domingo, 21 de outubro de 2012

Agriculturas sem venenos: a Agroecologia aponta o caminho



Por Denis Monteiro*
O campo agroecológico brasileiro, mobilizado na Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), pode contar com apoios importantes na sua luta política para mostrar que a Agroecologia é um caminho promissor para o futuro. Vários estudos, realizados por setores da Organização das Nações Unidas (ONU) e por equipes internacionais de pesquisadores independentes, confirmam que sistemas de produção desenhados e manejados de acordo com os princípios da ciência da Agroecologia têm muitas dimensões positivas: altas produtividades por área, estabilidade e resiliência, ou seja, são capazes de resistir a estresses ambientais, chuvas torrenciais e secas, comuns em nossa época de mudanças climáticas. Estes sistemas conservam a biodiversidade nativa e cultivada, usada livremente pelas comunidades, recuperam os solos, protegem e usam com responsabilidade as águas.
Além disso, geram trabalho digno no campo, democratizam a riqueza gerada pela agricultura e atuam na superação da pobreza rural, pois fortalecem a agricultura familiar camponesa e promovem maior autonomia dos agricultores frente aos mercados, seja de insumos, seja na comercialização da produção.
Os estudos mostram também que experiências construídas seguindo os princípios da Agroecologia promovem circuitos curtos de comercialização de alimentos, com muito mais diversidade do que nos impérios alimentares que empobrecem as dietas e fazem a comida viajar grandes distâncias dos campos até os consumidores. Com a Agroecologia é possível produzir alimentos saudáveis, de alto valor biológico, pois cultivados em agroecossistemas cheios de vida, e livres de agrotóxicos e transgênicos.
As pesquisas fortalecem a riquíssima rede que vem sendo tecida com muita sabedoria, garra e organização por agricultores e agricultoras familiares, assentados da reforma agrária, comunidades quilombolas, indígenas, populações tradicionais de extrativistas, castanheiros, seringueiros, quebradeiras de côco babaçu, faxinalenses, gente dos fundos de pasto, vazanteiros, geraizeiros, catadoras de mangaba, ribeirinhos, pescadores, agricultores urbanos, entre outros povos, e as organizações da sociedade civil e de órgãos governamentais que os apóiam e assessoram. Em nosso sistema de informação “Agroecologia em Rede”  temos mais de 700 experiências coletivas cadastradas, e sabemos que esta é uma mostra pequena do que tem espalhado por este país, em todos os ecossistemas e rincões. Outra mostra muito rica e significativa dessa diversidade está na revista “Agriculturas: experiências em Agroecologia”, editada desde 2004 pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.
Evidências: enfrentando os mitos
No Rio Grande do Sul, onde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) trabalha há 12 anos com a produção de arroz ecológico, somente numa região, na safra 2010/2011, foram colhidas 344 mil sacas de arroz ecológico em 3.000 hectares (ha), envolvendo 16 assentamentos de reforma agrária em 11 municípios. Sem nenhuma gota de veneno, usando fertilização orgânica e criando peixes nos campos de arroz.
No Maranhão, sistemas tradicionais de arroz de vazante em assentamentos alcançam produtividade média de 5.840 kg/ha, mais do que o dobro da produtividade da região nordeste, sem o uso de agroquímicos. Alguns agricultores tiveram, em pequenas áreas cultivadas (0,3 a 0,6 ha), produtividade de 14 ton/ha.
Pesquisas com feijão comum (Phaseolus vulgaris) em sistemas agroecológicos com variedades crioulas, desenvolvidas pela Embrapa Arroz e Feijão, em Goiás, apontam uma produtividade 2,4 ton/ha. No Paraná, a produtividade média do feijão em sistemas agroecológicos avançados é de 3 ton/ha.
Também no Paraná, sistemas agroecológicos alcançam a produtividade de 9 ton de milho por hectare, utilizando adubação verde, fertilização com matéria orgânica e pós de rocha, e variedades crioulas.
Estes dados mostram como a produtividade da terra em sistemas agroecológicos é satisfatória, na maioria dos casos superior ao manejo agroquímico, mesmo se considerada apenas uma cultura. Em todos os casos, os custos de produção, com insumos de fora das unidades produtivas, é muito menor nos sistemas agroecológicos do que nos convencionais. Nestes, a tendência é de aumento dos custos de produção e diminuição da produtividade, porque os insumos estão ficando mais caros e porque os agroecosssistemas vão perdendo fertilidade. Como dizem os agricultores, a terra vai ficando fraca, vai cansando. Em sistemas agroecológicos, acontece exatamente o contrário.
Mas os dados levantados acima deixam de fora um aspecto muito importante: sistemas agroecológicos trabalham com diversidade, integração de criação animal e cultivos, policultivos e sistemas agroflorestais, além do agroextrativismo dos frutos nativos.
No Agreste da Paraíba, uma pesquisa identificou 55 etnovariedades de tr?s espécies de feijão: comum, de corda (ou macassa) e fava. Nessa mesma região, a partir de critérios estabelecidos pelos próprios agricultores, as variedades locais de milho se mostraram superiores às variedades comerciais desenvolvidas pela Embrapa, em produção de grãos, de biomassa, sabor, resistência a insetos no campo e no armazenamento, entre outros indicadores. A pesquisa foi desenvolvida pela Embrapa Tabuleiros Costeiros em parceria com organizações locais. Na Paraíba, as variedades locais são conhecidas como Sementes da Paixão.
No semiárido brasileiro, desde 2003 foram adquiridas, via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), mais de 536 toneladas de sementes de variedades locais, beneficiando 23.000 famílias. Mas o governo federal insiste em distribuir, no Programa Brasil Sem Miséria, sementes de poucas variedades comerciais, não adaptadas às condições ecológicas e socioculturais locais.
Já experiências com uso de plantas medicinais evidenciam quintais rurais e urbanos com mais de cem espécies, somente de uso medicinal. No cerrado, o conhecimento das populações tradicionais é tão vasto que a Articulação Pacari, que reúne grupos do bioma, organizou uma Farmacopeia Popular do Cerrado. No Rio de Janeiro, há mais de 100 grupos de saúde alternativa organizados na Rede Fitovida, que produzem os remédios caseiros com as plantas cultivadas em sítios e quintais. Além de serem usadas para tratamento humano, em farmácias caseiras e comunitárias que tem impactos muito positivos nas comunidades, as plantas tem também uso veterinário e no combate a insetos e fungos das plantações. Estas experiências são conduzidas em sua ampla maioria por grupos de mulheres.
Trabalhos desenvolvidos na zona da mata de Minas Gerais pelos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) e pelo Centro de Tecnologias Alternativas (CTA), nos “mares de morro”, áreas de relevo acidentado, demonstram o potencial dos sistemas agroflorestais (SAF’s) numa região que tem no café o principal cultivo comercial. Num estudo comparativo, o café produziu, em sistema agroquimico, 34,9 sacos/ha, enquanto o agroflorestal produziu 21,2 sacos/ha. No entanto, apesar da produtividade menor, os custos de café agroflorestal foram três vezes mais baixos, e o SAF produziu ainda outras 33 espécies, para auto-consumo e mercado, o que fez com que o saldo econômico do SAF fosse superior ao do café convencional. Os grupos de mulheres da região se organizam para beneficiar a produção e levam os produtos dos quintais e SAF’s, inclusive os de origem animal, para as feiras e mercados da região. Além da motivação econômica, agricultores envolvidos em dinâmicas de intercâmbio optam pelo sistema agroecológico simplesmente porque não querem trabalhar num ambiente com agrotóxicos. Destacam também que a Agroecologia motiva mais a juventude a trabalhar na agricultura.
Estudo feito pela AS-PTA no Paraná em propriedade familiar em estágio avançado na transição agroecológica demonstra que os rendimentos brutos de feijão, milho, arroz e mandioca foram muito superiores aos sistemas convencionais da região e que, mesmo no caso da batata, onde a produção total foi menor, a rentabilidade econômica foi muito maior, em função da maximização dos fluxos de insumos internos aos agroecossistemas e dos menores custos de produção. Isso sem contar na maior diversidade de produção para auto-consumo.
No município de Anita Garibaldi, em Santa Catarina, a Associação de Agricultores Ecologistas promoveu a diversificação da produção das 42 famílias associadas, das quais 20 comercializaram, em 2010, R$ 125 mil via PAA e R$ 80 mil pelo Programa de Alimentação Escolar. Já as famílias feirantes tem uma renda média de R$ 700,00 por semana. Segundo relatam os agricultores, a renda melhorou muito entre os membros da Associação: “Quando só plantávamos milho e feijão tínhamos uma renda muito apertada para passar o ano. Agora temos também a couve, os ovos, o tomate, o leite, o mel e o melado, outras hortaliças… essa renda complementar ajuda muito e esse processo todo educou o agricultor para isso”.
Política: o desafio principal
A Agroecologia, como ciência que aplica os princípios da ecologia para o desenho e manejo de agroecossistemas sustentáveis, e como campo político que tem propostas alternativas concretas para a agricultura e o desenvolvimento rural, tem que enfrentar mitos e construções ideológicas erguidos pelo agronegócio. Este, para legitimar-se na sociedade como único caminho possível, desqualifica o enfoque agroecológico e a agricultura familiar como atrasados e incapazes de alimentar o mundo e promover desenvolvimento.
Justamente o agronegócio, modelo que tem gerado uma crise socioambiental de proporções gigantescas em todo o mundo, com expulsão das populações de seus territórios, desmatamentos, assoreamento de rios e nascentes, erosão e privatização das sementes, queima desenfreada de combustíveis fósseis provocando mudanças climáticas, degradação dos solos e uso massivo de agrotóxicos, agora quer apresentar suas novas propostas para, com “mais do mesmo”, resolver os problemas que ele mesmo causou .
Nos apresentam os transgênicos com a propaganda de que são a solução para a fome no mundo, dizem que é preciso privatizar a água, pois se não haverá escassez, destróem a legislação ambiental para desmatar mais e assim “produzir alimentos para o mundo”, dizem que agrotóxico é necessário para não faltar comida, e que comida deve ser comprada nos hipermercados.
É claro, às corporações que vendem sementes e venenos, aos hipermercados multinacionais, peças essenciais dos impérios alimentares, e aos latifundiários, este modelo convém perfeitamente. Os prejuízos ficam com os setores mais pobres da sociedade, com o povo que é expulso do campo e mora em condições precárias nas cidades, com o trabalhador que morre lentamente com uma bomba de veneno nas costas, com o sistema público de saúde que tem que cuidar do povo doente pelos alimentos e águas contaminados.
Talvez, para o agronegócio, a agroecologia tenha muitos pecados, para usar a excelente expressão de Eric Holt-Gimenez : fortalece a agricultura familiar camponesa, pois democratiza a riqueza gerada na agricultura; diminui a venda de fertilizantes industriais, venenos e sementes transgênicas; exige a reforma agrária, pois não existe agroecologia em latifúndio e monocultivo; ao invés de privatização, promove o uso livre, local, comunitário, democrático, da biodiversidade e das águas; produz alimentos saudáveis melhorando a sáude da população e diminuindo o lucro dos hospitais e das multinacionais do setor farmacêutico; promove circuitos curtos de comercialização de alimentos, contrários aos interesses dos impérios alimentares.
Outro pecado da Agroecologia, muitas vezes apontado por seus críticos, é que ela depende do trabalho de milhões de famílias camponesas, quer um campo com gente, recusa o trabalho alienado, pois exige atenção, cuidado, observação, experimentação, conhecimento profundo dos ecossistemas e respeito à natureza, coisas desconhecidas pela lógica do lucro e da exploração que rege a economia capitalista.
Os principais desafios da Agroecologia, como contraponto ao modelo hegemônico são, portanto, de natureza política. Para enfrentá-los, será necessário muita mobilização e resistência, que sejam fortalecidas e multiplicadas experiências nos territórios, construídas redes solidárias entre o campo e cidade, e que se lute pela democratização do Estado e a construção de políticas públicas capazes de promover a Agroecologia como o enfoque orientador para a agricultura e o meio rural, no Brasil e no mundo.
* Denis Monteiro é Engenheiro Agrônomo, agroecólogo, secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) Texto publicado originalmente no caderno da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida.
http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/210-agriculturas-sem-venenos-a-agroecologia-aponta-o-caminho

sábado, 20 de outubro de 2012

Idec, em parceria com o Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor (FNECDC) divulgam Feiras de Orgânicos no Brasil

Pesquisa - Alimentos Orgânicos

Rota dos orgânicos

IMAGEM DE DESTAQUE
Levantamento do Idec e do FNECDC informa a localização de feiras de alimentos sem agrotóxicos nas 27 capitais do país. Em cinco, porém, não foi encontrada nenhuma


Você consumiria mais alimentos orgânicos se...? Essa pergunta ficou disponível no portal do Idec durante o mês de janeiro. A grande maioria dos internautas que respondeu à enquete (74%) escolheu a opção “se ele fosse mais barato”. Em segundo lugar, com 20% dos votos, veio a opção “se houvesse mais feiras especializadas perto da minha casa”. Apesar de apontarem problemas diferentes, as duas respostas são mais similares do que se imagina. Os alimentos orgânicos, em geral, são mesmo mais caros que os convencionais porque já incorporam o custo da produção sustentável. Mas o valor é especialmente mais alto nos supermercados, como verificou a pesquisa do Idec realizada em 2010 e publicada na edição no 142 da Revista do Idec. Nas feiras especializadas encontram-se os melhores preços, e como identificou o levantamento de 2010, a diferença de valor de um mesmo produto em relação ao supermercado chegava a incríveis 463%! Contudo, nem sempre o consumidor sabe se existem feiras em sua cidade e, quando existem, onde ficam.



Para ajudar nessa tarefa, o Idec, em parceria com o Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor (FNECDC) e outras organizações que apoiam a comercialização agroecológica, pesquisou a existência desses espaçosnas 27 capitais do país e mapeou sua localização, o horário de funcionamento, os principais alimentos comercializados e se havia algum mecanismo que comprovasse sua origem orgânica. Foram identificadas 140 feiras em 22 das 27 capitais avaliadas. Em Boa Vista (RR), Cuiabá (MT), Macapá (AP), Palmas (TO) e São Luís (MA) nenhuma feira foi localizada. O Rio de Janeiro (RJ) é a cidade campeã, com 25 feiras orgânicas e agroecológicas. Brasília (DF) é a segunda, com 20 feiras, seguida por Recife (PE) com 18 e Curitiba (PR) com 16. Pena que elas são exceção, pois a maioria das capitais conta com número bem menor. Maior cidade do país, São Paulo (SP), por exemplo, só tem 9.

Veja abaixo o endereço de todas as feiras em cada cidade


ATENÇÃO! Ajude-nos a manter essa lista atualizada. Se você souber de outras feiras de alimentos orgânicos ativas na sua cidade ou se tiver correções a fazer em alguma das feiras publicadas, escreva para revista@idec.org.br
Fonte:http://www.idec.org.br/em-acao/revista/diferenca-que-incomoda/materia/na-rota-dos-organicos

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Margaret Mee e A Flor da Lua - Trailer

Os jogos da fome


Esther Vivas

A crise alimentar açoita o mundo. Trata-se de uma crise silenciosa, sem grandes anúncios, que não interessa nem ao Banco Central Europeu, nem ao Fundo Monetário Internacional, nem à Comissão Europeia; mas que atinge a 870 milhões de pessoas, que passam fome, segundo indica o relatório "O estado da insegurança alimentar no mundo – 2012”, apresentado no dia 9 de outubro passado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).


Acreditamos que a fome está bem longe de nossos confortáveis sofás; que pouco tem que ver com a crise econômica que nos atinge. Porém, a realidade é bem distinta. Cada vez aumenta mais o número de pessoas que passa fome no Norte. Obviamente, não se trata da mesma fome que atinge aos países da África ou outros; porém, consiste na impossibilidade de ingerir as calorias e proteínas mínimas necessárias; e isso tem consequências sobre nossa saúde e nossas vidas.



Há anos, chegam até nós as terríveis cifras da fome nos Estados Unidos: 49 milhões de pessoas, 16% das famílias, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que incluem a mais de 16 milhões de crianças. Números que o escritor e fotógrafo David Bacon põe rosto em seu trabalho 'Hungry By The Numbers' (Famélicos segundo as estatísticas). As caras da fome no país mais rico do mundo.



No Estado Espanhol, a fome converteu-se também em uma realidade tangível. Sem trabalho, sem salário, sem casa e sem comida. Assim estão muitíssimas pessoas golpeadas pela crise. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2009, calculava-se que mais de 1 milhão de indivíduos tinham dificuldades para consumir o mínimo necessário. Hoje, a situação, ainda sem cifras, é muito pior. As entidades sociais estão superlotadas; e nos últimos dois anos, duplicaram-se as demandas de ajuda por falta de alimentos, para comprar remédios etc. E, segundo informa a organização Save the Children, com cifras de 25% de pobreza infantil, cada vez são mais as crianças que comem somente uma vez ao dia, no restaurante escolar e graças a bolsas de estudo, devido a dificuldades econômicas enfrentadas por suas famílias.



Por isso, não é de se estranhar que, inclusive, o prestigiado jornal estadunidense, The New York Times, publicara, em setembro de 2012, uma galeria fotográfica de Samuel Aranda, ganhador do World Press Photo 2011, que, sob o título 'In Spain, austerity and hunger' (Na Espanha, austeridade e fome) retratara as consequências dramáticas da crise para milhares de pessoas: fome, pobreza, despejos, paralisações...; mas, também, muita luta e mobilização. O Estado Espanhol conta com as taxas de pobreza mais elevadas de toda a Europa, ficando atrás somente da Romênia e da Letônia, segundo um relatório da Fundação Foessa. Uma realidade que se impõe e vem a público, apesar de que alguns a querem silenciar.



A crise econômica, por outro lado, está intimamente ligada à crise alimentar. Os mesmos que nos conduziram à crise das hipotecas subprime, que originou o estouro da "grande crise”, em setembro de 2008, são os que, agora, especulam com as matérias primas alimentares (arroz, milho, trigo, soja...), gerando um aumento significativo de seus preços e convertendo-as em inacessíveis para grandes camadas da população, especialmente nos países do Sul. Fundos de investimento, companhias de seguros, bancos... compram e vendem ditos produtos nos mercados de futuros com a única finalidade de especular com os mesmos e fazer negócio. O que existe de mais seguro para investir do que a comida, se todos temos que comer a cada dia...?



Na Alemanha, o Deutsche Bank anunciava lucros fáceis para quem investia em produtos agrícolas no auge. Negócios similares eram propostos por outro dos principais bancos europeus, o BNP Paribas. O Barclays Bank ingressava, em 2010 e 2011, quase 900 milhões de dólares por especular com a comida, segundo dados do World Development Movement. E não temos porque ir muito longe. Catalunya Caixa oferecia a seus clientes grandes benefícios econômicos a custa de investir em matérias primas sob o slogan: "depósito 100% natural”. E o Banco Sabadell contava com um fundo especulativo que operava com alimentos.



Apesar de tudo que falam, a fome não tem tanto a ver com secas, conflitos bélicos etc.; mas com os que controlam e ditam as políticas agrícolas e alimentares e em mãos de quem estão os recursos naturais (água, terra, sementes...). O monopólio do atual sistema agroalimentar por um punhado de multinacionais, com o apoio de governos e instituições internacionais, impõe um modelo de produção, distribuição e consumo de alimentos a serviço dos interesses do capital. Trata-se de um sistema que gera fome, perda da agrodiversidade, empobrecimento camponês, mudança climática... e onde se antepõe o lucro econômico de uns poucos às necessidades alimentares de uma grande maioria.



‘Os jogos da fome’ era o título de um filme de ficção dirigido por Gary Ross, baseado no Best-seller de Suzanne Collins, onde uns jovens, representando suas comunidades, tinham que enfrentar-se para alcançar o triunfo e ganhar comida, bens e presentes para o resto de suas vidas. Às vezes, a realidade não está muito distante da ficção. Hoje, alguns "jogam” com a fome para ganhar dinheiro.


*Esther Vivas, membro de Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales (CEMS) UPF. Tradução: Adital.

sábado, 6 de outubro de 2012

Movimento Slow Food estimula alimentação saudável e ambientalmente responsável



Karol Assunção
Jornalista da Adital

Você se alimenta bem? Sabe de onde vem e como é produzido o alimento que você consome? Na correria do cotidiano, muitas pessoas acabam pulando refeições ou recorrendo aos chamados fast foods (comida rápida). Para contrapor essa forma de se alimentar e alertar a população para a importância de ter uma alimentação saudável e que respeite a biodiversidade local, surgiu, em 1989, o Slow Food (comida lenta).

O movimento, inicialmente organizado na Itália, cresceu e hoje já conta com mais de 100 mil adeptos/as em cerca de 150 países do mundo. A ideia é promover uma maneira de se alimentar saudável e saborosa, respeitando a oferta de produtos regionais e servindo como reflexão e oposição ao modo rápido de viver e de comer.
O Slow Food trabalha com a perspectiva de que o alimento deve ser bom, limpo e justo. Ou seja, a comida deve ser saborosa, respeitar o meio ambiente, e ter preços justos tanto para produtores/as como para consumidores/as.
A busca é por alimentos orgânicos, sem agrotóxicos, e de preferência regionais e que estejam no período de colheita. O objetivo é ter uma alimentação saudável que respeite o meio ambiente e ainda promova hábitos e formas de se alimentar tradicionais, com a diversidade de sabores e de modo de preparo.
"Slow Food defende as diferenças culturais territoriais e regionais, intimamente ligadas a nossa herança alimentar, e revaloriza a história e a cultura de cada grupo social para que possam existir redes de troca recíprocas equilibradas”, destaca o guia Bem-Vindos a Nosso Mundo, que apresenta o movimento.
No Brasil, o Slow Food começou no ano 2000, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), e hoje já está presente nas cinco regiões do país através de 31 grupos locais (também chamados de convivias) que estimulam a produção e o consumo de alimentos regionais. Além de projetos e campanhas, o movimento elabora guias e livros com receitas e dicas para uma boa alimentação.
Exemplo disso é o guia lançado em junho deste ano com dicas de restaurantes e bares do Rio de Janeiro (RJ) que levam em consideração os princípios do Slow Food. Além disso, apresenta projetos e feiras na cidade que também abraçam a filosofia do movimento.
Evento mundial

Neste mês, adeptos/as de várias partes do mundo se encontrarão na Itália para o encontro Salone del Gusto e Terra Madre. Considerado o "maior evento do Slow Food”, o encontro ocorrerá entre os dias 25 e 29 de outubro, em Turim, na Itália. Serão cinco dias de feiras, debates, oficinas, degustações e conferências com a participação de pesquisadores/as, produtores/as e chefs de cerca de 170 países do mundo.
Com o lema "Alimentos que transformam o mundo”, o evento ainda pautará temas como: soberania alimentar, mudança climática, povos indígenas, lutas contra os transgênicos, relação entre produtor e consumidor, e biodiversidade.
Para mais informações, acesse: http://salonedelgustoterramadre.slowfood.com/
Enviado por Adital:http://www.adital.com.br/jovem/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=71078

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Butão e a agricultura orgânica




Escrito por Marcus Eduardo de Oliveira   
Terça, 02 de Outubro de 2012
Imaginemos um lugar no mundo em que a taxa de analfabetismo seja zero, onde não haja problemas de mendicância e nem registros de corrupção, e onde suas florestas, ocupando 80% do território, sejam preservadas. Imaginemos um lugar em que o sistema de produção agrícola não faça uso de fertilizantes sintéticos e nem de agrotóxicos, que não use inseticidas, herbicidas, fungicidas, nematicidas ou adubos químicos; que valoriza e faça uso eficiente dos recursos naturais não renováveis, alinhando os processos biológicos à biodiversidade, respeitando o meio ambiente, revitalizando a natureza em lugar de degradá-la, buscando qualidade de vida, preservando o habitat natural, reciclando os recursos, aplicando os princípios da agroecologia.

Imaginemos um lugar qualquer no mundo que tenha abolido a produção, o consumo público, a venda e a importação de cigarros. Imaginemos um lugar cujo sistema de trânsito seja orientado pelos princípios da boa educação e do respeito dos motoristas aos apitos dos guardas, em lugar dos semáforos. Imaginemos um ponto no mapa, mais precisamente entre as montanhas do Himalaia, entre a China e a Índia, em que a medida usada nesse lugar para calcular o progresso nacional seja a Felicidade Nacional Bruta (FNB - Gross National Happiness).

Pois esse lugar existe. Trata-se do Reino de Butão, um pequeno país com uma área de pouco mais de 38 mil km² e com uma população de 700 mil habitantes, cuja economia se baseia na agricultura de subsistência, no turismo e na venda de energia hidrelétrica para a vizinha Índia.

Butão tem mostrado ao mundo que é possível alcançar padrões de vida sustentáveis e saudáveis. O objetivo agora, depois do inovador método de medir a qualidade de vida por critérios holísticos e psicológicos baseados nos valores budistas, é alcançar, até 2020, 100% de agricultura orgânica. Para isso, desde 2007, o Butão selecionou um conjunto de técnicos e especialistas para estudar métodos de difusão do cultivo orgânico (30% mais valorizado em relação ao convencional) entre os agricultores, além de novas técnicas que tendem a potencializar o uso do solo objetivando a autossuficiência alimentícia.

Na essência, Butão vem demonstrando que é possível produzir valorizando a saúde humana, alinhando-se a um profundo respeito ao meio ambiente. O outro nome disso? Desenvolvimento humano sustentável, ou se preferirem: valorização da vida!

Marcus Eduardo de Oliveira é economista, professor e especialista em Política Internacional pela Universidad de La Habana – Cuba.
Contato: prof.marcuseduardo(0)bol.com.br

Leia mais aqui
Enviado por Marquinho Mota
www.amarcbrasil.org.
www.faor.org.br

O sumiço das abelhas



Estudos feitos na Unesp estão entre os que motivaram o Ibama a suspender o uso de um tipo de inseticida nas lavouras do país. O produto parece estar dizimando as populações deste inseto polinizador, que é peça-chave para a segurança alimentar
A reportagem é de Martha San Juan França; leia trecho abaixo ou clique para versão na íntegra em pdf (+fotos)

Cercado por laranjais e canaviais, o apicultor Sérgio Trevisan enfrenta há pelo menos cinco anos uma luta inglória. Em 2007, foi o primeiro round. “Era abelha morta por todo lado”, conta à reportagem de Unesp Ciência. A causa, ele e os outros apicultores da pequena Tabatinga, cidade da região de Araraquara, no interior paulista, conhecem muito bem: a pulverização aérea das lavouras com defensivos agrícolas conhecidos como neonicotinoides.
“Até entendo que o pessoal tenha necessidade de usar inseticida, mas eles precisam saber que o produto pulverizado por avião ou trator mata tudo quanto é inseto, não só as pragas”, afirma.
Considerados o que há de mais moderno em matéria de controle de insetos na agricultura, os neonicotinoides atacam o sistema nervoso desses bichos. Mas o produto acaba se espalhando pelo ar e se depositando nas flores, onde as abelhas coletam o néctar. “Parte delas morre na porta da colmeia, o restante não dá conta nem de chegar lá”, conta Trevisan.O apicultor procurou os órgãos sanitários e ambientais de Tabatinga, mas não conseguiu comprovar o motivo da tragédia que compromete o seu ganha-pão.
Em agosto passado, Trevisan foi atrás do biólogo Osmar Malaspina, do Centro de Estudos de Insetos Sociais da Unesp em Rio Claro, que estuda a ação desses inseticidas no cérebro das abelhas. Entre 2008 e 2010, Malaspina pesquisou a perda de 10 mil colmeias de Apis mellifera (abelhas africanizadas, com ferrão), mortas por inseticidas na região de Rio Claro. Seus resultados mostraram que em cerca de mil havia vestígios de neonicotinoides.
Segundo o pesquisador, casos como o de Tabatinga se repetem em cidades vizinhas como Brotas, Gavião Peixoto, Boa Esperança do Sul e Iacanga, onde há quase dez anos os fazendeiros lutam contra o “greening”, doença dos laranjais cujo vetor é um pequeno inseto controlado com pulverizações aéreas ou feitas diretamente na planta. Outro agravante foi a proibição da queimada nas plantações de cana. O fogo, que antes afastava qualquer tipo de praga, foi substituído por agrotóxicos.
“Não sou contra o uso de inseticidas, mas devemos estabelecer uma política adequada para que não causem danos”, afirma o pesquisador. Diante das evidências que se acumulam no interior paulista e em outros Estados, ele foi chamado para assessorar o Ibama. Em julho deste ano,o órgão suspendeu temporariamente as aplicações dos neonicotinoides e começou a reavaliar seu uso nas lavouras de todo o país. Três representantes dessa classe de inseticidas estão sob suspeita: imidacloprido, tiametoxam e clotianidina (há ainda um quarto: o fipronil, pertencente a outra classe, a dos fenilpirazois). O primeiro a passar por reavaliação será o imidacloprido, o mais comercializado.
O objetivo dessa reavaliação é definir as medidas que precisam ser adotadas para reduzir os riscos. “Os fabricantes devem apresentar informações adicionais para podermos rever essa suspensão”, diz Marisa Zerbetto, coordenadora de controle ambiental de substâncias e produtos perigosos do Ibama. “É preciso considerar que a aplicação aérea, mesmo quando bem feita, exige muita técnica, sobretudo nos limites da área tratada, para não ocorrer a dispersão na mata nativa.”
A decisão segue diretrizes de políticas públicas do Ministério do Meio Ambiente voltadas para a proteção de polinizadores, o que inclui abelhas, pássaros, borboletas, besouros e morcegos que auxiliam na reprodução das plantas. É também um alerta para a agricultura. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), as abelhas são responsáveis por pelo menos 70% da polinização das culturas que servem à alimentação humana. Seu desaparecimento levaria a perdas de mais de 200 bilhões de dólares por ano.
Segundo Ulisses Antuniassi, pesquisador da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu, no entanto, a medida do Ibama foi unilateral e mal recebida pelos agricultores. Antuniassi propôs recentemente uma escala de classificação de técnicas de aplicação de agrotóxicos para evitar a “deriva do produto”, ou seja, sua disseminação no ambiente, com a contaminação da água, do solo e do ar. “Do ponto de vista biológico, existe um problema que deve ser enfrentado nesse caso”, explica. “Mas antes de proibir um determinado ingrediente ativo é necessário um estudo do impacto no sistema produtivo.”
A decisão do Ibama baseou-se em iniciativas internacionais e em pesquisas realizadas no Brasil, inclusive as da Unesp de Rio Claro. “A maior parte dos produtos aplicados em lavouras de soja, milho, cana ou laranja é altamente tóxica para as abelhas”, afirma Malaspina. “O problema não é só o princípio ativo, mas a forma de manejo e aplicação.” Segundo ele, às vezes o inseticida é liberado apenas para uso direto na planta, mas os agricultores usam avião. Ou é aplicado em doses quatro ou cinco vezes maiores do que as indicadas e em épocas do ano inadequadas.Continue lendo em pdf.

Se é Bayer NÃO é bom!!!!!!!!!!!!!!



Pesticidas da Bayer ameaçam a sobrevivência das abelhas

Gaucho (imidacloprid) e Poncho (clotianidina) são dois dos pesticidas neonicotinóides mais vendidos pela Bayer. Estes produtos ajudam a controlar as pragas nas plantações do mundo inteiro. Em 2010, as vendas de Gaucho chegaram a 820 milhões de dólares, enquanto que Poncho obteve 260 milhões. Infelizmente, o uso de neonicotinóides está acabando com as colméias de abelhas em todo o mundo. Uma pesquisa recentemente publicada no Journal of Experimental Biology, revelou que as abelhas tratadas com imidacloprid sofrem alterações em seu comportamento. As abelhas que entram em contato com o pesticida se convertem em “abelhas que selecionam sua comida” e, ao mesmo tempo, sua capacidade de comunicar as outras abelhas a localização de fontes de comida é reduzida.
Pesquisadores da faculdade de biologia da Universidade da Califórnia, em San Diego, explicaram que as abelhas tratadas com imidacloprid trocaram suas preferências de alimentação. Passaram a se alimentar apenas do néctar mais doce e se negaram a ingerir o néctar menos doce, essencial para o sustento da colônia de abelhas. Os pesquisadores revelaram que as abelhas realizavam uma série de “danças” ao chegar à colméia para indicar a suas companheiras o caminho para a fonte de alimento, mas, as abelhas tratadas com o pesticida reduziram os movimentos realizados ao chegar à colméia.                      
As abelhas que preferem o néctar mais doce reduzem drasticamente a quantidade de recursos que levam a colméia. Além disso, quando as abelhas reduzem suas danças, toda a colméia sofre uma redução de recursos significativa. De acordo com os pesquisadores, as abelhas reduziram a freqüência de suas danças a apenas à quarta ou a décima parte, inclusive, em alguns casos, deixaram de dançar por completo.
James Nieh, professor de biologia na Universidade da Califórnia, San Diego, indicou que “a exposição a quantidades de pesticidas que antes eram consideradas seguras, poderia afetar a saúde das colônias de abelhas”.
Cabe ressaltar que esta não é a única pesquisa que identifica o imidacloprid e clotianidina como um risco para alguns animais. Um relatório apresentado pelas Nações Unidas para o Meio ambiente (PNUMA) identificou que os químicos utilizados pela Bayer não prejudicam somente os insetos polinizadores, mas também afetam gatos, peixes, ratos, coelhos, pássaros e minhocas.
A Bayer produz imidacloprid desde 1991. Em 1999, a França proibiu o uso desse pesticida depois que um terço das abelhas do país morreram devido ao uso generalizado desse agente químico para o controle de pragas. Em 2008, ao sul da Alemanha, dois terços da população de abelhas ao longo do Rin morreram depois que se aplicou clotianidina nos campos de milho dessa zona.
Existem alternativas menos agressivas para cuidar das plantações. Na Holanda, as pragas nos cultivos de tomate são controladas utilizando vespas.
O desaparecimento das abelhas nas colméias é um problema a nível mundial conhecido como Colony Collapse Disorder (CCD), um fenômeno que se caracteriza pelo rápido desaparecimento das abelhas operárias nas colméias.
Fontes:
Las abejas que prefieren el néctar más dulce reducen dramáticamente la cantidad de recursos que llevan a la colmena, además debe considerarse que cuando las abejas reducen sus danzas la colmena completa sufre una reducción de recursos significativo. De acuerdo a los investigadores, las abejas redujeron la frecuencia de sus danzas a solo la cuarta parte o la décima parte, incluso en algunos casos dejaron de danzar por completo.
James Nieh, profesor de biología en la Universidad de California en San Diego,  indicó que “la exposición a cantidades de pesticida que antes eran considerados seguras, podría afectar la salud de las colonias de abejas”.
Cabe resaltar que este no es el único estudio que identifica al imidacloprid y clotianidina como un riesgo para distintos animales. Un informe presentado por las Naciones Unidas para el Medio Ambiente (PNUMA) identificó que los químicos utilizados por Bayer resultan tóxicos no solo para los insectos polinizadores, sino también para gatos, peces, ratones, conejos, pájaros y lombrices de tierra.
Bayer produce imidacloprid desde 1991. En 1999 Francia prohibió el uso de ese pesticida después que un tercio de las abejas de ese país murieran debido al uso generalizado de ese agente químico para el control de plagas. En el 2008, al sur de Alemania, dos tercios de la población de abejas a lo largo del Rin murieron después que se aplicó clotianidina en los campos de maíz de esa zona.
Existen alternativas para cuidar los cultivos con métodos que resultan amigables con el medio ambiente, por ejemplo en Holanda, las plagas en los cultivos de tomate son controlados utilizando avispas.
La desaparición de las abejas en las colmenas es un problema a nivel mundial conocido como Colony Collapse Disorder (CCD), un fenómeno que se caracteriza por la abrupta desaparición de abejas obreras en las colmenas.
Fuentes:

Fonte: http://blogs.funiber.org/meio-ambiente/2012/08/27/pesticidas-de-bayer-amenazan-la-supervivencia-de-abejas/?utm_source=Funiber&utm_medium=Noticia_boletin&utm_campaign=Boletin_medioambiente
Enviado por Associação Ipê


Tem outra via, sem agrotóxicos!!!!!


Cada vez mais veneno

Agrotóxicos: “um modelo de morte que bate de frente com a agricultura camponesa, que é um modelo de vida”

A Coordenadora Latinoamericana de Organizações do Campo (CLOC – Via Campesina) está divulgando um vídeo intitulado “Agrotóxicos”, que analisa o uso crescente desses insumos químicos na produção agrícola em diversas partes do mundo, e suas consequências ambientais e sociais, especialmente sobre a saúde humana.
O vídeo destaca as denúncias de casos de intoxicações, de câncer ou de afecções sobre diversos órgãos de humanos, por mencionar alguns exemplos, por causa da exposição aos agrotóxicos. Destaca também que em muitos países tem sido provada essa relação causa-efeito.
No material, realizado nos marcos da Campanha Continental contra os Agrotóxicos e pela Vida da CLOC-VC, fala-se também da participação de corporações transnacionais como Monsanto, Syngenta, Bayer e BASF na elaboração de transgênicos e dos agrotóxicos aos que são resistentes.
Vídeo abaixo:

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Campanha contra os agrotóxicos e pela vida saiu fortalecida de seminário em Brasília


Flor de piquiá                           Foto: Vânia Carvalho

Comunicadores, advogados, cientistas sociais e da saúde, militantes populares, representantes de entidades, organizações sociais e apoiadores da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida se reuniram em 28 e 29 de setembro no Centro de Estudo Sindical Rural (CESIR), em Brasília, para melhorar a organização das tarefas, a articulação dos grupos de trabalho jurídico e da comunicação da campanha.
Durante dois dias de estudo e partilha de informações e conhecimentos, os Grupos de Trabalho (GTs) Jurídico e Comunicação da Campanha definiram tarefas que visam fortalecer um movimento contra hegemônico para exigir ao Estado e Governo Brasileiro, o banimento dos agrotóxicos que atentam contra a saúde e a vida da população.
Foram definidas muitas tarefas; dentre elas, avançar na organicidade dos comitês locais, fortalecer iniciativas sociais nas bases, levantar e consolidar a bandeira da agroecologia como proposta alternativa para a produção de alimentos, e o fortalecimento de uma grande rede de defesa da saúde do povo brasileiro.
Tarefas concretas foram definidas nos Grupos de Trabalho e com grande entusiasmo, compromisso e mística militante, os participantes fecharam o encontro, que faz parte de uma digna campanha nacional que iniciou a se erguer um ano e meio atrás em defesa da vida e contra a morte.
Acesse o site da campanha: www.contraosagrotoxicos.org e veja a notícia na íntegra aqui.
Fonte: Comissão Pastoral da Terra (CPT/MS) / Comitê MS Contra os Agrotóxicos

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Partir -1° Lugar no concurso de curta-metragens



1° Lugar no concurso de curta-metragens "Music on the road" da Deutsches Symphonie-Orchester (DSO).
Atualmente o campo vive dilemas muito diferentes dos que inspiraram Beethoven. Partir é uma animação de pintura à óleo sobre vidro sobre a expulsão que muitos camponeses tem vivido hoje em dia e os caminhos que precisam seguir ao por o pé na estrada.
Se você também questiona o uso de agrotóxicos no Brasil, visite o site:http://www.contraosagrotoxicos.org/
Contribua para o banimento de agrotóxicos já banido em outros países assinando o abaixo-assinado on-line em: 
http://www.avaaz.org/po/petition/Pelo_banimentos_dos_agrotoxicos_ja_banidos_e...
Animação e roteiro: Pâmela Peregrino
Direção: Pâmela Peregrino e Antonio Terra
Música: Ludwig van Beethoven, Sinfonia nº 6, Pastoral, em fá maior, op. 68 (Disponibilizada pela DSO para o concurso).