e comercialização de agrotóxicos. 
6 - Vamos deixar o Brasil se tornar a maior lixeira tóxica do mundo? O Brasil já é o campeão mundial no uso e consumo de agrotóxico. Confira o Filme-documentário “O Veneno está na mesa”, do diretor Sílvio Tendler. Por esse motivo, o deputado federal Padre João (do PT) está travando uma batalha na Câmara Federal contra o uso de agrotóxicos.
7 – É inadmissível que a EMPRAPA continue com projetos de melhoramento na produção agropecuária que fortalecem os projetos das empresas transnacionais, agridem o meio ambiente e adoecem o povo brasileiro. A coluna mestra da EMBRAPA deve ser pesquisar nas áreas de agricultura familiar, com adubação orgânica. A EMBRAPA precisa assimilar em todas suas pesquisas o paradigma da Agroecologia. Só assim estará contribuindo para que a saúde se difunda por todo Brasil. 
Enfim, quase todos os venenos devem ser proibidos. O uso deles só é tolerável como exceção e não como regra geral, o que lamentavelmente vem acontecendo. Roundup e muitos outros agrotóxicos são desenvolvidos para matar, não fazem parte da ética da vida.  Há uma aliança macabra não confessada entre o agronegócio e a indústria farmacêutica. Produz-se alimentos envenenados para adoecer as pessoas e, assim, jogá-las nas garras da indústria farmacêutica que é a segunda que mais lucra, melhor dizendo, furta - após a indústria bélica. Em nome da Campanha da Fraternidade sobre Saúde Pública repudiamos a liberação do glifosato para a mandioca e todos os seus derivados. 
Frei Gilvander é padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor Teologia Bíblica; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.brwww.gilvander.org.brwww.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira
Fonte:http://eranordeste2012.blogspot.com.br/2012/03/embrapa-servico-da-monsanto-e-das.html

O Veneno Está na Mesa - Vale a pena ver de novo!!!!