terça-feira, 22 de outubro de 2013

Diálogo entre saberes na luta contra agrotóxicos





Fortaleza, Ceará, vai receber o EncontroInternacional Ecologia de Saberes: construindo o dossiê sobreimpactos dos agrotóxicos na América Latina de 22 a 25 de outubro de 2013. A abertura acontecerá com a palestra do Prof Boaventura de SousaSantos, as 18h, na Concha Acústica, com o apoio da Pro-reitoria de Extensãoda UFC.
O Encontrobusca desenvolver métodos que permitam o diálogo entreos saberes científico e popularna produção de conhecimento para uma ciência crítica e emancipatória, construída por pesquisadores, trabalhadores ou gestores dos serviços públicos de saúde e militantes de movimentos sociais camponeses da América Latina.
Para maiores informaçõesacessar olink http://saudecampofloresta.unb.br 
Fonte: Pró-reitoria deExtensão


Vídeo – Brasil Agroecológico

Vídeo produzido para o lançamento do Brasil Agroecológico – Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica que tem como principal missão articular políticas e ações de incentivo ao cultivo de alimentos orgânicos e com base agroecológica e representa um marco na agricultura brasileira.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Amazônia: Caravana Agroecológica começa amanhã (22 de outubro)


21/10/2013
A Caravana Agroecológica e Cultural de Santarém será realizada nos dias 22 a 25 de outubro, com a participação de cerca de 100 pessoas e dois roteiros envolvendo sete comunidades: um passa pela ReservaExtrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e o outro pela Floresta Nacional do Tapajós (Flona), incluindo a BR-163 e o município de Belterra.

O evento é uma das etapas preparatórias do III Encontro Nacional de Agroecologia que será realizado em maio de 2014 em Juazeiro, na Bahia. A interlocução entre agroextrativistas, agricultores, lideranças dos movimentos sociais do campo e organizações da sociedade civil de todas as regiões do Brasil faz parte da metodologia da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), que busca agir politicamente a partir das práticas e desafios dos agricultores e agricultoras nos territórios.

ATUALIDADE - A Caravana Agroecológica e Cultural de Santarém ocorre, coincidentemente, na semana seguinte ao lançamento do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – Brasil Agroecológico, que prevê, até o final do ano de 2015, um investimento de R$ 8,8 bilhões em 125 iniciativas. O objetivo é articular políticas e ações de incentivo ao cultivo de alimentos orgânicos e de base agroecológica e a conservação dos recursos naturais. A solenidade realizada durante a II Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário contou com a participação da presidenta Dilma Rousseff e diversos ministros, além de representantes da sociedade civil e parlamentares, no dia 17 de outubro.

“Vamos seguir trabalhando juntos por uma agricultura sustentável, uma vida mais saudável e um campo onde as pessoas gerem renda, emprego e possam criar seus filhos e os jovens possam se manter. O plano não é perfeito, temos que olhar para ele com muito carinho e aperfeiçoá-lo sistematicamente”, destacou a presidenta durante a cerimônia.

Para Fábio Pacheco, coordenador da Associação Agroecológica Tijupá, no Maranhão, o lançamento do Plano é um momento histórico para as organizações que lutam para ampliação das práticas agroecológicas no país. “Sem dúvida é um reconhecimento à agroecologia. Claro que estamos esperançosos em poder ampliar as possibilidades de ação a partir da estrutura do Plano. No entanto, vemos nele muitas limitações. A começar por não explicitar questõescomo a regularização fundiária e a reforma agrária, problemas muito sérios também no contexto amazônico”, comentou por telefone.

No lançamento, Pepe Vargas, ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), anunciou 100 decretos para desapropriações de terras destinadas à reforma agrária até o fim do ano, atendendo 5 mil famílias, e comentou que uma das faces mais importantes do Brasil Ecológico está na área do crédito, onde se concentra a maior parte do investimento (R$ 7 bilhões entre investimentos do MDA e do Ministério da Agricultura). O valor mal, se comparado ao crédito disponível para o agronegócio, é bastante baixo. No plano Safra 2013/2014 foi anunciado que o orçamento da agricultura empresarial será de R$ 136 bilhões.

Na avaliação de Pacheco, da Tijupá, uma questão a ser considerada quanto ao crédito para a agricultura familiar é a dificuldade de acesso pelo agricultores e adequações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Aqui se impõe mais uma vez a questão da regularização fundiária. Sem registro, o acesso ao crédito é limitado. A dificuldade em responder à burocracia é outra barreira para os pequenos agricultores agroecológicos.

Ele comentou ainda que o edital de Assessoria Técnica e Extensão Rural que atenderá a 75 mil agricultores e agricultoras (50% mulheres) é um ponto positivo no Plano. No caso do agroextrativismo, no entando, há previsão para manejo de recursos não madeireiros para 345 famílias, apenas. Pacheco também elogiou o Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica – Ecoforte, que prevê R$ 175 milhões para melhorias na produção e processamento, apoio para acesso aos mercados convencionais, alternativos e institucionais e para ampliação da renda dos agricultores familiares e extrativistas. “É importante partir da lógica de apoio às redes”, destacou, explicando que a venda de produtos e melhoria da renda é um grande desafio em comunidades da Amazônia, inclusive naquelas por onde vai passar a Caravana Agroecológica de Santarém.

CAMINHOS - A visita às comunidades da ReservaExtrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e da Floresta Nacional do Tapajós (Flona)vai permitir conhecer a economia e a vida das comunidades e as experiências que já cumprem papel importante para melhorar as condições de vida na floresta. São exemplos as Oficinas Caboclas (produção de moveis e artefatos com aproveitamento de resíduos de madeira), os micro-sistemas de abastecimento de água, o beneficiamento de produtos da mandioca e do extrativismo, os viveiros de mudas para reposição florestal, entre outros. A oportunidade vai ampliar o debate sobre o novo plano lançado pelo governo federal e também outros programas federais, como o BolsaVerde, que tem impacto sobre a vida dos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas da região.

Na oportunidade, os participantes da caravana também poderão conhecer novos e antigos conflitos territoriais que ameaçam os modos de vida das comunidades, impedindo o avanço da agroecologia. São exemplos, o projeto de construção de usinas hidrelétricas no Tapajós, o interesse os projetos das empresas de mineração na região, a expansão da fronteira agrícola na Amazônia, incluindo questõescomo o escoamento da produção de soja e a ação das madeireiras. Outro tema importante são as vitórias e desafios das comunidades para gestão de seus territórios.

De volta a sede do município de Santarém será realizado um seminário de encerramento com debates sobre Os Desafios do Agroextrativismo na Amazônia e sobre Economia Verde e Serviços Ambientais (PSA).

As entidades responsáveis pela organização da Caravana são: Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária (CEAPAC), Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém, Terra de Direitos, Casa Familiar Rural de Santarém (CFR), FASE e Associação Agroecológica Tijupá.

*Com informações de Eduardo Sá, da Articulação Nacional de Agroecologia.

- Mais sobre o lançamento do Brasil Agroecológico
- Mais sobre as Caravanas no site da Articulação Nacional de Agroecologia



Enviado por Letícia Tura - FASE Solidariedade e Educação

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Agroecologia na Amazônia


Agricultura que preserva a floresta 
motiva Caravana à Amazônia

Agroextrativistas, agricultores, lideranças dos movimentos sociais do campo e organizações da sociedade civil de todas as regiões do Brasil viajarão a comunidades de Santarém para descobrir o que significa fazer agroecologia na floresta Amazônica.

A Caravana Agroecológica e Cultural de Santarém será realizada nos dias 22 a 25 de outubro, com a participação de cerca de 100 pessoas e dois roteiros envolvendo sete comunidades: um passa pela Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e o outro pela Floresta Nacional do Tapajós (Flona), incluindo a BR-163 e o município de Belterra.

A visita vai permitir conhecer a economia das comunidades, seus projetos para melhorar as condições de vida na floresta – como as Oficinas Caboclas (produção de moveis e artefatos com aproveitamento de resíduos de madeira), micro-sistemas de abastecimento de água, beneficiamento de produtos da mandioca e do extrativismo, viveiros de mudas para reposição florestal, entre outros. Debaterão com os povos da floresta – indígenas, ribeirinhos, quilombolas - os impactos de programas federais, como o Bolsa Verde.

Na oportunidade, os participantes da caravana também poderão conhecer novos e antigos conflitos territoriais que ameaçam os modos de vida das comunidades, impedindo o avanço da agroecologia. São exemplos, o projeto de construção de usinas hidrelétricas no Tapajós, o interesse os projetos das empresas de mineração na região, a expansão da fronteira agrícola na Amazônia, incluindo questões como o escoamento da produção de soja e a ação das madeireiras. Outro tema importante são as vitórias e desafios das comunidades para gestão destes territórios.

De volta à sede do município de Santarém será realizado um seminário de encerramento com debates sobre Os Desafios do Agroextrativismo na Amazônia e sobre Economia Verde e Serviços Ambientais (PSA).

As entidades responsáveis pela organização: Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária (CEAPAC), Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém, Terra de Direitos, Casa Familiar Rural de Santarém (CFR), FASE e Associação Agroecológica Tijupá.

Esta caravana faz parte da mobilização do movimento pela agroecologia no Brasil para a construção do III Encontro Nacional de Agroecologia, a ser realizado em 2014.

Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) é uma rede que reúne centenas de outras redes e organizações de todo o Brasil, interessadas em promover a agroecologia, baseada na produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, mantendo o equilíbrio entre os homens e mulheres e com a natureza, a partir do fortalecimento de sujeitos políticos e da sua atuação política.

Para tal, a articulação preocupa-se com a construção da autonomia dos povos e comunidades, considerando uma diversidade de temas tais como a posse da terra e os direitos territoriais; a sade; a soberania e segurança alimentar e nutricional; proteção, manejo e conservação dos recursos naturais; o acesso a mercados e o direito trabalho; a conservação da agrobiodiversidade e a igualdade de gêneros.

Seguindo a metodologia de outros eventos organizados pela ANA, o objetivo da Caravana Agroecológica e Cultural de Santarém é promover a troca de experiências entre agricultores fortalecendo experiências, a partir do olhar sobre os territórios onde elas acontecem.



No Dia da Agricultura, uma homenagem a Fase e ao Fundo Dema que têm apoiado a agricultura familiar na Amazônia



Viva os nossos camponeses e camponesas, povos indígenas e comunidades quilombolas que garantem na nossa mesa a diversidade de frutas, legumes e verduras sem agrotóxicos, nossas sementes nativas nutritivas....
Feira agroecológica na Fase Amazônia, em Belém do Pará. Aldebaran Moura, educadora da Fase e Érica Monteiro, da Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (MALUNGU) Foto: Vânia Carvalho

Projeto apoiado pelo Fundo Dema, de criação de abelhas indígenas, nativas, melíponas no Baixo Amazonas.



Projeto de recomposição florestal com espécies nativas da Amazônia no Trairão, região do Fórum dos Movimentos Sociais da BR 163, também apoiado pelo Fundo Dema.

O Fundo Dema está completando 10 Anos de Resistência e Luta Por Justiça Ambiental na Amazônia.







segunda-feira, 9 de setembro de 2013

“Queremos o direito de viver, de criar nossos filhos, de trabalhar. Não queremos morrer afogados"(liderança indígena).

Foto:Vânia Carvalho, Santarém 2013

Hidrelétricas no Tapajós. Carta de Santarém
Publicamos a seguir a Carta de Santarém, fruto da audiência pública, realizada no dia 30 de agosto de 2013.
"Vamos enviar cópias às Comissões de Direitos Humanos da OEA, ONU, MPF, Presdiente Dilma e seus associados. É nosso grito de resistência que vai se aprofundando na medida em que mais pessoas e organizações sociais vão tomando consciência de sua dgnidade ultrajada pelo governo dito democrático. A falta de sensibilidade e respeito do governo federal, com a conivência de governos estaduais, muncicipais, poderes legislativos e empresariais terão que encontrar resistência firme nos povos tapajônicos", escreve Edilberto Sena, membro do Movimento Tapajós Vivo e da Comissão diocesana de Justiça e Paz de Santarém.
CARTA DE SANTARÉM
Nós da sociedade civil organizada de Santarém e região, povos e comunidades tradicionais, reunidos em Audiência Pública, realizada em Santarém - PA, no dia 30 de agosto de 2013, convocada pela OAB - Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção Santarém e pelos Movimentos Sociais da região, com o tema: HIDRELÉTRICAS NO TAPAJÓS: PERSPECTIVAS E IMPACTOS, por meio desta carta, manifestaram que NÃO CONCORDAMOS COM A CONSTRUÇÃO DAS HIDRELÉTRICAS NO RIO TAPAJÓS!
Na Audiência Pública representantes da Eletrobrás/Eletronorte e de empresas contratadas para a realização do empreendimento, tentaram convencer que as hidrelétricas na Bacia do Rio Tapajós são uma necessidade para o Brasil. Cerca de 180 participantes, vindos de terras indígenas, comunidades rurais e cidades da região, aprenderam detalhes da perversidade do plano do Governo Federal para barramento do Rio Tapajós e seus afluentes. Os argumentos dos representantes do governo revelaram que as hidrelétricas seriam construídas em sacrifício dos povos e comunidades tradicionais e em beneficio de uma pequena elite de grandes empreiteiras e mineradoras.
Questionados sobre a invasão do governo nos territórios Munduruku e nos territórios tradicionalmente ocupados, com aparato militar em operação de guerra, os representantes do governo e seus técnicos contratados responderam que é “apenas” uma questão de “discreta e democrática” proteção ao trabalho de pesquisa para o EIA/RIMA esperado pelo IBAMA. No entanto, para os representantes dos povos e comunidades tradicionais presentes isso é uma agressão arbitrária e intimidatória. Em resposta, manifestaram-se representações dos povos e comunidades Tradicionais:
“Vocês são um bando de covardes, pois entram em nossa casa. Vocês têm medo de nós. Nós não somos ameaça. Vocês são ameaça, pois só estamos defendendo o que é nosso.”(liderança Munduruku).
“Estamos representando mais de 20 mil pessoas da RESEX Tapajós-Arapiuns. Viemos aqui dizer que não queremos as hidrelétricas, não precisamos dessas hidrelétricas.” (liderança ribeirinha).
“Queremos o direito de viver, de criar nossos filhos, de trabalhar. Não queremos morrer afogados. O recado está dado: Nós vamos resistir até o fim. A luta continua!”(liderança indígena).
“Vamos lutar até a morte para não acontecer essas hidrelétricas. Ninguém é bandido, nós ficamos espantados com tanta policia.” (liderança beiradeira).
As falas aqui transcritas manifestam a indignação da população do Tapajós, agredida, porém resistente frente à ofensiva que está acontecendo de maneira violenta e autoritária.
Denunciamos o claro descumprimento da Constituição Federal e da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. O Brasil assumiu o compromisso de realizar consultas prévias em qualquer projeto ou decisão de governo que venha a afetar, modificar, de forma permanente e irreversível, a vida de povos indígenas, tribais e tradicionais. Trata-se, portanto, de um direito constituído que tem sido violado pelo governo por meio de decisões autoritárias de membros do judiciário.
Em vergonhosa e covarde afronta à dignidade dos indígenas e à seriedade do Estado brasileiro, os mais de 140 índios presentes em uma reunião em Brasília, em junho de 2013, ouviram do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República que: “mesmo após consulta pública, os índios não terão poder de veto à construção das hidrelétricas”.
A autoritária e equivocada política energética do governo brasileiro oprime os povos indígenas e as organizações da sociedade que estão cientes de seus direitos e das obrigações do Estado. As ações do governo brasileiro tem sido típicas de regimes totalitários e ditatoriais que,recentemente, levaram à morte dois indígenas (Munduruku e Terena) e instalaram um clima de terror em seus territórios.
Ao mesmo tempo em que denunciamos as arbitrariedades do Governo Federal, que impõe seu projeto de crescimento econômico a qualquer custo e sem respeito aos direitos humanos dos povos do Tapajós, manifestamos completa rejeição à implantação de hidrelétricas, as quais trarão impactos irreversíveis aos povos e à natureza na região do Tapajós.
Requeremos do Supremo Tribunal Federal que exija da presidência da república o respeito aos direitos humanos como manda a Constituição Federal, como a consulta prévia antes de iniciar obras de tão grandes  impactos como as hidroelétricas na bacia do Tapajós que ameaçam de forma irreversível os ciclos naturais das áreas de maior biodiversidade do planeta. Solicitamos também aos órgãos de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos - OEA e da Organização das Nações Unidas - ONU que intervenham junto ao Governo Federal brasileiro por desrespeitar tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.
Santarém, Pará, 30 de agosto de 2013.

1. Associação Comunitária de Montanha e Mangabal
2. FAMCOS
3. International Rivers
4- Movimento Tapajós Vivo - MTV
5- Centro de Estudo, Pesquisa e Formação dos Trabalhadores do Baixo Amazonas – CEFTBAM
6- Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP/Santarém
7- Projeto Saúde e Alegria - PSA
8- Colônia de Pescadores Z- 20
9- Comunidade Indígena de Pinhel – Rio Tapajós IAPAPI
10- Movimento de Trabalhadores por Luta e Moradia – MTLM
11- Associação indígena Pahyhyp - ITAITUBA
12- GCI/CITA
13- Grupo de Defesa da Amazônia-GDA
14- Movimento Salve o Juá
15- Associação Maira – Resex Tapajós
16- Ecotore
17- FAOR
18- OAB sub seção Santarém
19- CEAPAC
20- Movimento Roda de Curimbó
21- Associação da Comunidade de Nuquini – Tapajós
22- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém
23-ASBAMA
24- SINSOP
25- Associação Irmã Dulce
26- UES

domingo, 11 de agosto de 2013

O que é e o que não é sustentabilidade segundo Capra


Foto:Vânia Carvalho

Por Leonardo Boff
FRITJOF CAPRA é um dos pensadores mais importantes no campo da ecologia entendida como novo paradigma. Amigo e interlocutor, juntos temos acompanhado o grande projeto CULTIVANDO AGUA BOA da Itaupu Binacional que ele considera como um dos experimentos ecológicos mais bem sucedidos do mundo. Ofereceu-se para escrever o prefácio do livro que escrevi com o pedagogo/cosmólogo Mark Hathway, O Tao da Libertação:explorando a ecologia da transformação, Vozes 2012. Publicamos aqui o resumo desta conferencia dada no Brasil nos inícios de julho  porque esclarece este conceito tão usado e tão mal compreendido: sustentabilidade. Seus livros  ‘O Tao da Física’ e ‘Teia da Vida’ são fundamentais para entender as posições mais avançadas e cientificamente mais bem fundadas da ecologia. A reportagem foi publicada no site Carbono Brasil, 08-08-2013 e no IHU de 10/08/2013: Lboff
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Começa Capra dizendo que conceito de sustentabilidade, que tem assumido diversas formas desde a sua concepção na década de 1980.
“Não é o que os economistas gostam de falar – sobre crescimento econômico e vantagens competitivas”, colocou. “Uma comunidade sustentável deve ser desenvolvida de forma que a nossa forma de viver, nossos negócios, nossa economia, tecnologias, e estruturas físicas não interfiram na capacidade da natureza de sustentar a vida. Devemos respeitar e viver de acordo com isto”.
Os primeiros passos para tal seriam entender como a natureza sustenta a vida, isso envolve toda uma nova compreensão ecológica, um pensamento sistêmico, explica Capra.
“Não podemos mais enxergar o universo como uma máquina, composta de blocos elementares. Descobrimos que o mundo material é principalmente uma rede inseparável de relações. O planeta é um sistema vivo e auto-regulado. A evolução não é uma luta competitiva pela existência, mas sim uma dança cooperativa.”
Nesta nova ênfase na complexidade, as redes são o padrão básico da organização dos seres vivos. Os ecossistemas são uma rede de organismos, por exemplo. Para compreender as redes, Capra explica que precisamos pensar em termos de relacionamentos, de padrões.
“Isto é o pensamento sistêmico. É compreender que a natureza tem sustentado a ‘Teia da Vida’ por milhões de anos e que para isto são necessários ecossistemas e não apenas organismos ou espécies.”
Foto:Vânia Carvalho

Alfabetização Ecológica
Nas próximas décadas, a sobrevivência da humanidade vai depender da nossa capacidade de entender os princípios básicos da ecologia e de viver de acordo com eles, ressalta o físico. Isso significa que a alfabetização ecológica precisa se tornar um campo crítico para políticos, líderes empresariais e profissionais de todas as áreas, além de ser a parte mais importante da educação em todos os níveis.
“Quando pensamos sobre os maiores problemas, o surpreendente é que estão interconectados. Não temos apenas uma crise econômica, ou ecológica, ou de pobreza, ou financeira, elas estão todas conectadas. Esses problemas não podem ser compreendidos isoladamente. São sistêmicos, interdependentes e precisam de soluções correspondentes”.
Capra elogiou o Programa Água Boa, desenvolvido pela Itaipu Energia, classificando a iniciativa como um “exemplo muito bonito de solução sistêmica”.
“Analisando os problemas atuais dessa forma sistêmica, podemos constatar que a questão subjacente é a ilusão que o crescimento infinito pode continuar em um planeta finito. Os economistas, com o seu pensamento linear, parecem não entender”, lamenta o físico.
“Nosso sistema econômico é movido pela ganância e pelo materialismo, pensando que não há limites. Isto resulta nas diferenças imensas entre o preço de mercado e o verdadeiro custo, como é visto com os combustíveis fósseis. Ouvimos sobre o gás de xisto e o novo processo de ‘fracking’ – ouvimos que é muito barato, mas o fato é que devasta o ambiente e é tóxico para as pessoas (..) O pensamento linear leva a concluir que o xisto é muito barato, mas se pensarmos nisso sistemicamente, ele é muito caro e perigoso”, explica Capra.
“No centro da economia global está uma rede de crescimento financeiro, criado sem qualquer enquadramento ético. Hoje, se você é especulador pode investir em qualquer projeto ao redor do mundo e computadores levam uma fração de segundo para movimentar dinheiro. O único critério é lucrar (..) não há critérios éticos envolvidos nesta economia global. Exclusão social e desigualdades são elementos inerentes desta globalização.”
O crescimento indiscriminado é na verdade “uma doença”, nota, completando que o desafio elementar é como mudar do crescimento ilimitado para um sistema ecologicamente sustentável e socialmente justo.
Foto: Vânia Carvalho

Crescimento qualitativo
Para Capra, o crescimento zero não é a resposta, pois crescer é uma característica central da vida.
“Na natureza o crescimento não é linear e ilimitado. Em um ecossistema, uns crescem mais, outros declinam e assim reciclam seus componentes, que se tornam recursos para um novo crescimento. Há um crescimento multifacetado, qualitativo, que contrasta com o quantitativo pregado atualmente por economistas”.
Assim como outros grandes pensadores, Capra questiona o uso preponderante Produto Interno Bruto (PIB) para medir a saúde dos países.
Custos sociais como acidentes, guerras, mitigação e cuidados com a saúde são adicionados e aumentam o PIB e o fato que o seu crescimento pode ser patológico raramente é citado por economistas, alerta.
“Esse reconhecimento da falácia do crescimento econômico é essencial. É o primeiro passo para superar a atual crise econômica global (..) Grande parte do que se chama de ‘crescimento’ é lixo e destruição.”
O verdadeiro crescimento, explica, melhora a qualidade de vida e aumenta a sua complexidade, sofisticação e maturidade.
“Isto faz parte de uma mudança de paradigma de quantidade para qualidade. O crescimento qualitativo é consistente com a nova concepção científica da vida”, explica. “Não se pode medir a natureza de um sistema complexo, como os ecossistemas, a sociedade ou a economia, em termos puramente quantitativos.”
Para Capra, a qualidade não pode ser agregada em um único número. “Então, como seria possível promover o crescimento qualitativo? Definitivamente não através do PIB”.
“Precisamos distinguir o bom do ruim para que os recursos naturais presos a processos ruins possam ser direcionados para os eficientes e sustentáveis”, comentou. “O crescimento ruim é aquele que gera externalidades ambientais, econômicas e sociais e o bom envolve processos produtivos mais eficientes, que usam energias renováveis, têm emissões zero, reciclam, restauram ecossistemas e a apoiam as comunidades locais.”
Foto: Vânia Carvalho

Construindo a qualidade
Entender as conectividades dos nossos problemas globais e reconhecer soluções sistêmicas é a primeira lição para construir a qualidade que precisamos hoje para a liderança global, segundo Capra. Outra lição seria a construção de um ‘senso moral’.
A perspectiva sistêmica mostra que dois problemas urgentes, a desigualdade econômica e as mudanças climáticas, resultam da estrutura econômica e corporativa global que não têm ‘senso moral’, nota.
Um exemplo disso são as conclusões de um estudo de 2012 apontando que os ricos globais somam juntos até US$ 32 trilhões. “Se eles tivessem um senso moral e pagassem seus impostos não haveria mais crise. Haveria dinheiro suficiente”, ressaltou Capra.
Outro exemplo citado pelo físico se volta para as conclusões inequívocas da ciência sobre as mudanças climáticas e a necessidade das empresas que exploram combustíveis fósseis de abandonar os planos de exploração de 80% das reservas contabilizadas em seus ativos.
“Elas estão dispostas a fazer isso? As empresas precisam se perguntar: o meu modelo de negócios inclui a destruição do planeta? Ou tem uma alternativa moral?”
Liderança e o Brasil
“Hoje temos conhecimento e tecnologia para a transição para um futuro sustentável, não precisamos dos perigos da energia nuclear e nem de gás de xisto. Podemos ir além dos combustíveis fosseis”, defendeu Capra.
“Precisamos de vontade política e liderança (..) O que em tempos estáveis é diferente do que em tempos de crise ambiental e econômica, que é o que temos hoje. A maioria dos problemas são globais, apesar da demanda por lideranças em nível regional e corporativo, precisamos também de lideranças em nível global”.
Capra ressalta que na atual crise global, o Brasil e a Alemanha estão melhor posicionados do que a maioria dos países.
Ele comentou que nos Estados Unidos, Barack Obama foi eleito com grandes esperanças, mas sucumbiu ao sistema corrupto, e no fim, a riqueza dos pobres está sendo sistematicamente repassada para os ricos. Porém, ele acredita que no Brasil a situação está melhor, apesar da população não estar satisfeita.
“Programas como o Bolsa Família e o Fome Zero reduziram a desigualdade econômica ao retirar milhões de pessoas da pobreza, mas mesmo assim muitos problemas de desigualdade e corrupção permanecem e ainda há muito trabalho a ser feito.”
“O Brasil pode ser um líder global”, ressaltou após assistir apresentações sobre o Programa Água Boa e sobre as ações de sustentabilidade previstas para a Copa de 2014. “Estes são ótimos exemplos de liderança global que precisam ser divulgados. O que pode acontecer no ano que vem, já que todo o mundo vai olhar para o Brasil”.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Alimentos básicos perdem espaço para produtos do agronegócio

Campo de soja em Santarém- no Pará também ocorre o processo de substituição da produção de alimentos regionais por monoculturas de soja e dendê
Foto:Vânia Carvalho- Fase Amazônia/Fundo Dema-10 Anos de Luta e Resistência Por Justiça Ambiental na Amazônia

7 de agosto de 2013

Por Washington Novaes
Do O Estado de S. Paulo
Parece surreal. No dia 27 último, a seção de Esportes deste jornal informava que a nadadora brasileira Poliana Okimoto - que ganhara no Mundial de Barcelona medalha de ouro na maratona aquática de dez quilômetros, além de medalha de prata nos cinco quilômetros e de bronze por equipes - substituiu em sua dieta vários alimentos (glúten, açúcar, feijão, abacate, fermento e chocolate) por tapioca, que lhe dá "energia redobrada".

Dois dias antes o IBGE informara que a produção brasileira de mandioca (de onde vem a tapioca) este ano, 21,4 milhões de toneladas, está 8,4% menor que a do ano passado, quando já havia sido 24,5% menor que a de 2011. Nas lonjuras, o falecido pesquisador Paulo de Tarso Alvim deve estar balançando a cabeça, ele que afirmava, ironicamente, que "se mandioca fosse norte-americana o mundo estaria comendo tapioca flakes e mandioca puffs". Mas esse alimento, o mais adequado para solos brasileiros - não precisa de fertilizantes nem de agrotóxicos - vem perdendo progressivamente espaço para as culturas de grãos exportáveis, além de ter sido muito atingido no Nordeste por problemas climáticos.

E não é só na área da mandioca que estamos penando, no terreno dos alimentos, no Nordeste e fora dele. Estamos com a menor safra de feijão em mais de uma década; importamos (feijão!) mais de 3% do consumo interno; o consumo por pessoa baixou de 18,5 para 16 quilos anuais - e aí também pesam a substituição dos alimentos por culturas de exportação e a perda de espaços pela agricultura familiar, já que 10% das propriedades têm 85% do valor bruto da produção agrícola (Ipea, 7/6) e quase dez vezes mais participação que as pequenas nos R$ 122 bilhões do crédito, segundo os órgãos federais (23/7). Mas as pequenas é que respondem por 70% dos alimentos no consumo interno.

São muitas as aflições nessa área dos alimentos. O Ministério do Meio Ambiente (MMA), por exemplo, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) estão concebendo (MMA, 26/7) um projeto-piloto de uso da terra no Semiárido, que em 2014 começará a ser executado em Sergipe, para ser replicado em outras áreas. O foco estará nos problemas de erosão e esgotamento de nutrientes no solo, que têm forte influência no avanço da desertificação e na produção de alimentos. Segundo o Instituto Nacional do Semiárido, do Ministério da Ciência e Tecnologia, só em 55,2 mil quilômetros quadrados problemáticos vivem 750 mil pessoas, apenas no Sertão do São Francisco (BA) e na região dos Cariris Velhos (PB). No Estado da Paraíba, nada menos de 54% do território sofre com o problema, agravado pela menor infiltração de água em solos compactados por métodos inadequados de cultivo.

Em Gilbués, no Piauí, outra área crítica, a desertificação é acentuada pela infiltração natural a grandes profundidades da água de chuva (pois ali chove 700 milímetros anuais, em média), favorecida pela estrutura geológica. O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) trabalha em projetos nessa e em outras regiões. Além de Gilbués, mais três áreas são consideradas críticas: Irauçuba (CE), Seridó (RN e PB) e Cabrobó (PE). Ao todo, estão ali quase 400 mil pessoas. O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas informa (O Globo, 9/7) que 230 mil quilômetros quadrados de terras foram atingidas "de forma grave" ou "muito grave".

Mas continuamos aferrados a velhas e falsas tentativas de solução - como a transposição de águas do Rio São Francisco - para esse tipo de problema e o de seca, como a que aflige hoje o Nordeste. E que, dizem os meteorologistas, se pode estender até 2015. Segundo o Comitê da Bacia desse rio, "falta planejamento ao governo federal sobre a expansão desordenada da agricultura".

O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou no Dia Mundial da Desertificação (Rádio ONU, 18/6) que "os custos políticos, sociais e econômicos dos problemas gerados pela seca são evidentes, do Usbequistão ao Brasil, da região do Sahel, na África, à Austrália (...). O mundo não pode deixar o futuro secar". E enfatizou ainda que 14% da população global sofre, por essa causa, de insegurança alimentar. Mas não apenas nessas regiões. No ano passado os Estados Unidos tiveram a pior seca em 50 anos; o Chifre da África também, afetando 13 milhões de pessoas. E por aí se entra no terreno das mudanças climáticas, que aceleram a degradação de terras e a desertificação, assim como os conflitos pelo uso da água.

Por aqui continuamos a fazer de conta que o problema da seca, que atingiu mais de 1.400 municípios do Semiárido, está superado, quando ainda prospera em boa parte deles o negócio de vender água levada por caminhões em tonéis, a R$ 5 por 250 litros. Enquanto isso, sobe o orçamento do projeto de transposição do São Francisco, essa "obra absurda", segundo João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco; "um escândalo", nas palavras do professor João Abner, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O primeiro complementa dizendo que a obra "beneficia o grande capital rural e industrial". O segundo acrescenta que "todas as grandes empreiteiras se beneficiam".

E continua longe do ideal o projeto de instalação de cisternas de placa em comunidades isoladas, que tem como objetivo 1,3 milhão de poços. Há poucos dias a Petrobrás anunciou um programa para 20 mil, em 210 municípios. Com os recursos da transposição já poderia haver cisternas construídas em todos os lugares necessitados.

Questões como essa precisam sempre trazer à mente palavras recentes como as do papa Francisco: nada se deve sobrepor aos problemas sociais; a prioridade absoluta é deles. Inclusive no Brasil, onde, pelos critérios da ONU, ainda temos dezenas de milhões de pessoas (boa parte delas no Semiárido) vivendo com renda abaixo da "linha da pobreza", cerca de R$ 100 mensais. Mesmo as que recebem Bolsa Família.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013